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Correio Braziliense

Economia sofre com 'exército de nômades' que não quer aprender

Segundo o economista Cláudio de Moura Castro, a sociedade precisa passar por profundas mudanças de comportamentos, porque não será possível inovar sem educação


postado em 21/12/2018 11:48

A economia sofre com um “exército de nômades” que não demonstra o menor interesse em aprendizagem, segundo o professor e economista Cláudio de Moura Castro. Para ele, a sociedade precisa passar por profundas mudanças de comportamentos, porque não será possível inovar sem educação. O Brasil terá o desafio de ampliar os incentivos nas escolas para fomentar a prática de criar negócios. “Nós temos um exército de nômades que não quer aprender, não tem bons hábitos de trabalho e não quer adquirir”, afirma.


O economista explica que a aprendizagem industrial passa por repasse de informações entre gerações. Da mesma maneira que os mais novos são ensinados a fazer as atividades profissionais de forma mais produtiva, eles também podem aprender de forma incorreta, o que prejudica a qualificação do mercado. Castro exemplifica com uma situação pessoal. Entre 10 e 16 anos, ele viveu dentro de uma siderúrgica e a 50 metros de uma oficina mecânica, quando teve a experiência de conviver com pessoas que repassaram informações sobre a boa utilização técnica de instrumentos.


“Recentemente, estava construindo minha casa de campo e convivi com os operários. Num determinado momento, um deles admitiu que nunca tinha afiado o formão que faria os alisares das portas. E também não se interessou. Então, há um duplo problema só nessa experiência: ele não sabe e não quer saber. Esse é o drama do setor informal, da falta de qualificação”, diz.


Castro não esconde o resultado do trabalho: “Ficou uma porcaria, obviamente. E isso é um problema que se concentra na base da pirâmide”, declara. O economista destaca ainda que a primeira revolução industrial foi realizada por mecânicos alfabetizados. “A grande revolução foi na mecânica e, com a alfabetização, podia-se trocar correspondências entre mecânicos e cientistas a fim de patentear seus inventos”, diz. “Desde a revolução industrial, então, não se pode pensar em inovação sem educação”, completa.


O economista ressalta que, à medida que o tempo passa, as inovações tendem a estar em áreas “muito mais complicadas”, ou seja, “é preciso conhecer ciência, eletrônica, termodinâmica, o que for”. “Ninguém consegue conhecer ciência sem manejar bem a língua, porque a ciência se expressa por palavras. Quanto mais o tempo passa, mais a educação se torna fundamental para saber o que os outros fizeram para poder inovar”, afirma. Além de educação, o especialista defende que a inovação requer um “caldo de cultura”.  A sociedade precisa valorizar e incentivar novas ideias desde cedo.

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