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Correio Braziliense

Livro: Bruno Azevêdo lança Breganejo blues


postado em 04/11/2009 08:10 / atualizado em 04/11/2009 08:16

Breganejo blues - De Bruno Azevêdo. 130 páginas. Editora Pitomba. R$ 15. Download gratuito no site www.mojobooks.com.br. Lançamento hoje, às 18h, no Café com Vinil (413 Norte). O acesso é livre.(foto: Shimamoto/Reprodução)
Breganejo blues - De Bruno Azevêdo. 130 páginas. Editora Pitomba. R$ 15. Download gratuito no site www.mojobooks.com.br. Lançamento hoje, às 18h, no Café com Vinil (413 Norte). O acesso é livre. (foto: Shimamoto/Reprodução)
Adailton & Adhaylton foram uma dupla sertaneja de sucesso. Mas, para Adhaylton, o reconhecimento popular era pouco, não lhe trazia a felicidade almejada. Só nascendo de novo ele alcançaria seu maior objetivo. E Adhaylton precisou forjar a própria morte para ser plenamente feliz. Depois disso, trocou de sexo e começou vida nova no Maranhão, como cantora. Esse enredo que poderia muito bem estar em um filme da Boca do Lixo paulista é a trama que acende o pavio de Breganejo blues.

Escrito pelo autor maranhense Bruno Azevêdo, o livro é um coquetel com doses de romance policial, histórias de detetive, quadrinhos pulp e música cafona. Uma legítima “novela trezoitão”, como diz o subtítulo. Bruno estará em Brasília hoje para lançar a publicação.

“Para mim, as linguagens são meio que a mesma coisa. Eu aprendi a ler sem a distinção de que gibi é algo menor e a ‘literatura’ algo acima deles”, comenta o autor, de 29 anos, sobre a apropriação dos elementos que permeiam o trabalho, caso do personagem Tex, famoso caubói dos quadrinhos criado na Itália que faz rápidas aparições ao longo do livro. “O Tex foi uma escolha natural. Se eu vou escrever uma HQ policial com um taxista e achar o ‘submundo’ literário equivalente, fatalmente esbarraria no Tex — que é publicado no Brasil há 40 anos .

O taxista em questão gosta mesmo é de ser detetive — atividade que aprendeu com os guias por correspondência de Bechara Jalkh (vinham anunciados em revistas nos anos 1980, lembra?). Sua especialidade são os “casos de corno” e mesmo sem saber disso, a viúva de Adhaylton o procura para resolver a estranha morte do marido.

No site Mojo Books é possível fazer o download do livro.

» Leia entrevista com o autor

 

Como surgiu a ideia de misturar linguagens no livro?

Para mim, as linguagens são meio que a mesma coisa. Eu aprendi a ler sem a distinção natural de gibi enquanto algo menor e a "literatura" como algo acima deles. Pensar em compor qualquer história para mim passa pela opção da linguagem e eu costumo usar as duas coisas. O Tex, por exemplo, foi uma escolha natural. Se eu vou escrever uma HQ policial com um taxista, achar o "submundo" literário equivalente, fatalmente esbarra no Tex, que é publicado no Brasil há 40 anos e a influência dele é inegável para várias fatias da sociedade brasileira.

E esse universo meio boca do lixo — taxistas, cornos, sertanejo, brega, quadrinhos pulp... como você foi se aproximando de todas essas coisas? Você gosta mesmo de tudo isso ou só utilizou esses elementos para o romance?

Eu sou historiador e meus trabalhos acadêmicos focam a história da musica brega no Maranhão. Não dá pra viver em São Luís sem estar em algum tipo de submundo. A cidade é um submundo. A ilha fede à m**** e os bares mais caros ficam numa lagoa que é um esgoto a céu aberto.

Parece haver um público jovem bem interessado nessas coisas (muitos que nem viveram o momento, conheceram por livros, tevê, matérias de jornal), concorda?

Acho que é uma moda cíclica, né? Como foi o forró universitário uns anos atrás. Ou como esses vampiros mela-cueca voltaram à moda hoje. O lance geral do brega, do kitsch, na minha opinião, entra nessa mesma onda de se afirmar por uma negação. Por um lado é massa porque gera atenção para um monte de gente que andava mal das pernas, por outro, é f***, porque mostra esses caras descontextualizados e dentro dum circo de aberrações.

Como conseguiu o desenhista Julio Shimamoto para fazer a capa?

Na maior cara dura! mandei um e-mail para ele dizendo que estava publicando um livro que fazia uma forte referência ao universo editorial dos quadrinhos brasileiros nos anos 1970, das editoras Vecchi, Graphipar, etc., que era um momento no qual ele foi de extrema importância e que por isso seria muito coerente que ele fizesse a minha capa. Ele me respondeu imediatamente, leu o livro e me surpreendi. O Shima tem uma vitalidade e empolgação incríveis! Entrou de cabeça no ambiente do livro e rapidíssimo me mandou a capa. É engraçado como feirantes olham para o livro e dizem "isso é Tex". O Shimamoto sabe o que faz.

O livro também está disponível na internet. Já tem um feedback dos leitores? Sabe quantos downloads foram realizados?

O número de downloads eu ainda não sei, mas a resposta tem sido fantástica. Na minha opinião, um livro não faz mais sentido somente impresso. Uma das idéias da Pitomba é disponibilizar todo o seu catálogo para download, reeditado para leitura na tela, iphones, etc. A quantidade de pessoas que conhece e compra meu livro é muito maior pelo fato de ele estar de graça na web, o que aconteceria de qualquer maneira.

E do livro "físico", algum feedback?

As críticas foram extremamente positivas. Alguns jornais publicaram belos textos e caras batutas como o Ronaldo Bressane escreveram muito bem a respeito. O lançamento no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos, realizado em Belo Horizonte em outubro) foi puta comentado.

Como é a sua produção de texto? Já publicou muita coisa? Tem alguma novidade para sair em breve? Sobre o que será?

Eu escrevo um bocado, a maioria publico no meu blog (www.bazevedo.blogspot.com). Tenho um audiobook chamado a Bailarina no espelho (disponível de graça no www.abailarinanoespelho.blogspot.com). Publico quadrinhos regularmente na revista mineira Graffiti 76% quadrinhos; tenho uma HQ na próxima Front. Novidades para breve: Poço — álbum em quadrinhos com desenhos de Marcos Caldas, sai ano que vem na coleção Graffiti 100% quadrinhos; O Monstro Souza — romance sobre um cachorro-quente gigante que trabalha como prostituto em São Luís do Maranhão, mistura texto, quadrinhos, recortes de jornal, RPG e um monte de outras colagens. Sai ano que vem.

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