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Correio Braziliense

'O Mercosul é importante,' diz especialista em contrapartida a Paulo Guedes

A importância do bloco se mostra principalmente para a indústria, que tem a Argentina como principal destino das exportações de manufaturados


postado em 21/12/2018 11:33

Renata Amaral aposta em uma remodulação do bloco(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
Renata Amaral aposta em uma remodulação do bloco (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
 

 

A despeito de o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, declarar que o Mercosul não é importante para o novo governo neste momento, a especialista em comércio exterior da consultoria BMJ Associados Renata Amaral defende a importância do bloco, principalmente para a indústria, que tem a Argentina como principal destino das exportações de manufaturados.


Na avaliação da analista, não há chances de rompimento da aliança entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, países signatários do Tratado de Assunção, de 1991, mas ela admite uma certa flexibilização, pois os países do bloco só podem negociar um acordo de livre comércio em conjunto. Ela destaca que Paraguai, Uruguai e Argentina têm a demanda de negociar bilateralmente com outros blocos, com outros países. “Se o Brasil também acenar nesse sentido, teremos, eventualmente, uma remodulação nas negociações de acordos comerciais”, aposta.


Renata lembra que, apesar das mazelas entre os governos, para a indústria, o bloco é muito mais importante. “Entendo que o Mercosul é extremamente relevante, sobretudo para o Brasil. A pauta de produtos que o país escoa para o bloco, sobretudo para a Argentina, é de itens com valor agregado, diferente da pauta de exportação com o resto do mundo. O Mercosul é vital para o Brasil. Talvez repensá-lo faça sentido, mas não desmontá-lo”, avalia.


A balança comercial brasileira tem demonstrado saldos positivos desde 2015, mas a analista é bastante realista com esse resultado. Explica que os números não refletem um forte aumento das exportações. O país ainda precisa ampliar a sua inserção internacional, pois tem uma participação muito pequena. “Por mais que vejamos uma balança com superavit comercial interessante nos últimos anos, boa parte disso se deve ao câmbio, que tem favorecido. Infelizmente, se deve menos à alta competitividade dos nossos produtos no exterior, que são caros”, assinala.
Em relação à abertura unilateral do país, Renata afirma que isso precisa ser feito com planejamento e de maneira equilibrada. “É preciso alocar todos os interesses para que tenhamos uma política de comércio internacional equilibrada”, frisa.

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