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Correio Braziliense

Inspirados nos pontos de ônibus da W3, ilustradores de Brasília lançam a segunda edição do calendário Pindura


postado em 11/12/2009 07:00 / atualizado em 11/12/2009 08:18

Cinquenta e três ilustrações e um único "cenário": as paradas de ônibus da W3. O diversificado universo de quem acompanha o ir e vir dos coletivos é o mote da segunda edição do Pindura - aparato para contagem dos dias do ano, que será lançado amanhã, na galeria de arte Objeto Encontrado, dentro do Objeto Lounge. Idealizado e produzido por desenhistas de Brasília, o calendário traz novidades na versão 2010. Além do próprio tema - que em 2009 foi o bom e velho boteco -, os desenhos agora são semanais. Cinquenta e três artistas, de oito estados - DF, RJ, SP, ES, GO, RS, SC e PR -, usaram seu estilo e criatividade próprios para transformar a contagem dos dias em um catálogo diferente e moderno.

Ilustração de Allan Sieber para o calendário Pindura 2010, que tem como tema as paradas de ônibus de Brasília(foto: Pindura/Divulgação )
Ilustração de Allan Sieber para o calendário Pindura 2010, que tem como tema as paradas de ônibus de Brasília (foto: Pindura/Divulgação )
Totalmente independente, o Pindura surgiu da "ociosidade" da editora Pégasus Alado, criada para publicar o fanzine Bongolê bongoró. Numa conversa em 2007, os três fundadores, Caio Gomez, Estêvão Vieira e Severino Santos - artisticamente Gomez, Stêvz e Biu -, decidiram que precisavam trabalhar em novas publicações para ganhar um dinheirinho extra. "Inicialmente, pensamos fazer uma história em quadrinhos (HQ) em formato de calendário. Mas a coisa só aconteceu um ano depois. O primeiro Pindura não ficou exatamente uma HQ, mas uma história cíclica", que conta, mês a mês, as estações de um bar, do encher ao esvaziar, explica o brasiliense Stêvz, agora radicado no Rio de Janeiro. Na edição 2010, não existe a ideia continuada. "Por causa do grande número de pessoas, não há um roteiro. Apenas um cenário comum, as paradas da W3", conta ele. Mas a organização das ilustrações não é aleatória. Há uma ordem de %u201Cfatos%u201D e personagens, de acordo com as afinidades entre os desenhos. A "seleção" dos colaboradores também não foi fortuita. %u201CTem muita gente que nós não conhecíamos pessoalmente, mas tínhamos ideia do trabalho pelo Flickr, pela internet%u201D, lembra Estêvão. Para ter uma base comum, ele enviou a todos uma parada de ônibus desenhada, fotos e um texto contando sobre a peculiaridade dela. O resultado é um projeto original, que tem como característica principal mostrar diferentes olhares para um mesmo tema. "O bacana é que participaram desde pessoas que estão começando a desenhar profissionalmente até os já consagrados, como o Fido Nesti, que tem 'ilustras' publicadas na revista New Yorker, por exemplo", ressalta Stêvz. Para o desenhista Gabriel Goés, a realização do projeto é um "feito inédito". "Reunir cinquenta e tantas pessoas não é fácil. E é legal, porque eles (os produtores, que contam também com Sarah Sado e Daniel Carvalho) estão dando continuidade ao que começaram no ano passado", valoriza ele, que descreveu a própria ilustração como "uma mistura de super-heróis com criaturas fantásticas, sem muita explicação". Góes é um dos criadores da revista Samba, que comemora um ano de publicação hoje, com a festa Jabá, no Velvet Pub (102 Norte), onde também será o pré-lançamento do Pindura. Ligação Única mulher a participar da primeira edição, e novamente na versão de 2010 - na qual há quatro ilustradoras -, Ludmila Lima, a Luda, vê no calendário a função de um coletivo. "O principal, além de funcionar como um catálogo, é nos ligar. Por meio dele, passamos a conhecer trabalhos de outros desenhistas. E é interessante também que permite às pessoas perceberem as diversificadas abordagens e compará-las positivamente." Luda, inclusive, diz que quis ousar em sua ilustração para 2010. "Tentei fazer uma coisa diferente, usando uma heroína em movimento. Geralmente, uso perspectivas paradas", explica. Mas nem só de imagens é feito o novo Pindura. Há também dois breves contos sobre a experiência de quem vê a vida passar esperando o ônibus chegar. "Numa cidade sem transporte público, onde quase tudo é longe, é na parada de ônibus que a maior parte das pessoas passa a maior parte dos seus dias", narra Danylton Penacho, que completa: "É como se fosse uma segunda casa, só que sem cama, sem tevê e sem carinho". Impresso em papel sahara, em duas cores (verde e vermelho), com capa serigrafada, o Pindura é mais que um "aparato para contagem dos dias". É o resultado de uma cena efervescente, que cresce a cada dia na capital. É um projeto que veio para ficar. OBJETO LOUNGE Lançamento do Pindura 2010, venda de revistas e camisetas da editora Samba e apresentações dos DJs Belle Binet, Jetson, Krixnah Torrent e Quizzik e dos performers Fernanda Mendonça, Nelson Gonzalez, Reivax X., Kelkis e Pek. Amanhã, às 16h, na galeria de arte Objeto Encontrado (102 Norte, Bl. B, Lj. 56). Entrada franca. Classificação indicativa livre. Os calendários também serão vendidos na loja Kingdom Comics (Conic) e na Livraria Cultura (CasaPark Shopping). FESTA JABÁ Comemoração de um ano de Samba e pré-lançamento do Pindura com a banda Super Stereo Surf e os DJs Telmo & Anselmo, Montana e Coelho. Hoje, às 22h, no Velvet Pub (102 Norte, Bl. B). Entrada: R$ 10 (os 20 primeiros não pagam). Não recomendado para menores de 18 anos.

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