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Correio Braziliense

Mulheres ocupam cada vez mais cargos importantes em empresas

No entanto, elas ainda não ganham, em média, o que os homens recebem para fazer exatamente a mesma coisa


postado em 02/04/2018 19:37

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press )
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press )

As mulheres estão, efetivamente, ocupando cargos mais importantes nas empresas, ainda que não na velocidade esperada, e contribuindo para a geração de riquezas do país. O problema é que elas ainda não ganham, em média, o que os homens recebem para fazer exatamente a mesma coisa. “Eu quero ser paga pelo que eu fabrico, pelo que eu entrego, pelo que eu aporto. O que eu trago para a mesa tem valor, não porque sou mulher ou porque sou homem ou porque sou marciano. Tem valor porque tem valor. Nisso eu acredito”, diz a executiva Suzane Veloso, investidora anjo de startups.

Ao abordar o tema “O papel de mulheres mentoras na formação da próxima geração de executivas”, Suzane afirma que as mulheres precisam se tornar mais firmes em seus propósitos, sobretudo em momentos de crise. Ela ressalta que, na última recessão, as empresas optaram por demitir mais mulheres do que homens, o que é inaceitável. “Alguns vão colocar a culpa na crise, mas o fato é que o mercado de trabalho ainda trata com reservas as mulheres. Mesmo sendo mais escolarizadas, elas continuam ganhando menos. E são mais vulneráveis a demissões”, afirma.

Para Suzane, a boa notícia é que, numa pesquisa sobre mulheres em cargos de liderança em 35 países, o Brasil subiu posições, enquanto, na média, todos os demais caíram. Segundo o Instituto Ipsos, 29% das companhias brasileiras têm mulheres em cargos executivos. Nas demais nações consultadas, esse índice é de 24%. Mas, apesar de a situação das mulheres apresentar melhoras no mercado de trabalho, a falta de coragem delas para brigar por posições nas empresas é um grande entrave.

Um levantamento global com 3.627 mulheres mostra que, por medo, apenas 39% delas, ainda que sejam capacitadas para exercerem cargos que surjam nas empresas, não se candidatam. “A grande revolução começa na cabeça. Temos que fazer uma faxina mental de tudo aquilo que os outros pensam sobre nós e passarmos a usar o que pensamos sobre nós, sobre onde queremos, podemos e vamos suar para chegar. Nada vai cair no colo”, destaca.

Executiva com mais de 30 anos de experiência nas áreas de comunicação e marketing de companhias globais, Suzane acredita que a situação está progredindo, principalmente quando se olha a vida das mulheres em 1918. Elas nem sequer votavam, não se elegiam deputadas, não eram reitoras de universidades, não tiravam brevê para pilotar avião, não eram advogadas ou psicanalistas. Foi somente na segunda metade do século passado que uma mulher assumiu um cargo de delegada.

Suzane é mentora e investidora anjo em startups como a Reciclapac, da área de rastreabilidade e internet das coisas, e atua como consultora para companhias como a americana Globality, baseada em ferramentas de inteligência artificial,s que tem entre seus parceiros o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore.

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