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Correio Braziliense

Baterista Rodrigo Txotxa é um dos músicos mais requisitados da capital federal


postado em 27/09/2009 15:50

Na enquete realizada semana passada pelo Correio, em que músicos e jornalistas elegeram os melhores discos, músicas e a “banda dos sonhos” do rock brasiliense, Rodrigo Txotxa foi apontado como o melhor baterista, indicado por 11 dos 30 votantes. Desse quarteto imaginário, com Renato Russo nos vocais, André X no baixo, Fejão na guitarra e Txotxa empunhando as baquetas, apenas o baterista pôde ser visto em ação no Porão do Rock, na Esplanada dos Ministérios — Renato e Fejão morreram em 1996 e o baixista da Plebe Rude teve de ser substituído por Pedro Ivo (ex-Prot(o)), já que estava de viagem marcada para a Europa dias antes do evento.

Para quem viu Txotxa tocando no festival, domingo, nos shows da Plebe e do Maskavo Roots (com a formação original reunida depois de 12 anos), ficou claro o porquê da predileção por seu trabalho. Versátil e habilidoso, o músico é um dos mais requisitados de Brasília. A lista de grupos pelos quais passou ao longo de seus 20 e poucos anos como baterista é extensa: The Pertubeids (a primeira banda, ainda na adolescência), Conexão Brasília, Cravo Rastafari, Bois de Gerião, Spigazul, William Breadman Project, Maskavo Roots, Os The Everaldos, Beto Só e os Solitários Incríveis e os projetos cover Invasão Britânica, Kaiserkellers e Clash City Rockers. Ele ainda substituiu os bateristas titulares do Prot(o), Virgem Again, Watson e Phonopop em algumas ocasiões. “Deve ter umas aí que eu esqueci...”, comenta Txotxa.

Bom de bola

Aos 36 anos, o brasiliense toca atualmente na Plebe Rude e no InNatura (dos ex-Natiruts Bruno Dourado, Izabella e Kiko Peres). “Juntando a agenda das duas bandas, eu diria que tenho, em alguns meses, uma rotina que consegue me derrubar durante a semana. Nunca recebi proposta maior do que a da Plebe, e não sei se aguentaria uma vida na estrada. Gosto muito da minha casa, de ficar com a minha mulher, de ver minha família, de encontrar os amigos e tal. A ideia de não poder se programar para uma festa de aniversário ou para um casamento por causa de um show nunca me agradou”, diz o baterista-jornalista (ele trabalha na TV Escola). “Por outro lado, essa minha percepção do que vem a ser a vida na estrada para valer tem mais imaginação do que realidade. Por isso, se pintasse uma oportunidade de sair em turnê — o máximo que já fiquei fora de casa foi uma semana —, pensaria com carinho”, pondera.

Txotxa começou a tocar bateria em 1986, aos 12 anos, convencido pelo amigo Prata (guitarrista do Maskavo) de que ele seria um bom baterista já que era bom de bola. O apelido pelo qual é conhecido surgiu na mesma época. É uma variação de Otávio, seu segundo nome. “Me chamavam de Totávio, que acabou virando Txotxa”. Mesmo tendo feito algumas aulas, ele se considera um autodidata.

A formação musical se deu vendo outros bateristas, ao vivo ou em vídeo. Ele cita John Bonham (Led Zeppelin), Tony Williams (Miles Davis), Stewart Copeland (Police), Carlton Barrett (Wailers) e Steve Gadd como algumas de suas principais influências. “Acabo ouvindo de tudo por estar muito ligado em música, na música séria e honesta, que leva tempo para ser feita e merece o respeito de todos. Seja um disco casca grossa do John Coltrane, seja uma batida miserenta do Chiclete com Banana, sempre podemos pescar alguma coisa diferente, que funcione para nós”, avalia.

“Ele domina todas as linguagens”, observa Bruno Dourado, do InNatura. “Um cara do samba pode não conseguir tocar reggae. O Txotxa é versátil, toca bem tudo quanto é estilo: reggae, samba, blues, ska, rock…”, conta o percussionista. “Ele é um cientista do ritmo. Desde adolescente. Ele não gostava de pagode, mas tocava pra estudar. Essa versatilidade está ligada a isso”, comenta o baixista Ricardo Marrara, ex-Maskavo Roots.

E foi pela capacidade de se moldar ao que a banda precisa que ele se destacou. “Além de habilidade técnica, ele tem uma visão ‘holística’ dentro da banda. É o único baterista com quem já toquei que consegue arranjar as músicas”, ressalta Guilherme Nóbrega, guitarrista do William Breadman Project. “Não adianta só ter técnica, tem que ter bom gosto. E ele não deixa a técnica atrapalhar o suingue”, diz Philippe Seabra, da Plebe Rude. “Nos últimos 10 anos, Txotxa foi a minha principal influência, meu tutor. Ele nunca me deu uma aula, mas foi convivendo com ele, ouvindo as fitas de referência que ele gravava pra mim e o vendo tocar que eu cresci musicalmente. Tanto que quando ele vai se apresentar, eu digo que estou indo à aula”, conta Gabriel Coaracy, ex-baterista do Bois de Gerião, hoje no Móveis Coloniais de Acaju.

Elogios à parte, Txotxa mantém a modéstia: “Estou sempre me questionando, me criticando, me cobrando. Às vezes, consigo chegar perto de um ‘gostei de como toquei isso aqui’”. O que ele quer é apenas fazer bem a sua parte. “Confesso que não acharia nada ruim se, num dia de show, eu não precisasse me preocupar com absolutamente nada, nem antes nem depois. Simplesmente chegasse e tocasse, tendo a certeza de que o instrumento está do jeito que eu gosto e que o som está 100%. Rapaz, isso talvez seja um sonho.”

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