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Correio Braziliense

Diabetes, o mal que espreita todos os brasileiros

A discussão por um Brasil melhor também passa pela saúde. Por isso, o Correio Debate dedicou a esse assunto um encontro concorrido e com considerações essenciais para se entender melhor a doença que tanto mata no país e no mundo


postado em 16/08/2018 06:00 / atualizado em 16/08/2018 11:12

"A saúde é um esforço de todos. Prevenir é o melhor remédio. Não é trabalhar para curar a doença," Gilberto Occhi, ministro da Saúde (foto: Ed Alves/CB/D.A Press )

 

Números impressionantes — você sabia que 642 milhões de pessoas em todo o planeta terão a enfermidade em 2040? —, a relação da doença com problemas cardíacos, os fatores sociais que agravam o quadro e a falta de medicamentos modernos fizeram parte de um dia de análises sobre a área. Mas os especialistas que estiveram no auditório do Correio Braziliense também trouxeram soluções e esperanças. Eles apontam que, com muita informação por parte de médicos e pacientes, diagnóstico precoce, tratamento seguido à risca, exercícios físicos e apoio à pesquisa, é possível melhorar a qualidade de vida de quem luta contra o diabetes.


Prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais

O diabetes e os problemas cardiovasculares estão interligados. As principais razões para a morte de pacientes com a doença são as complicações relacionadas ao coração. E os idosos são os mais vulneráveis aos distúrbios. Quando diagnosticados com o diabetes tipo 2 (confira quadro), eles têm um risco de três a quatro vezes maior de morrer em decorrência das doenças cardiovasculares. A questão foi tema do seminário Correio Debate — Acesso e avanços nos tratamentos do diabetes, que reuniu autoridades e especialistas para tratar do assunto.

A principal discussão hoje é sobre como reduzir os riscos e evitar os custos decorrentes de internações e tratamentos, que são caros e têm alta complexidade. Silencioso, o diabetes é uma das piores doenças da atualidade. Ela é responsável por 5% das mortes globais, e cresceu no Brasil na última década, tanto que o país se tornou o 4º no planeta em casos diagnosticados. Estimativas levam a crer que 642 milhões de pessoas em todo o globo terão diabetes em 2040.

Na avaliação do ministro da Saúde, Gilberto Occhi, é fundamental estruturar a saúde pública para prevenir os casos da doença e garantir o diagnóstico precoce. “Estamos cada vez mais agregando tecnologia, informações e melhorias nos atendimentos. Mas quanto mais a população mudar seus hábitos e o SUS (Sistema Único de Saúde) for capaz de fazer diagnósticos precoces, com atendimento mais rápido na atenção básica, menos demanda nós teremos na alta e na média complexidade, que trazem um custo maior ao sistema”, diz.

Occhi afirma que é preciso incentivos para prevenir a doença. “A saúde é um esforço de todos. Prevenir é o melhor remédio. Não é trabalhar para curar a doença.” Na prática, 12% do valor gasto com saúde no mundo são para o tratamento do diabetes, o que representa US$ 670 bilhões (R$ 2,6 trilhões, a valores de hoje). Na contramão, 50% dos portadores do tipo 2 da doença não são diagnosticados. No Brasil, por exemplo, o custo com a internação de pacientes é de US$ 243,9 milhões (R$ 915 milhões) por ano, sendo 836 milhões de internações. “Setenta por cento desses casos poderiam ser prevenidos”, destaca.

 

Obstrução

A prevenção e o diagnóstico precoce permitem que a pessoa coloque barreiras para o agravamento dos problemas de saúde. A incidência de doenças cardiovasculares aumenta com a idade. A prevalência desses distúrbios em pessoas com diabetes e idades entre 51 e 69 anos é de até 31,7%. Nessa faixa etária, estima-se que um terço morre em decorrência de derrames e, um quarto, de complicações coronarianas. Isso porque os altos níveis de glicose no sangue aumentam o risco de formação de placas de colesterol, podendo levar à aterosclerose, obstrução do fluxo sanguíneo.

O diabetes também pode estar associado à hipertensão, que colabora para o surgimento de problemas cardiovasculares, como doença coronária, infarto, derrame e insuficiência cardíaca. O sobrepeso e a obesidade estão amplamente associados às deficiências. Occhi destaca que o Ministério da Saúde tem disponível, em seu site, cadernos de atenção básica sobre doenças crônicas, diabetes e guias de alimentação. Ele diz ainda que há um curso on-line gratuito sobre o tema, chamado “Autocuidado: como apoiar a pessoa com diabetes”. “As orientações para uma vida mais saudável se baseia em quatro pilares: parar de fumar, ter peso saudável, se alimentar melhor e se exercitar”, ressalta o ministro.

Para evoluir no combate ao diabetes, Occhi aponta que há uma conversa com indústrias para a redução de açúcar em alimentos ultraprocessados. Segundo ele, as conversas estão avançadas para um acordo benéfico aos consumidores. Também há audiências públicas discutindo uma nova proposta para rotulagem dos alimentos. As medidas servem para levar orientação às pessoas.

Remédios

Além disso, mais de 42,4 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS) estão em funcionamento, sendo que 88% delas oferecem medicamentos antidiabéticos. Em 2017, foram realizadas mais de 170 milhões de consultas sobre a doença. O tratamento para o diabetes é caro e complexo. Não à toa, do total de despesas com saúde no mundo, 12% estão relacionadas à doença.

O SUS oferta seis medicamentos para tratamento do diabetes. Em 2017, o Ministério da Saúde repassou R$ 1,05 bilhão para a compra do componente básico, como o Cloridrato de Metformina, a Glicazida e a Glibenclamida. Além disso, entre 2013 e 2017, mais de 54,1 milhões de insulinas NPH e Regular foram entregues. Segundo Occhi, o investimento em atenção básica subiu nos últimos anos e a projeção da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2018 prevê despesas de R$ 20,8 bilhões com o setor de saúde.

Trabalho nas escolas  

Diante da necessidade de maior atenção com os idosos, que são os mais vulneráveis aos problemas decorrentes do diabetes e doenças cardiovasculares, o Ministério da Saúde está atuando com outras pastas para melhorar a alimentação e a realização de atividades físicas nas escolas. De acordo com o ministro Gilberto Occhi, a nutrição consciente nos colégios públicos é necessária para mudar os hábitos da sociedade ao longo prazo. “É preciso ter atenção às cantinas. Nós estamos trabalhando com vários outros ministérios, como o do Trabalho, o do Desenvolvimento Social e o da Educação para uma série de ações que vão em direção à alimentação saudável e à prática de exercícios físicos. Precisamos fazer um grande movimento para que a população tenha uma saúde melhor e um hábito melhor de viver”, afirma.

Ataque à obesidade

O Ministério da Saúde adotou metas para frear o crescimento do excesso de peso e obesidade no país. Durante o Encontro Regional para Enfrentamento da Obesidade Infantil, realizado em março deste ano, em Brasília, o país assumiu o compromisso de deter o crescimento desse mal entre a população adulta até 2019. Fazem parte das propostas a redução do consumo regular de refrigerantes e sucos artificiais em pelo menos 30% e a ampliação de, no mínimo, 17,8% número de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente.

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