Publicidade

Correio Braziliense

"As mulheres fazem uma diferença enorme no mundo", diz reitora do Iesb

Fundada em 1994, a instituição tem sete unidades no Distrito Federal e em Goiás. Nasceu com 320 alunos e, hoje, conta com 18 mil estudantes


postado em 02/04/2018 19:31

"O que importa é o que eu penso de mim, é o que o empreendedor pensa dele mesmo, a liberdade que ele tem para criar aquilo em que ele acredita" - Eda Coutinho, reitora do Iesb (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
 

 

Quando encontra uma jovem, Eda Coutinho sempre leva a conversa para a educação. O tema é recorrente por causa de sua grande preocupação com o futuro de meninas que, muitas vezes, têm poucas motivações para melhorar de vida. A determinação em abordar o assunto tem um motivo: desde os nove anos, quando decidiu ser uma boa aluna, Eda não parou mais de crescer profissionalmente na área de educação, até se tornar a primeira mulher a fundar um centro universitário no Distrito Federal.

 

“Acho que nós mulheres temos que estimular as meninas, e os meninos também, a estudar mais. Quero mostrar que existe um caminho melhor. Para as nossas alunas, falo que elas não precisam correr para casar e peço para que invistam primeiramente nelas, que estudem”, diz a reitora e dona do Centro Universitário de Brasília (Iesb). Fundada em 1994, a instituição tem sete unidades no Distrito Federal e em Goiás. Nasceu com 320 alunos e, hoje, conta com 18 mil estudantes

 

A reitora lembra a infância e a decisão que mudou a sua vida, quando optou por se apegar com unhas e dentes ao conhecimento. A promessa da época em que não gostava de estudar foi feita, a princípio, somente para o pai, mas norteou toda a sua vida. “Resolvi também que ia ser a melhor aluna para sempre. Não é nada fácil ter um compromisso com você mesma de querer ser a melhor”, ressalta.

 

Da decisão da infância resultou em uma mulher determinada a investir em si mesma e dedicada a fazer tudo com nível de excelência. As perdas, barreiras, decepções e dificuldades jamais se tornaram impedimentos no caminho de Eda. Ao contrário, ela soma tudo com delicadeza para contabilizar um resultado em que as experiências, mesmo negativas, foram importantes para que conquistasse um espaço na área de educação. “A decisão de progredir não é um estímulo que vem de fora. E isso me acompanhou para o resto da vida”, diz.

 

A educadora enfatiza que nem sempre as mulheres são encorajadas a buscar um caminho próprio. As conquistas são baseadas em uma série de acontecimentos que fazem com que elas descubram o que têm que perseguir. “Às vezes, é uma decisão da própria mulher, não é um estímulo que vem de fora. No meu caso, tive uma infância muito feliz, era livre, ia passear, mas não gostava de estudar. Não nasci uma boa aluna, mas a minha mãe era professora, estudou em colégio de freira, e eu tinha aquele modelo para seguir, já que ela queria que todos os filhos estudassem”, conta.

 

Competência, segurança e sorte são fatores que contribuem para a realização de um empreendimento, segundo Eda, mas uma autoimagem positiva também impulsiona o sucesso. “O que importa é o que eu penso de mim, é o que o empreendedor pensa dele mesmo, a liberdade que ele tem para criar aquilo em que ele acredita. Aí vem a parte da sorte. Se você tiver pessoas que te estimulam, te respeitam e te ajudam, a coisa facilita”, analisa.

 

Entusiasmo de jovem

 

Com a experiência de seus 78 anos e o entusiasmo que pode ser comparado a de uma jovem estudante que acabou de entrar na faculdade, Eda adverte que a vida tem que ser leve. Ela diz que sente muita alegria a cada dia que vai ao Iesb, porque atende os alunos, resolve problemas da instituição e conversa com professores e funcionários da instituição. “O Iesb é um local que nós queremos para que os alunos sejam felizes, porque, se eles não forem felizes, não vão fazer nenhum bem para a sociedade. No fim das contas, o empreendedor tem, sim, que ser feliz. A cada realização, ele tem que trazer alegria”, crê.

 

Educadora 24 horas por dia, Eda procura dar exemplos aos alunos. Por isso mesmo, a idade não a impede de subir e descer, diariamente, as escadas da instituição que dirige. “Sei que tenho que dar exemplo para os nossos alunos. Subir escada é uma coisa importante para o planeta, e eu tenho que ajudar esse planeta”, declara comovida. A empreendedora se emociona ao contar inúmeras histórias de sua vida, relatos algumas vezes de tristeza e dor, como o fato de ter sido perseguida durante a Ditadura, o que resultou em sua demissão da Universidade de Brasília (UnB).

 

Esses acontecimentos, no entanto, não fizeram com que ela se tornasse uma pessoa amargurada. “A vida parece ser ruim demais em um momento. De repente, muda tudo. E você tem que esperar mudanças boas e mudanças que façam você feliz”, resume Eda. Ela manifesta a importância de debater a situação das mulheres, sempre com o intuito de motivá-las a percorrerem seus sonhos. “Nós fazemos uma diferença enorme no país e no mundo”, afirma. Pós-doutoranda em educação, Eda Coutinho é membro do Comitê Executivo e presidente do Capítulo Brasileiro da Associação Internacional de Presidentes de Universidades Brasileiras (IAUP), membro efetivo do Clube de Roma, do The Penn State Global Advisory Council e do Comitê Deliberativo do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação