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Correio Braziliense

Estimativas da CNI apontam avanço superior ao PIB em 2019

A CNI prevê taxas otimistas, mas ainda será necessário a aprovação de medidas essenciais


postado em 21/12/2018 11:12

 

 

Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que o setor crescerá 3% em 2019. Caso se concretize, o índice vai superar, inclusive, a projeção da entidade para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para o próximo ano, que é de 2,7%. Depois de frustrações em 2018, as perspectivas são mais positivas para o futuro. A equipe do presidente eleito, Jair Bolsonaro, garante que o governo federal dará sequência à agenda de reformas estruturantes.


A CNI prevê taxas otimistas, mas ainda será necessário a aprovação de medidas essenciais, sendo a principal delas a mudança na legislação previdenciária. Os gastos com os benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) consomem a maior parte dos gastos públicos, que são extremamente limitados no orçamento.


O consumo das famílias e os investimentos devem aumentar 2,9% e 6,5%, respectivamente, em 2019, segundo a entidade. A projeção da CNI aponta que a taxa de desemprego cairá para 11,4% e a inflação ficará em 4,1% em 2019, ou seja, abaixo do centro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,25%.


Mesmo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) controlado, a taxa de juros terá que subir para ajustar a política monetária. A CNI avalia que a Selic terminará 2019 em 7,5% ao ano ante os atuais 6,5%. A balança comercial, por sua vez, fechará 2019 com saldo positivo de US$ 45 bilhões.

Medidas estruturais

Flávio Castelo Branco, gerente executivo de Política Econômica da CNI, explica que o país precisa aumentar a taxa de crescimento da produtividade de forma permanente e sustentável. De acordo com ele, apesar de atenuantes internacionais, os principais desafios continuam dentro do país. “Os riscos maiores para 2019 continuam sendo os nossos próximos passos”, declara. “O governo Bolsonaro enseja maior otimismo quando vemos indicadores de confiança, mostrando que há uma expectativa muito grande de que esse conjunto de mudanças estruturais comece a se manifestar e se materializar num ciclo virtuoso que leve a crescimento do PIB a taxas expressivas”, completa.


Sobre o cenário externo, Castelo Branco avalia que os maiores riscos são relacionados à guerra comercial envolvendo a China e os Estados Unidos (EUA). “Cria dificuldade, incertezas, e isso prejudica mais do que ajuda”, diz. “Mas, de todo modo, os riscos externos são moderados, porque o Brasil tem um certo colchão com as contas externas, por conta das reservas internacionais. Por isso, não é tão sensível”, acrescenta.


A confederação também apresentou à equipe técnica de transição, chefiada pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, um documento com 36 sugestões de medidas para serem implementadas nos 100 primeiros dias de governo. Para a área de infraestrutura, serão nove ações, desde o enfrentamento de obras paradas até o fortalecimento das agências reguladoras e o aumento da competitividade. Há também incentivos para o ambiente macroeconômico, a segurança jurídica, a tributação, o financiamento, os recursos naturais, as relações do trabalho, a política industrial, a educação e a segurança pública.

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