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Correio Braziliense COMPORTAMENTO

Cuidado em dose dupla

Eles fazem jus ao título de pai duas vezes. Os avôs têm conquistado papel relevante na criação dos netos


postado em 12/08/2018 07:00 / atualizado em 12/08/2018 07:24

Vasconcelos Tizzo e Gustavo são presenças certas no parquinho da quadra onde mora o avô(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Vasconcelos Tizzo e Gustavo são presenças certas no parquinho da quadra onde mora o avô (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

 
Um avô pode ser o melhor amigo, o colo mais carinhoso, a companhia mais divertida, o homem mais sábio do pedaço e, por que não?, ajudar com os netos. Cada vez mais, eles têm função ativa na criação das crianças. “Antes, o avô não constituía figura tão importante na dinâmica familiar. Em geral, a avó era a ajudante principal nos cuidados da criança pequena, ocupava um lugar relevante”, analisa o psicanalista Alfredo Naffah, professor titular da PUC-SP.

Agora, muitos vovôs cuidam dos netos pequenos enquanto os pais trabalham. Aposentados, eles contam com o tempo que os pais não têm. “Muitos avôs têm dado (com as avós) suporte material e afetivo aos filhos e têm podido aparecer para os netos como uma figura integrada”, salienta Naffah. Eles fazem jus ao título de “pai duas vezes”.

Desde que tinha 1 ano, Gustavo Tizzo, 3, fica na casa dos avós. Pai e mãe trabalham o dia todo, então, vô e vó se dividem nos cuidados com o pequeno. Quem costuma frequentar o parque da quadra já conhece Gustavinho e o avô: o aposentado Vasconcelos Tizzo, 67. Há dois anos, eles aparecem ali quase todos os dias. Em casa, a avó arruma o lar e prepara refeições.

Os dois jogam bola, o avô balança o neto bem alto, a criança brinca no escorregador e corre muito. Gustavinho não para, e o avô tem que correr atrás. Haja energia. Seu Vasconcelos aguenta um ritmo que deixa muita gente mais nova sem fôlego. “É ótimo, porque, em vez de eu ficar ocioso, fico com ele.” Sobre a canseira que o neto lhe provoca, o vovô garante que é boa: “A gente dorme melhor, porque passou o dia ativo. As doenças somem.”

Antes, Gustavinho ficava todos os dias na casa dos avós. Atualmente, são três vezes por semana, e, no ano que vem, deve entrar na escola e a frequência, diminuir. Seu Vasconcelos já se prepara psicologicamente para a falta que vai sentir.

Para ele, mesmo ficando com o menino tanto tempo, o papel dele é diferente do do pai. E é muito melhor. “Com filho, a gente tem que educar mais rigorosamente. Com o neto, é tudo mais light e a relação, mais amorosa. E não tem birra. Só com os pais”, garante.

Recuperando o tempo perdido
 
Juarez Ferreira ajuda a filha, Juliana, a cuidar de Pedro: mais perto do neto do que esteve dos filhos(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Juarez Ferreira ajuda a filha, Juliana, a cuidar de Pedro: mais perto do neto do que esteve dos filhos (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)


Quando teve os filhos, o advogado Juarez Ferreira Silva, 62, trabalhava demais e não tinha tanto tempo para ficar com eles. Desde que se aposentou e começou a pegar apenas alguns casos e trabalhar de casa, ele aproveita para passar todo o tempo possível com o neto. “Foi bom para preencher o vazio da aposentadoria. Eu pude acompanhar o desenvolvimento dele. Foi a chance de fazer o que não pude com os meus meninos”, alegra-se.

Desde que nasceu e a mãe, Juliana Amorim, voltou a trabalhar, Pedro, 9, fica com os avós na casa deles. Mãe e filho moravam lá. O vô levava para tomar vacina, a consultas, ao colégio. Quando fez 6 anos, os pais resolveram se casar e morar juntos. “Quando eles foram embora, a gente até brincava que eu ia ficar com depressão, mas ele continuou presente. Às vezes, os pais viajam e ele fica aqui”, conta.

Mesmo não morando mais juntos, o vovô Juarez busca Pedro na escola, leva-o às atividades que tem à tarde e consegue passar um tempo de qualidade com o neto. “A gente joga bola até cansar. As crianças, hoje em dia, não gostam tanto das brincadeiras de quando eu era criança, mas consigo soltar pipa com ele, que é algo que eu fazia.”

A retribuição por todo o cuidado vem em muito carinho, em cartas de amor, na preferência do pequeno por ele. “Ele é mais ligado a mim do que a qualquer outra pessoa.Ele diz que eu sou o melhor vô do mundo, que se pudesse morava aqui. Outro dia, veio almoçar e deixou uma carta dizendo que me ama”, emociona-se. O único neto de Juarez, para ele, ilumina a casa quando chega. Vovô babão, ele também tem certeza de que tem o melhor neto do mundo.