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Correio Braziliense LITERATURA

Jornalista Paulo Fernando Craveiro lança o livro O boneco íntimo


postado em 15/10/2009 10:33 / atualizado em 15/10/2009 10:40

De Paulo Fernando Craveiro. Nossa Livraria Editora. 384 páginas, R$ 38(foto: Admeco Consultoria/Reprodução )
De Paulo Fernando Craveiro. Nossa Livraria Editora. 384 páginas, R$ 38 (foto: Admeco Consultoria/Reprodução )
Há algo de sinistro no romace O boneco íntimo, o mais recente trabalho lançado pelo jornalista e escritor Paulo Fernando Craveiro. Narrado na primeira pessoa, a obra investiga os recônditos mais tenebrosos da alma humana pela ótica de uma bizarra criatura inanimada que misteriosamente ganha vida. Oriundo da Romênia, Buzau desmistifica os limites da ficção e da realidade ao confrontar o caráter de um ventríloquo. A ideia para a trama teve como ponto de partida o clássico do horror inglês Na solidão da noite.(1) “Era um filme de episódios realizado na época da 2ª Guerra Mundial, um deles, aliás, dirigido pelo brasileiro Alberto Cavalcanti, nome importante do cinema no exterior, mas completamente desconhecido por aqui”, comenta o autor, um grande amante da sétima arte. “O cinema é uma paixão de infância, mais tarde cheguei a fazer críticas de filmes e agora transfiro essa admiração nessa homenagem com várias referências dentro do livro”, destaca. Com extensa carreira no jornalismo brasileiro, constituída em quase meio século de trabalho e vasta experiência como correspondente em vários países, Paulo Fernando Craveiro conta que, estranhamente, ambientou a trama de seu 12ª livro num lugar que nunca pôs os pés, a cidade romena de Rasnov. “Viajei bastante o mundo e estranhamente escolhi iniciar o enredo deste livro numa cidade que não conheço”, ri, o autor, que debruçou-se num minucioso trabalho de pesquisa para construir as circunstâncias geográficas que fazem parte da história. “Talvez pelo fato de o desconhecimento possibilitar uma expectativa sobre aquela cidade ou aquele país. Mas fui atrás de informações sobre o lugar, buscando nome de ruas e restaurantes”, detalha o autor. Depois de ganhar vida ao perceber o mundo, o estranho boneco se vê embalado dentro de uma caixa que atravessa de ponta a ponta a Romênia. “Recebi a vida pronta. Então apalpei minhas mãos, meus ossos, minhas veias, tentando me reconhecer, aflito”, narra, o escritor, logo nas primeiras linhas. Inquieto e incomodado com a viagem, a criatura vislumbra, pela fresta do baú, uma terra diferente, habitada por florestas e pessoas desconhecidas. A ambígua narrativa construída por Paulo Fernando Craveiro conduz o leitor a impressões físicas e sensoriais que remetem ao Brasil, mas também a qualquer outra parte do mundo, um recurso que se confunde com o próprio discurso do personagem. “Não há uma impressão de realidade muito grande, às vezes dá a entender que seja, vagamente, Recife, mas também qualquer outra cidade que comece com a letra ‘r’, há esses códigos”, diz, enigmático, Craveiro, paraibano de nascimento, mas radicado desde criança na capital pernambucana. “As primeiras reações do boneco diante do mundo são bastante pessimistas e ele lida com essas impressões de forma ambígua, a partir da convivência com o ventríloquo, questionando o seu caráter. O livro recorre à dualidade para falar sobre as angústias, a hipocrisia da alma humana, nada que Shakespeare não tenha dito”, observa. 1- Na solidão da noite Um dos primeiros filmes de horror realizados na Inglaterra, Dead of night (no original), uma produção da Earling Studios, é dividido em cinco pequenas histórias macabras que se intercalam dramaturgicamente. A trama que deu origem ao livro O boneco íntimo, The ventriloquist’s dummy, é dirigido pela carioca Alberto Cavalcanti (1897 – 1982) e narra a história de um ventríloquo que começa a surtar quando seu boneco ganha vida e procura por um novo dono.

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