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Correio Braziliense

Apex muda estrutura e quadro para ter presença maior no exterior

Apex tem apenas nove unidades internacionais, mas opera em todos os departamentos comerciais do Itamaraty, portanto, está presente em 105 escritórios no mundo


postado em 12/02/2019 11:59 / atualizado em 12/02/2019 12:03

"O país e o mundo passam por um novo momento, de integração. Novos mercados estão sendo abertos. E o Brasil, desde as últimas eleições, quer ter uma nova postura. Isso passa por uma agência de promoção mais robusta e eficiente" Márcio Coimbra, diretor de Gestão Corporativa da Apex Brasil (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
O Brasil vai adotar uma nova postura na promoção de exportações e na atração de investimentos, ampliando sua presença no exterior. Para isso, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) está passando por uma remodelação. Além de atender à recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU), de substituir cargos em comissão por concursados, o que permitirá uma economia de R$ 4,5 milhões por ano, o órgão criou uma gerência de governança e compliance para maior controle do dinheiro público.

É o que garante o diretor de Gestão Corporativa da Apex Brasil, Márcio Coimbra. “O país e o mundo passam por um novo momento, de integração. Novos mercados estão sendo abertos. E o Brasil, desde as últimas eleições, quer ter uma nova postura. Isso passa por uma agência de promoção mais robusta e eficiente”, diz. Ele explica como está sendo conduzida a reestruturação interna. “Estamos promovendo a troca de 50 funcionários de cargos comissionados por concursados que passaram no certame realizado no fim do ano passado. Do total, 30 já foram substituídos. Até março, todas as indicações políticas terão deixado a Apex”, afirma. “Estamos tirando quem é apadrinhado político. A Apex não terá ideologia”, frisa.

Os escritórios no exterior também serão reformulados, assegura. A Apex tem apenas nove unidades internacionais, mas opera em todos os departamentos comerciais do Itamaraty, portanto, está presente em 105 escritórios no mundo. “Vamos ter maior integração com o Itamaraty”, assinala. “Acreditamos que podemos crescer. É possível seguir o exemplo do Canadá, que tem um orçamento menor do que o nosso, mas muito mais presente em nível global”, destaca.


Privatização


Coimbra assinala que a agenda de privatização do novo governo passa pela atração de investimentos estrangeiros. “Nós fazemos apoio à internacionalização das empresas brasileiras, para que elas ganhem mercados. Mas também buscamos investimentos estrangeiros no país”, diz. Em 2018, a Apex auxiliou nas exportações de US$ 49,6 bilhões e também fez 283 atendimentos para investimento estrangeiro no Brasil, que somaram US$ 5,7 bilhões em anúncios de aporte de capital internacional. “Para abrir os mercados e conseguir mais investimentos, começamos com ações internas dentro da Apex. Criamos uma gerência de governança e compliance, para evitar desvios de dinheiro”, explica.

A expectativa do diretor da Apex em relação às exportações do Brasil para 2019 é positiva. “É a melhor possível. Diante do cenário, temos trabalhado em duas frentes: tanto com o Ministério da Economia, com as políticas de comércio exterior, quanto com o Itamaraty, para avançar em novos mercados”, afirma. As duas vias, de acordo com ele, abastecem a Apex com o enriquecimento das probabilidades de ampliar o comércio internacional. “Esperamos uma melhoria sensível, maior presença no exterior, maior número de instrumentos de controle dentro”, destaca.

O maior desafio, segundo Coimbra, é ver o país mais competitivo. “Isso é fundamental para a Apex avançar na agenda no exterior. No momento em que tivermos uma diminuição da carga tributária e equilíbrio das contas públicas no governo, isso dará condições internas que propiciem as nossas empresas a se tornarem mais competitivas”, defende. Para que isso se concretize, observa, é necessário aprovar as reformas que o governo vem propondo no Congresso.

“As medidas são no sentido de diminuir o peso em cima do empresariado brasileiro, para que possa produzir tanto para o mercado nacional quanto para o exportador. É preciso tirar o Custo Brasil das exportações brasileiras, tornando o país mais eficiente e competidor”, emenda Coimbra.

Segundo o diretor da Apex, Bolsonaro conseguirá reunir maioria no Congresso para aprovar a reforma da Previdência. “Pelo que vimos nas eleições para as mesas do Senado e da Câmara, há o sentimento de que a renovação das urnas chegou à política interna. Acredito no fim da Nova República e no início de um novo processo de ciclo político”, reforça.


Eixo global


Apex atua em três frentes no apoio e na promoção do comércio exterior (dados de 2018)


Promoção de exportações

15.737 empresas apoiadas
4.145 exportadoras
5.259 produtos
233 mercados
US$ 49,6 bilhões
20,7% de participação

Atração de investimentos

283 atendimentos a investidores estrangeiros qualificados
29 projetos de investimentos facilitados
US$ 5,7 bilhões em anúncios de investimentos
74 ações realizadas
4.785 participantes


Internacionalização de empresas brasileiras

Capacitação
Seminários sobre mercados estratégicos
Missões de internacionalização
Apoio para instalação no exterior
Atendimento customizado
513 empresas atendidas
107 empresas com apoio à instalação local

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