Há um conceito pertinente no mundo das artes, e até do senso comum, de que ópera é coisa para elite. O projeto Música em Cena-Festival de Montagens Operísticas, que entra em prática a partir de hoje, às 20h, no Teatro Plínio Marcos, irá provar que tal impressão não passa de mero preconceito. Idealizado pelos mesmos produtores do bem-sucedido Encontro de Palhaços de Brasília, no ano passado, o evento promete quebrar barreiras.
"Esse festival tem uma proposta importante para Brasília", diz empolgada, Manuela Castelo Branco, coordenadora geral do encontro. Professora de canto erudito há quase três anos na Escola de Música de Brasília, ela lamenta a falta de conhecimento e interesse, sobretudo das novas gerações, com relação à música erudita. "Queremos, com o evento, valorizar o tema e fortalecer a estética da ópera, popularizar um pouco mais o gênero. Incrível, mas muitos têm até toque de celular com temas operísticos ou eruditos, mas não reconhecem ou valorizam o que ouve", emenda.
Para tanto, uma programação diferente, com preços populares e programas voltados para crianças e escolas, foi montada. Quem se arriscar a cantar um trecho de qualquer área ganha desconto nos ingressos. Hoje e amanhã, por exemplo, a partir das 15h, a garotada poderá conferir a clássica história dos irmãos Grimm João e Maria. A ópera narra em três atos, a história de dois irmãos que se perdem num bosque dominado por uma bruxa malvada. "É uma versão contemporânea, uma ópera cômica que cruzamos com a turma do Chaves", explica.
Obras consagradas de autores como Puccini, Mozart e dos celebrados irmãos George e Ira Gershwin como La Boh;me, A flauta mágica e Porgy and Bess, respectivamente, estão na programação do Música em Cena. Assinam a direção das montagens musicais, artistas consagrados da cena local como Janette Dornelas e Mirella Cavalcante. Manuela explica que quase todas essas montagens já estavam em atividades, mas era restrito apenas ao circuito da Escola de Música de Brasília.
"Todos os semestres montamos uma ópera com os alunos da escola, mas eram montagens que não saiam da instituição. Ficavam em um nicho específico. Para gente que entende do assunto. O festival chegou para derrubar essas barreiras", defende. "Brasília é um grande celeiro de profissionais da música erudita, mas poucas pessoas têm conhecimento disso. Gente que se apresenta em lugares como Nova York, Bruxelas, o mundo afora. Vão e voltam, nos enchendo de orgulho", destaca.
A atração dessa primeira mostra é a ópera inédita O faxineiro, a diva e o maestro. A montagem é projeto de conclusão de curso do cantor erudito Rodrigo Soalheiro, recém formado pela Escola de Música. Na trama, as desventuras de um cantor de ópera que se ver obrigado a ser faxineiro de um teatro para ficar perto da música. "A história narra a paixão desse faxineiro pela ópera, pela música e ódio dele pelo maestro que o proibiu de cantar", detalha.
MÚSICA EM CENA ; FESTIVAL DE MONTAGENS OPERÍSTICAS
De hoje a 16 de agosto, no Teatro Plínio Marcos, complexo da Funarte (Eixo Monumental ; Setor de Divulgação Cultural ; Lote II (entre a Torre de TV e o Clube do Choro). Hoje, às 20h, noite de abertura com recital coletivo. Os ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada para estudantes, idosos e professores). R$ 5, preço único somente para a montagem de João e Maria. Classificação indicação livre.