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Correio Braziliense

Alarmante: descontrole entre pacientes de diabetes tipo 1 chega a 90%

Descontrole entre os pacientes de diabetes tipo 1 chega a 90%. Muitos não sabem que foram acometidos pela doença e continuam cometendo os mesmos erros. Deficiência na rede pública agrava problemas


postado em 16/08/2018 06:00 / atualizado em 16/08/2018 11:11

"O que mais assusta é não ter informação. Como cuidar das doenças crônicas, se não sabemos onde elas estão? Precisamos informatizar todas as unidades de atendimento para que os dados fiquem disponíveis," Francisco de Assis Figueiredo, secretário Nacional de Atenção à Saúde (foto: Ed Alves/CB/D.A Press )

 

É alarmante o número de pessoas com diabetes descontrolado. Estima-se que 90% daquelas que têm diabetes tipo 1 não conseguem manter a doença nos eixos. Entre as pessoas que têm diabetes tipo 2, o descontrole chega a 80%. Segundo especialistas, o país está diante de uma “bomba” prestes a explodir, pois muita gente sequer sabe que foi acometida por esse mal. O diabetes é uma doença silenciosa, cujas complicações são graves, incapacitantes. Se considerarmos os custos hospitalares e as despesas com indivíduos incapacitados, que deixam de contribuir com impostos, que precisam de auxílio-doença e aposentadoria precoce, pode-se afirmar que o diabetes é a doença mais cara para o Ministério da Saúde.

Não se espera reversão tão cedo nesse quadro. Por isso, ainda se verá dados alarmantes. O diabetes, acompanhado da hipertensão arterial, é responsável pelo maior número de mortes e de hospitalização no país. Também lidera no caso de amputações de membros inferiores e representa 62,1% dos diagnósticos primários em pacientes com insuficiência renal crônica submetidos à diálise. No entender de médicos e estudiosos, tratar as doenças cardiovasculares de pacientes com diabetes tipo 2 é uma questão de sobrevivência.

Essa constatação vale, sobretudo, para os idosos, que precisam ter acesso ao tratamento para viver mais. Nesse contexto, o Sistema Único de Saúde (SUS) pode ajudar a mudar a realidade desses pacientes e reduzir o risco de morte por meio da incorporação de novas medicações. Segundo o secretário Nacional de Atenção à Saúde, Francisco de Assis Figueiredo, mais de 70% da população utilizam o SUS — são cerca de 150 milhões de pessoas. Para ele, a falta de informação é um dos problemas que precisam ser superados para a melhoria dos serviços. O sistema ainda não conta com atendimento multidisciplinar voltado ao público com doenças crônicas não transmissíveis.

“A equipe multidisciplinar é um sonho, mas temos o desafio de transformar as unidades básicas em mais resolutivas, com visão humanizada, para que o paciente se sinta mais acolhido. É uma discussão grande com o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde). O Brasil tem mais de 5.500 municípios. Dependemos de secretários de saúde. O problema é que, na média, os secretários ficam 11 meses nos cargos. Essas mudanças constantes dificultam a continuidade dos trabalhos. Sem a ajuda dos secretários, fica difícil implantar algumas políticas. Trata-se de um grande desafio”, afirma.

 

 

 

Urgências

Pelos dados de Francisco de Assis Figueiredo, a maior incidência de diabetes está na região Sudeste, mas a doença avança por todo o país. Na avaliação dele, é preciso fazer estudos mais aprofundados de mapeamento para se ter uma ideia da epidemia que preocupa a todos. “O que mais assusta é não ter informação. Como cuidar das doenças crônicas, se não sabemos onde elas estão? Precisamos informatizar todas as unidades de atendimento para que os dados fiquem disponíveis”, ressalta.

Outro desafio, diz o secretário, é o combate às doenças crônicas não transmissíveis, principalmente a hipertensão e o diabetes nos idosos. “Temos a missão de implantar linhas de cuidado na atenção básica, na secundária e na terciária. Um dos projetos, já em andamento, foca na melhoria da qualidade das emergências, diminuindo o tempo de espera. Um segundo projeto será lançado até o fim do mês de agosto, com o monitoramento em três estados de pacientes com hipertensão, diabetes e insuficiência cardíaca ou congestiva. Com isso, poderemos avaliar, em caráter de urgência, a percepção dessas doenças, melhorando o atendimento”, avisa.

Segundo ele, serão visitados 100 hospitais, dos quais 20 já foram percorridos. Em um deles, em Fortaleza, o tempo para o paciente realizar um hemograma comum até a volta ao médico demorava 6h37. Em outro, no Rio Grande do Sul, o tempo de substituição, da saída até a entrada de outro paciente, era de 14h, com a urgência superlotada. “Em alguns meses, com a mudança de fluxo e a melhoria de gestão, os hospitais melhoraram o atendimento. Com a melhoria de processos, as urgências vão atender melhor os usuários do sistema de saúde”, promete.

Mudança de vida

Na opinião da presidente da Rede AVC Brasil, Sheila Martins, quanto melhor for o atendimento, maiores serão as chances de se reverter os males provocados pelo diabetes, que aumenta o risco cardiovascular e de mortes súbitas. Para ela, é preciso identificar o quanto antes o diabetes, de forma a evitar que os altos níveis de glicose no sangue aumentem o risco de formação de placas de colesterol que podem levar à aterosclerose. “Com o tratamento correto, pode-se minimizar e reduzir as chances de se desenvolver a enfermidade. Além da medicação e da mudança de vida, evitando-se cigarro, carboidratos, doces, massas, pão e batata, é preciso fazer atividades físicas, perder peso, controlar a pressão e reduzir o consumo de sal”, diz.

Sheila destaca ainda que é necessário mudar o rol de medicamentos disponíveis no SUS. “A Empagliflozina se mostrou capaz de reduzir o risco de doenças cardiovasculares e faz falta na rede pública”, enfatiza.

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