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Correio Braziliense

Investidores têm grande expectativa sobre novo governo, diz presidente do CNI

Na avaliação de Robson Andrade, a volta do investimento produtivo estará atrelada à melhora da confiança no país


postado em 21/12/2018 11:07

Robson Andrade: A CNI será parceira do governo toda vez que o objetivo for destravar a economia (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Robson Andrade: A CNI será parceira do governo toda vez que o objetivo for destravar a economia (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 

 

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, diz que são grandes as expectativas em relação ao novo governo, não só por parte da indústria, mas de todos os setores da economia. Na avaliação do empresário, a volta do investimento produtivo estará atrelada à melhora da confiança no país e às medidas que, eventualmente, serão adotadas com a prometida agenda liberal. “Essa expectativa está comprovada pelo otimismo dos empresários e dos consumidores, e, certamente, ajudará o presidente eleito, Jair Bolsonaro, a implantar os projetos e os programas que ele desenhou em sua campanha para que o Brasil possa crescer e se desenvolver”, afirma.


Andrade, que está no comando da CNI há oito anos, destaca que, em suas andanças pelo país, percebeu o quanto a questão da competitividade da indústria se tornou presente e relevante. Há algumas empresas que conseguem se destacar e exportar, mas a maioria tem dificuldades para investir no país. “Realmente, em algumas áreas e em alguns setores, a indústria é competitiva. Porém, falta competitividade em muitos outros setores por vários fatores, por causa de problemas provocados pela burocracia, pelos impostos, pela falta de infraestrutura adequada, pela superposição de funções, por exemplo, das agências reguladoras. Algumas vezes, as próprias agências se tornam legisladoras de propostas e projetos que acabam prejudicando a indústria e o desenvolvimento de tecnologia e da inovação”, explica.


A boa notícia, ressalta o presidente da CNI, é que a equipe econômica do próximo governo tem dado reiteradas declarações de que pretende combater os principais gargalos que impendem o país de dar um salto de produtividade. “É preciso combater todas as causas da nossa baixa competitividade e da nossa falta de produtividade”, afirma ele, acrescentando que a CNI será parceira do governo “toda vez que o objetivo for destravar a economia, fazer o país crescer e incentivar a indústria a investir mais em tecnologia e inovação”.

 

Fazendo a diferença

O presidente da CNI destaca que um documento elaborado pela entidade e entregue ao futuro presidente e ao ministro indicado para a Economia, Paulo Guedes, contém 36 propostas em várias áreas, como segurança jurídica, comércio internacional e impostos, que dão um amplo retrato do que precisa ser feito. “Procuramos mostrar de que maneira podemos realmente ajudar a construir um país melhor, um país diferente”, afirma.


Robson Andrade recorda que um dos projetos avaliados pelo novo governo como positivo, o Brasil mais Produtivo, foi proposto pela entidade. “Esse é um projeto desenvolvido dentro da CNI, hoje operado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que o governo assumiu como seu. Essa iniciativa tem aumentado a produtividade de empresas médias entre 30% e 40%, com investimento pequeno e com mudanças de processos de fabricação”, assinala.


Ele lembra que a Organização das Nações Unidas (ONU) “escolheu o Senai como melhor instituição de educação profissional da América Latina”, algo que poderá atrair recursos estrangeiros para a entidade. “O próximo ano será difícil, de arrumar a casa, um ano de muitas mudanças, de muito planejamento, de muito esforço. Mas tenho certeza de que todos nós temos a expectativa de que realmente o país vai mudar. Vamos ter muito mais oportunidades de atrair investimentos, de trazer empresas para trabalhar no Brasil”, diz.


Na avaliação dele, é importantíssimo que o Brasil atraia centros de pesquisa e desenvolvimento de grandes empresas. “Acho que temos um futuro muito bom pela frente. Quero reafirmar que a indústria está disposta a implantar um novo ambiente de negócios no Brasil”, diz. Isso passa, inclusive, pela capacitação de mão de obra para melhorar a baixa produtividade do trabalhador brasileiro em relação ao resto do mundo.
Passos importantes têm sido dados nessa direção. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 1,5 bilhão para a implantação de institutos de educação e de tecnologias, uma demanda do setor que está dando resultados positivos. A CNI agregou a esse investimento mais R$ 1,5 bilhão e concluiu a implantação de 28 institutos de inovação e de 47 institutos de tecnologia no país, em parcerias com o Instituto Fraunhofer, da Alemanha, com o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e com a Universidade Stanford (ambos dos Estados Unidos).


“Agora, estamos assinando um acordo com o MIT para plataforma aberta no Brasil de formação de técnicos e de engenheiros em sistemas de inovação e sistemas de automação para que as pessoas possam, de maneira aberta, gratuitamente, entender o que é inteligência artificial, o que é Big Data, como se faz automação de uma fábrica”, afirma Andrade. A CNI também firmou com a IEL, de Israel, uma parceria para fazer um instituto de cyber security, segmento que tem oportunidades para o governo e o setor privado.

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