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Correio Braziliense

Brasil registrará 1,2 milhão de novos casos de câncer neste ano

O câncer nos próximos anos tomará o lugar das doenças cardiovasculares e se tornará a principal causa de morte. Prevenção é essencial


postado em 02/10/2018 18:10

Seminário promovido pelo Correio, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, mostrou o quanto se avançou no combate ao câncer. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Seminário promovido pelo Correio, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, mostrou o quanto se avançou no combate ao câncer. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A incidência do câncer é assustadora. Projeções do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que, neste ano, um a cada cinco homens adoecerão. Uma em cada seis mulheres terão diagnóstico positivo para a doença. No mundo, 18 milhões de novos casos, sendo 1,2 milhão no Brasil, exigem da ciência e da medicina técnicas e medicamentos revolucionários. O câncer nos próximos anos tomará o lugar das doenças cardiovasculares e se tornará a principal causa de morte.

 

Baratear tratamentos, facilitar acesso à assistência clínica, identificar precocemente doentes e difundir o conhecimento científico são alguns desafios. Reunidos no Correio Debate: “Oncologia no Brasil — Inovação no Tratamento e no Diagnóstico do Câncer”, especialistas de diversas frentes discutiram sobre a doença. Eles concluíram que identificar precocemente e tratar rapidamente o câncer aumenta a chance de sobrevida e diminui os custos do tratamento.

 

Para se ter ideia dos impactos na rede pública, por ano, são realizadas três milhões de sessões de quimioterapia, 324 mil cirurgias oncológicas e quatro milhões de mamografias. Somente no ano passado, R$ 463 milhões foram gastos na compra de medicamentos de combate ao câncer. Em 2017, 11,5 milhões de sessões de radioterapia foram realizadas na rede pública.

 

Em oito anos, o Ministério da Saúde aumentou em 109% os investimentos no combate à doença. Em 2010, o governo federal destinou R$ 2,2 bilhões em tratamento. O valor passou para R$ 4,6 bilhões no ano passado. “A renovação no tratamento do câncer é um processo que precisamos discutir. À medida que buscamos inovação tecnológica, que fazemos formação profissional adequada e que garantimos o acesso do paciente ao diagnóstico, nós conseguimos fazer o tratamento”, explica o ministro interino da Saúde, Adeilson Loureiro Cavalcanti.

 

"À medida que buscamos inovação tecnológica, que fazemos formação profissional adequada e que garantimos o acesso do paciente ao diagnóstico, nós conseguimos fazer o tratamento", Adeilson Loureiro Cavalcanti, ministro interino da Saúde (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 

Desafios

O Sistema Único de saúde (SUS) oferece assistência integral aos doentes desde o diagnóstico até procedimentos paliativos. Na rede pública, pacientes com câncer devem começar o tratamento em, no máximo, 60 dias após o diagnóstico da doença. A regra foi estabelecida pela Lei nº 12.732/12. Ela considera a regulamentação cumprida quando o tratamento for efetivamente iniciado, seja por meio de cirurgia, radioterapia ou quimioterapia.

 

Em todo o país, 270 aparelhos oferecem sessões de radioterapia. Novos aparelhos de radioterapia devem ser instalados nos hospitais brasileiros. Desde 2016, 97 equipamentos passaram a funcionar. Outros 97 começarão a operar a partir de 2019. “O grande desafio é fazer o diagnóstico precoce para iniciar o tratamento rapidamente para as chances de cura serem maiores”, pondera.

 

O ministro interino é categórico. “Como estamos vivendo mais, estaremos predispostos a doenças. O câncer é uma delas. Temos de estar preparados para esse enfrentamento. Oferecemos integralmente o tratamento. O SUS está preparado para atuar desde o diagnóstico até o tratamento especializado”, afirma.

 

Adeilson chama a atenção para as práticas de prevenção, a fim de diminuir as situações mais severas. Ele cita como medida de prevenção a vacina contra o HPV oferecida a jovens de 11 a 15 anos. “Essa é uma medida que está na ponta da política de saúde e impacta lá na frente, onde as pessoas adoecem”, alerta. Ele ressalta ainda a importância de todas as vacinas como forma de prevenção e que há um perigo quando a sociedade começa a ser pautada por fake news, de que vacina faz mal à saúde. Muito pelo contrário. A vacinação é preponderante para salvar vidas.

 

Estilo de vida

As fakes news assustam o oncologista Rodrigo Medeiros, do Sírio-Libanês Brasília. Ele diz que ao se pautarem por notícias falsas, muitas pessoas estão abrindo mão da prevenção ao não se vacinarem contra, por exemplo, o HPV. “Não é só na política. Também na medicina há informações falsas”, ressalta. Além de se protegerem das fake news, é preciso mudar o estilo de vida. Segundo o oncologista, entre os principais fatores de risco para o câncer estão a exposição solar (raios UV), a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo, o consumo exagerado de álcool e drogas ilícitas, os hábitos alimentares inadequados e a prática do sexo sem camisinha.

 

“Não é azar ter câncer. É uma questão de estilo de vida. Não fumar é fundamental, pois 90% dos cânceres de pulmão estão relacionados ao cigarro. O mesmo serve para a bebida alcoólica em excesso. A dieta balanceada e o controle de peso são essenciais. Cada vez mais a obesidade está ligada a uma diversidade de tumores. Também é preciso investir em atividades físicas e no sexo seguro”, recomenda Medeiros.

 

A boa notícia é que os tratamentos estão avançando. Um deles é o uso de células-tronco em transplantes.“A rejeição é pouca e há muito ataque à doença. Isso é o que precisamos. Temos medicamentos que diminuem inflamações e não prejudicam o ataque ao câncer”, ressalta Fernando Blumm, especialista em transplante de medula óssea e terapia celular do Sírio-Libanês de Brasília. O desenvolvimento das técnicas de suporte interferem nos resultados. “O uso de bons antibióticos, de antivirais, de boa UTI e, sobretudo, de uma boa equipe fazem os resultados obtidos no Brasil diferirem dos da Europa e dos Estados Unidos”, diz. “Estamos atingido resultados excelentes em pacientes que fracassaram em outros tratamentos”, completa.

 

Estimativas globais

>> No mundo, são estimados 18 milhões de novos casos de câncer por ano

 

>> O câncer é uma das principais causas de morte no mundo. Serão 9,6 milhões em 2018.

 

>> O Brasil responde por 2,6% dos casos mundiais, com 240 mil mortes por ano.

 

>> Os cânceres mais comuns são: pulmão, mama, colorretal, próstata, pele (não melanoma) e estômago.

 

>> Os cânceres que mais matam: pulmão, colorretal, estômago, fígado e mama.

 

 

Fatores de risco para o câncer

>> Uso de tabaco, incluindo cigarros e tabaco sem fumaça.

 

>> Sobrepeso ou obesidade.

 

>> Dieta insalubre com baixa ingestão de frutas e vegetais.

 

>> Falta de atividade física.

 

>> Uso abusivo de álcool.

 

>> Infecção por HPV transmitida sexualmente.

 

>> Infecção por hepatite ou outras infecções carcinogênicas.

 

>>Radiação ionizante e ultravioleta.

 

>> Poluição atmosférica urbana.

 

>> Fumaça interior do uso doméstico de combustíveis sólidos.

 

Fonte: World Health Organization 

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