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Correio Braziliense

Empresário vê com esperança a chegada da nova equipe econômica

Ajustando o fiscal, o Brasil terá condição de atrair grande volume de investimentos e reverter décadas de atraso, aponta o presidente da Macroplan


postado em 12/02/2019 11:54

"Se não tiver um ajuste fiscal, esquece o resto. Nós estamos na iminência de um rompimento ou de cair no precipício se não rolar isso. Não dá mais" Claudio Porto, presidente da Macroplan (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
O novo governo federal tem dado sinais e esperança de resolver entraves graves na economia, segundo o presidente da Macroplan, Claudio Porto. Ele destaca que há uma predisposição da equipe econômica em dialogar com o setor produtivo, mas que ainda é cedo para dizer se conseguirá “colocar a mão na massa”. “Temos de conferir”, diz o analista. Para ele, o Produto Interno Bruto (PIB) deve subir entre 2% e 2,5% em 2019.

Isso só será possível, entretanto, com a organização das contas públicas, que estão deficitárias desde 2014. As despesas obrigatórias impossibilitam a gestão dos recursos, em especial, os benefícios previdenciários, que ultrapassam 50% do orçamento. Ajustando o fiscal, o Brasil terá condição de atrair grande volume de investimentos e reverter décadas de atraso.

Ele cita um estudo realizado pelos pesquisadores Cláudio Frischtak e João Morão apontando que, somente nos setores de telecomunicações, energia, saneamento e transportes, seriam necessárias aplicações de US$ 3,4 trilhões (R$ 12,8 trilhões) em 27 anos para se obter as “condições razoáveis” de uma infraestrutura que atenderia a capacidade do país. “Se o Brasil crescer em média 3% ao ano nesse horizonte de 2020 a 2027, é o que a gente precisaria para pôr a infraestrutura adequada. Traduzindo isso em valores anuais, são US$ 126 bilhões (R$ 473 bilhões) por ano”, ressalta. “Isso é um negócio grande até na China. Esse valor representa, em termos reais, o dobro do que está alocado no orçamento federal de 2019 para saúde, educação e segurança no Brasil”, compara.

Porto entende que é limitador focar na inauguração de obras, sem pensar em possíveis dramas para operar posteriormente. “Meu olhar é que devemos ter um preparo maior de médio e longo prazos. Para conseguir esse enfoque, são necessárias duas pré-condições: a reforma da Previdência e o ambiente de negócios mais amigável. “Se não tiver um  ajuste fiscal, esquece o resto. Nós estamos na iminência de um rompimento ou de cair no precipício se não rolar isso. Não dá mais”, diz.

Sobre o mercado mais “amigável”, Porto enfatiza que não é do “jeitinho nem do capitalismo de compadrio”. “Isso é abominável. Precisamos é de um ambiente que não seja hostil ao ambiente privado”, destaca o presidente da Macroplan. “Cumprido, ou indo nessa direção, nós temos uma megaoportunidade nas mãos”, acrescenta.

Até 2022 


Na interpretação dele, o Brasil tem as condições para receber investimentos. Isso porque há demanda reprimida imensa e capacidade técnica. “Além disso, nós temos escala. A grande diferença, quando você olha o tamanho da demanda do Brasil nesses campos, são demandas de grande magnitude. Só para ter uma ideia, para não ficar só na infraestrutura, temos o caso da segurança, de presídios”, afirma. “Nós temos quase 1.500 presídios no Brasil e a terceira população carcerária do mundo, em condições de absoluta lotação de presídios. Nós temos mais de 3 mil unidades de saúde. Se pensarmos isso como uma rede, são números, extensões e magnitudes muito grandes.”

Porto frisa que é possível começar um avanço até 2022. O primeiro passo é acelerar a agenda de concessões, privatizações e parcerias público-privadas (PPP). “Um dos pontos da herança bendita desse governo é que ele recebeu uma carteira muito amadurecida e com bons projetos feitos em áreas de ferrovias, portos e aeroportos. Todas as sinalizações que nós temos é de que esses processos vão acelerar. É trabalhoso, mas temos de transformar o que está montado em ação e concretude”,  avalia.

Outro tema importante é a montagem de uma boa carteira de projetos. “Com bons estudos de viabilidade técnica e econômica, de impacto ambiental, de avaliação estratégica de risco e de uma boa engenharia financeira, isso é essencial para dar uma boa atratividade para os projetos”, frisa.


Oportunidades


Na interpretação do analista, o Brasil deve prestar atenção em seis janelas de oportunidade: a infraestrutura de recursos hídricos, a proteção ambiental, o adensamento e integração nacional da malha ferroviária, as grandes redes de serviços públicos, a segurança nacional e a tecnologia de dados.

Todo o investimento e o preparo do ambiente de negócios também devem ser acompanhados do ganho de produtividade. “Principalmente, nossas pequenas e médias empresas, que têm muito a ganhar. A meu ver, o perfil da mão de obra ocupada tem de melhorar muito, senão, não adianta, teremos sempre emprego de má e baixa qualidades”, defende.

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