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Correio Braziliense ANIMAÇÃO

Cabeça de menino

Inspirados no sucesso literário Onde vivem os monstros, filme e livro transformam o infantil em atrativo programa de adulto


postado em 17/01/2010 11:48 / atualizado em 17/01/2010 11:58

Do imaginário do menino Max, saem criaturas fantásticas que driblam as dores de uma família distanciada e em constante crise (foto: Warner Bros/Divulgação )
Do imaginário do menino Max, saem criaturas fantásticas que driblam as dores de uma família distanciada e em constante crise (foto: Warner Bros/Divulgação )
No clássico da literatura infantil O pequeno príncipe, do francês Antoine Saint-Exupéry, o autor dá pista da falta de compreensão humana, por meio da metáfora do desenho de uma jiboia que engole um elefante. "Por que um chapéu me daria medo?", indigna-se um adulto. O tema da intolerância e a confusão de sentimentos que perpassa a cabeça de uma criança são os motes da alegoria infanto-juvenil Onde vivem os monstros, em cartaz na cidade. Baseado no grande sucesso literário escrito em 1963, por Maurice Sendak, o filme ganha versão cinematográfica de Spike Jonze, o jovem cineasta de tramas bizarras como Quero ser John Malkovich e Adaptação. Afastado dos sets de filmagens desde 2002, Jonze passou cinco anos trabalhando no projeto. Um dos motivos que o levaram a adaptar o livro de Sendak para as telas foi o encantamento com a capacidade do autor de escrever sobre a infância. Mais do que um filme para crianças, Onde vivem os monstros tem os adultos como público-alvo. Na trama, o inquieto Max (Max Records) passa a viver paralelamente num mundo imaginário depois de perceber que não faz parte da complicada vida da família: a mãe direciona o pouco tempo que tem dando atenção ao namorado, e a irmã adolescente não quer saber de brincadeiras. Solitário, o mimado jovem encontra refúgio junto a amigos gigantes, peludos e com garras afiadas. Do dia para a noite, transforma-se no monarca de uma terra fantástica, repleta de surpresas. Norteado por apenas nove frases, mas repleto de inúmeras ilustrações em tom sombrio, o livro de Maurice Sendak despertou a atenção de alguns especialistas, que acusaram o trabalho de ser bastante assustador para a garotada. Reação oposta da crítica norte-americana, que elogiou o filme, sobretudo pela forma inusitada e inventiva de Spike Jonze narrar o estranho mundo criado pelo escritor norte-americano de origem polonesa. Sucesso de público nos Estados Unidos e Canadá, a adaptação, custeada em US$ 80 milhões, traz alguns aspectos diferentes da matriz. A mais impactante delas diz respeito à ambientação da história, no livro desenvolvida numa floresta. O cineasta preferiu transpor a trama para as dunas australianas de Melbourne, dando um aspecto de total desolação ao enredo. Outra novidade apresentada pelo diretor norte-americano, que agrega elementos de ação, animação computadorizada, além de bonecos, foi o método de inclusão das vozes de astros de peso de Hollywood, entre eles, Forest Whitaker, vencedor do Oscar de melhor ator por O último rei da Escócia. Fugindo da técnica tradicional, ele reuniu todo "elenco" numa espécie de workshop, trabalhando simultaneamente a dublagem.

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