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Correio Braziliense

Processo de abertura comercial precisa ser gradual, diz diretor da CNI

Diretor da CNI lembra que não existe grande economia no mundo sem uma indústria forte por trás


postado em 21/12/2018 11:31

Carlos Abijaodi: isonomia é crucial para que o setor privado possa competir em todos os mercados (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
Carlos Abijaodi: isonomia é crucial para que o setor privado possa competir em todos os mercados (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
 

 

O diretor de política industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, reconhece a importância da abertura comercial, com redução de tarifas, defendida pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, durante a campanha eleitoral, mas alerta para que o processo seja gradual e com planejamento. “Nós imaginamos que precisamos dar isonomia para que a indústria brasileira seja capaz de competir no mercado internacional. Hoje, temos uma série de custos que o governo não tem jeito de tirar de um dia para o outro, como deficiências nos fretes, falta de financiamento, tarifas e tributos elevados”, afirma. “Por isso, a abertura precisa ser gradual. Dessa forma, haveria uma interação do governo com o setor privado para que se pudesse fazer a redução das tarifas ao longo de algum tempo”, acrescenta.


De acordo com Abijaodi, não existe uma grande economia no mundo sem que tenha por trás uma indústria forte. Como exemplo, ele cita os Estados Unidos, a China, a Alemanha e o Japão, que têm programas para implantar fortes incentivos ao setor. Na avaliação dele, é preciso, antes de tudo, ter vontade política para estabelecer o Brasil como um dos players mundiais, pois a participação do país nas exportações globais ainda é muito pequena, inferior a 2%. “No Brasil, apesar da recessão de 2015 e 2016, o que a indústria tem demonstrado é um potencial muito grande para se desenvolver. A indústria paga os melhores salários e gera emprego”, destaca.


O executivo da CNI destaca a importância da indústria no desenvolvimento do Brasil, mas reconhece que é um desafio muito grande que ela seja reconhecida. “A produtividade é o foco dos nossos trabalhos. Analisando 18 países, o Brasil está em penúltimo lugar. Em ambiente de negócios, estamos na última posição”, revela. Um dos desafios para mudar esse quadro é melhorar a capacitação. Para que a indústria se modernize, é preciso que se busque novos conhecimentos e se melhore a formação de mão de obra.


Na avaliação de Abijaodi, uma das principais razões de a indústria nacional não ser competitiva é o elevado Custo Brasil. “Mas as empresas também têm problemas internos. Temos problemas de gestão, no processo produtivo, na inovação, no marketing, nas vendas, no sistema de suporte e no financeiro. Nesses pontos, não há como descolar do setor público. Temos que trabalhar juntos, porque ambos têm problemas, ambos têm soluções, assim, devem encontrar soluções em conjunto”, explica.

Proteção

Abijaodi defende uma política industrial e uma política comercial para minimizarem os problemas do setor. “Essas duas políticas não admitem preconceitos. Têm que ser vistas como um conjunto de medidas e de formas que possam realmente aumentar a nossa produtividade, ampliar a eficiência do nosso trabalhador e melhorar as condições externas para que nós possamos ter um desenvolvimento”, afirma. “A política industrial tem que ser um motor para a produtividade e um estímulo ao avanço tecnológico no Brasil. Não podemos ter decisões erradas e precipitadas. Não há como ter uma proteção exagerada, nem abertura inconsequente”, emenda.


Não é só. Para o executivo, todos sabem as dificuldades da indústria e os potenciais do setor para alcançar uma produtividade maior. “O que nos resta é coordenar sempre a política industrial da política comercial. Precisa de um alinhamento”, destaca. Em relação ao Mercosul, Abijaodi critica a falta de desenvolvimento do bloco, porque ficou restrito a uma visão mais política do que comercial. “Isso foi uma falha de todos os países. Foi como se plantássemos uma árvore e não cuidássemos dela”, alerta.


Segundo o diretor da CNI, a entidade vem fazendo a agenda internacional da indústria há três anos. “Para 2019, vamos colocar mais Brasil no mundo, trabalhando com acordos comerciais, barreiras em terceiros mercados e investimentos brasileiros no exterior. Vamos trabalhar com comércio exterior sem amarras, facilitação e desburocratização. É um item que está bastante adiantado e não podemos deixar ter nenhum atraso nisso”, afirma.

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