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Correio Braziliense ESPAÇO CULTURAL

Fusão sob suspeita

Na segunda audiência pública para discutir proposta de unir MAB ao Museu Nacional, artistas se dividiram e estranharam o projeto


postado em 26/09/2009 07:00 / atualizado em 26/09/2009 02:30

Com 25 anos de existência, MAB está fechado desde 2007: fusão questionada e história interrompida(foto: Monique Renne/Esp. CB/D.A Press - 23/6/08 )
Com 25 anos de existência, MAB está fechado desde 2007: fusão questionada e história interrompida (foto: Monique Renne/Esp. CB/D.A Press - 23/6/08 )
A possibilidade de fundir o Museu de Arte de Brasília (MAB) com o Museu Nacional Honestino Guimarães já foi alvo de duas audiências públicas e divide os artistas da cidade. Nascida na Secretaria de Cultura e apoiada por Glênio Lima, diretor do MAB, a proposta tem como ponto central a transferência do acervo de quase mil obras do museu para o prédio projetado por Oscar Niemeyer ao lado da Catedral. Fechado desde maio de 2007 por conta das condições do prédio — infiltrações e ausência de climatização ameaçavam as obras —, o MAB pode acabar nunca reabrindo as portas.

A última audiência, realizada na quarta-feira, reuniu o diretor do museu e representantes da cena artística da cidade para discutir a questão. “Foi muito pouca gente, menos de 20 pessoas”, conta Glênio Lima. “E não se concluiu nada, mas existe uma tendência muito forte à resistência para essa fusão. As pessoas acham que o MAB pode perder a identidade. O MAB já tem identidade, sua força é uma marca, um ícone na cidade. As pessoas acham isso porque não está muito claro ainda o que queremos fazer. Estabelecemos uma hipótese que pode fortalecer o museu, mas nada muito claro de como vai acontecer.”

Para Alfredo Gastal, superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Distrito Federal, uma futura fusão do MAB com o Museu Nacional Honestino Guimarães é uma maneira de minar o espaço cultural e atender à voracidade do mercado imobiliário. A área em volta do MAB está tomada por empreendimentos como complexos de hotéis e apartamentos. “Já tem um monte de apart hotel ali. Essa pressão pode vir desse mercado ou do interesse insistente de dizer que o Museu Nacional tem um acervo, quando na realidade, não tem nenhum. E não tem nem como expor. Temos que ser realistas. Aquilo é um centro cultural. Museu, lamento, mas não está desenhado para isso”, enfatiza Gastal.

A artista plástica Betty Bettiol, também presente na audiência de quarta-feira, lembrou que fechar um museu é um retrocesso. O movimento, segundo Betty, deveria ser no sentido de abrir novos museus. “O MAB tem 25 anos de história. Um prédio que, com um pouco de boa vontade, seria recuperado. Com a fusão perderíamos um patrimônio e uma história de 25 anos, que foram duramente conseguidos. Inclusive quem doou obras tem o direito de exigir que fiquem para quem foram doadas, ou seja, o MAB.”

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