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Correio Braziliense PIPOCA MODERNA

Aos 90 anos, Sebastião Biano é uma das estrelas da Banda de Pífanos de Caruaru, descoberta em 1972 por Gilberto Gil


postado em 18/08/2009 08:34 / atualizado em 18/08/2009 08:56

A Banda de Pífanos de Caruaru (PE) tinha quase 50 anos de atividade, quando foi descoberta pelo grande público. O responsável por apresentá-la ao Brasil foi Gilberto Gil, ao incluir no LP Expresso 2222 (1972) o tema instrumental Pipoca moderna. Depois Caetano Veloso colocou letra e a gravou no álbum Jóia (1975).

“Nosso trabalho já era bem conhecido em Pernambuco e em Alagoas, pois o grupo tocava bastante em cidades desses estados. Aí, ao voltar do exílio em Londres, o Gilberto Gil foi a Caruaru fazer pesquisa musical e tivemos um encontro na predeitura. Tocamos Pipoca moderna, ele ficou entusiasmado com o que ouviu e gravou na hora. Para nossa surpresa, registrou a música no Expresso 2222. A partir dali as coisas mudaram para nós”, recorda-se João Biano, neto de Manoel Clarindo Biano, criador da banda.

A Banda de Pífanos de Caruaru tem 85 anos de atividade, arte passada de pai para filho no interior pernambucano(foto: João Wainer/Divulgação)
A Banda de Pífanos de Caruaru tem 85 anos de atividade, arte passada de pai para filho no interior pernambucano (foto: João Wainer/Divulgação)
Representante da segunda geração dos Biano, João, que toca zabumba e é vocalista, lidera a Banda de Pífano de Caruaru há 35 anos. Hoje, às 13h (com entrada gratuita) e às 21h (com ingressos a R$ 15 e R$ 7,50) o grupo se apresenta no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil em show pelo projeto Epifanias. Da atual formação fazem parte Sebastião Biano (1º pífano), Júnior Biano (2º pífano), José Clarindo (prato), Amaro Clarindo (surdo), Jadelson Biano (percussão) e João Gonçalo Biano (caixa),

“Sebastião Biano, aos 90 anos é o mais antigo da banda. Ele vem desde a segunda formação. O Jadelson e o João Gonçado, meus filhos, são da quarta geração dos Biano. Quando entrei para a banda, aos 8 anos de idade, meu avô Manoel Biano era o líder. Com ele tentei aprender a tocar pífano, mas como achei muito difícil, acabei tocando zabumba, pois queria estar com eles”, revela João, que entrou para o grupo em 1956.

Com 85 anos de vida, a Banda de Pífanos de Caruaru lançou poucos discos — apenas oito, São seis LPs e dois CDs. Com o mais recente, No paito do forró do século 21, conquistou o Grammy Latino em 2005. “Por causa dessa premiação fomos homenageados em Caruaru, com desfile em carro aberto, e ganhamos aplausos de mais de 70 mil pessoas”, conta, orgulhoso, o zabumbeiro de 65 anos.

No show pelo Epifanias, haverá predominância de temas instrumentais como Briga do cachorro com a onça, Olinda no frevo, Pipoquinha e Um de cada vez. Da parte da cantoria farão parte Cantada e Marina (João Biano), Pipoca moderna (Sebastião Piano e Caetano Veloso) e Forrozear (Geraldo Azevedo e Carlos Fernando).


BANDA DE PÍFANOS DE CARUARU
Show pelo projeto Epifanias, com a participação do Grupo de Pífanos Flautins Matuá, de São Paulo, hoje, às 13h (com entrada gratuita) e às 21h (com ingressos a R$ 15 e R$ 7,50, meia para estudantes, maiores de 65 anos e correntistas do Banco do Brasil). No teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Sul). Classificação indicativa livre. Informações: 3310-7081.

 

Ouça trecho da música Blão azul e Marina da banda Pífanos de Caruaru

 

Pífanos Flautins Matuá

O Grupo de Pífanos Flautins Matuá, que abre o show desta noite no CCBB surgiu em 2002 no campus da Unicamp, em Campinas (SP), por universitários. Em folgas acadêmicas, eles se encontravam na praça do Ciclo Básico para trocar melodias, partituras e experiências musicais e cênicas. Um ano depois, o trabalho ganhou propostas objetivos e propostas, com a participação de flautistas interessados em desenvolver pesquisas relacionadas aos ritmos brasileiros. Atualmente, o Pífanos Flautins Matuá é composto por nove tocadores de pife e cinco percussionistas, que buscam o pluralismo musical, inspirados em manifestações populares brasileiras. Do grupo fazem parte pessoas das mais diferentes áreas do conhecimento, e de diversas regiões do país, cracterizando um movimento contínuo de pesquisa, releitura e criação no âmbito da cultura popular.

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