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Correio Braziliense

Sócia-fundadora do Sabin driblou o preconceito e conquistou o mercado de laboratórios clínicos

Janete Vaz chegou a Brasília com um filho, diploma de bioquímica da Universidade Federal de Goiás na mão e quatro recomendações de trabalho. Nenhuma delas deu certo, mas isso foi só mais um motivo para ela arregaçar as mangas e mostrar a que veio


postado em 02/04/2018 19:32

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
A liderança masculina predominava e os militares estavam no poder. Derrotar a intolerância e a rejeição era o desafio das jovens amigas e sócias para buscar investimento e estabelecer um padrão de qualidade no empreendimento de seus sonhos. “Foi uma fase difícil, mas conseguimos vencer o preconceito por sermos duas mulheres no comando de um laboratório clínico e com pouco conhecimento de administração”, diz Janete Vaz, sócia-fundadora do Sabin Medicina Diagnóstica. “Várias pessoas me perguntavam quem era o ‘dono’ do Sabin, outros até afirmavam que conheciam o ‘dono’. Em eventos sociais, as pessoas chegavam ao meu lado e pediam informações sobre exames ou sobre o negócio ao meu ex-marido. Enfim, negócio que dava certo deveria ser de homem”, relata a desbravadora.

Janete Vaz chegou a Brasília com um filho, diploma de bioquímica da Universidade Federal de Goiás na mão e quatro recomendações de trabalho. Nenhuma delas deu certo. Precisou fazer estágio por um ano e sobreviver com o curto salário. “Aprendi que temos que saber executar, comunicar e criar uma rede de relacionamento”, afirma. Com esse objetivo em mente, foi longe. Após trabalhar em alguns laboratórios, conheceu a colega de profissão e hoje grande amiga Sandra Soares da Costa. Em 1984, Janete, goiana da cidade de Anápolis, e Sandra, de Minas Gerais, fundaram o Sabin, com apenas três funcionários.

Um pequeno negócio se tornou um grande império, 25 anos depois. Mas não foi da noite para o dia. Janete e Sandra Soares foram em busca das melhores referências nacionais e internacionais para a empresa. Passaram a participar rotineiramente de congressos de patologia e análises clínicas para saber as novidades em lançamentos, metodologias e inovações. Com resultado, o laboratório se expandiu em 2009 para outras regiões do Brasil. Em 2014, as profissionais decidiram se dedicar às questões mais estratégicas e nomear pessoal com alto conhecimento no negócio para conduzir o dia a dia da empresa. Em 2017, o Sabin foi eleito a melhor empresa para a mulher trabalhar pelo Instituto Great Place to Work.

“Corremos atrás de especializações em administração e gestão de processos e de pessoas e começamos a capacitar e a desenvolver nossos colaboradores”, conta Janete. Hoje, o Sabin está em 11 estados e no Distrito Federal, tem 225 unidades, 4.300 empregados (75% mulheres), 4,2 milhões de clientes, faz 42 milhões de exames por ano, com faturamento de R$ 830 milhões. Para o sucesso, foram fundamentais valores políticos e familiares que se refletem no dia a dia, diz Janete. “A filosofia da empresa é respeito, justiça e transparência”, assinala.

“Hoje em dia, olho para trás e vejo que passamos por muita coisa que não tínhamos que passar. Não foi fácil. Por isso, repito, o importante é não ter medo”, reforça Janete. 

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