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2019 será bom ano para países emergentes, aposta especialista

Para o economista Armando Castelar, coordenador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), países emergentes estão mais atrativos para investidores

Alessandra Azevedo
postado em 12/02/2019 11:47
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
O economista Armando Castelar, coordenador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), acredita que 2019 será um bom ano para os países emergentes. Não necessariamente pelo prisma comercial, mas, pelo menos, do ponto de vista financeiro. ;Tem tudo para ser um ano interessante, como foram 2016 e 2017;, diz.

Castelar não acredita que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, aumentará a taxa de juros nos próximos meses, o que é um bom sinal para a economia brasileira. Quando o Fed aumenta a taxa de juros, os EUA ficam mais atraentes para investidores. Assim, recursos que hoje são aplicados em países emergentes, como o Brasil, passam a ser direcionados à economia norte-americana. Com essa possibilidade longe do radar, o cenário deve ser positivo para os emergentes, como vinha desde outubro, acredita o economista.

[SAIBAMAIS]A dúvida é até que ponto dá para confiar nos direcionamentos do governo norte-americano. Afinal, a volatilidade ;foi a marca de 2018;, diz Castelar. O exemplo mais simbólico, segundo ele, foi o recente ;cavalo de pau; do Fed em relação ao assunto. Até dezembro do ano passado, o banco central dos EUA tinha uma posição ;bastante agressiva; em defesa do aumento da taxa de juros este ano. Mas surpreendeu com uma mudança de postura ;de 180 graus;, no fim de janeiro, lembra o economista.

Para ele, a mudança de postura do Fed mostra que ;tudo pode mudar daqui a pouco;. Não se sabe até onde vai a ;paciência; do banco, argumento para não ter aumentado a taxa de juros na última reunião. A volatilidade que marcou 2018 pode, portanto, se manter em 2019, considera Castelar. ;É importante guardar em mente que, do mesmo jeito que 2018 começou muito bem e depois ficou ruim, pode ser que também em 2019 as coisas virem pó;, pondera.

Pressões


Por isso, embora acredite que não há sinais de que os Estados Unidos devam subir os juros em breve, Castelar não se arrisca a garantir esse posicionamento. Pelos dados macroeconômicos do país, há espaço para aumento: os juros estão em 2,5% ao ano, o Produto Interno Bruto (PIB) continua crescendo e, nos últimos meses, o desemprego caiu mais do que os economistas previam. ;Também teve um aumento salarial, que ainda não pressiona muito, mas de 3,2% de valorização;, comenta.

Não é à toa que, do ponto de vista internacional, um ;grande risco; é de que a inflação americana pressione o mercado de trabalho e que haja um ;novo cavalo de pau do Fed;, afirma Castelar. Queda do desemprego e alta na inflação abrem espaço para alavancar a taxa de juros. Sobre a relação dos Estados Unidos com a China, ele acredita que haverá um acordo comercial, mas não o fim da briga entre os países. ;É um problema para 20, 30 anos. Não para dois ou três meses;, explica.

A lista de principais riscos que a economia brasileira enfrentará este ano inclui possíveis frustrações com a reforma da Previdência, diz Castelar. Apesar de considerar a medida ;totalmente essencial;, ele acredita que a estratégia do governo de ;ir com tudo ou nada; para o Congresso pode ser ótima ou dar errado.

Ele lembra que o governo não quis fazer um presidencialismo de coalizão. Primeiro, montou ministérios sem indicações, e só depois foi buscar os partidos. Isso gera preocupação porque, ao não fazer acordo com os partidos, ele pode ter problemas em comissões, por exemplo. ;A vantagem é que, na coalizão, tem que entregar coisas para avançar. Se não fez acordo, não tem que entregar. Mas pode chegar lá, na hora, e não conseguir o número de votos que são necessários;, pondera.

Sinais


Por enquanto, os sinais são bons. As eleições da Câmara e do Senado este ano influenciam as expectativas de forma positiva. Ao conseguir emplacar os candidatos que gostaria, o governo saiu ganhando ; um bom sinal para as pautas de reequilíbrio fiscal prometidas pelo presidente Jair Bolsonaro. ;Isso, obviamente, é um sinal positivo, do ponto de vista das reformas;, afirma Castelar. Ter aliados no comando do Congresso não é uma garantia de aprovação das matérias, mas é ;melhor isso do que ter perdido;, completa.

Ele também pontuou que a alta do preço de ativos é a principal razão para a confiança estar subindo no Brasil. Em janeiro, o movimento ;foi muito positivo;, com alta na bolsa de valores acima de outros países. Além disso, os juros a longo prazo caíram muito, e os títulos do Tesouro subiram. ;Também porque existe muito otimismo com o novo governo. Mas a gente sabe que, quando o dólar cai e a Bolsa sobe, todo mundo fica mais otimista;, comenta Castelar.

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