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Correio Braziliense

Mostra com 30 curtas-metragens faz um apanhado da produção brasiliense contemporânea, a partir de hoje, no CCBB


postado em 06/04/2010 07:00 / atualizado em 06/04/2010 08:29

Primeira Visão, Cinema de Escola e Cenas de Brasília são alguns dos objetivos títulos para programas que compõem a mostra Brasília Ano 10, que, remetendo ao emblemático curta-metragem homônimo de Geraldo Sobral Rocha, exprime o conceito de renovação da maratona de 30 curtas a serem exibidos a partir de hoje, no Centro Cultural Banco do Brasil. Com títulos que representam a produção contemporânea (feitos entre 2006 e 2009), a mostra, que prestigia realizadores como Santiago Dellape, Adriana de Andrade e Cássio Pereira dos Santos, se beneficia da pluralidade ao projetar ainda cineastas em busca de traços autorais, experimentação e outros componentes dos primeiros trabalhos. À frente do documentário A saga das candangas invisíveis (melhor curta na Mostra Brasília de 2008), Denise Caputo, jornalista formada em audiovisual pela UnB, percebe a aproximação da capital com a vertente do cinema verdade, bem contemplada em Brasília Ano 10. “O documentário tem tradição forte por causa de grandes mestres, como Vladimir Carvalho, Dácia Ibiapina e Erika Bauer. Por aqui, há prestígio, e o público demonstra certo interesse em se assistir”, diz a diretora, aos 28 anos, dois deles reservados à execução do curta. O período anterior à inauguração da cidade, entre 1957 e 1960, assenta a trama, ligada às primeiras prostitutas do Planalto Central. Por coincidência, ambas batizadas Noeme. Elas foram localizadas em trabalho árduo que teve como origem uma tese de mestrado e idas ao Arquivo Público do DF. “Na Cidade Livre (Núcleo Bandeirante), havia a área da zona do baixo meretrício. A locomoção era feita com cavalos e charretes. Havia construtoras que jogavam lá os operários, vindos de caminhão, e os recolhia à tardinha. Num só dia, havia prostitutas que atendiam até 80 homens”, comenta a diretora. No curta, que empregou 10 pessoas e custou R$ 35 mil, há recortes diferenciados de visão, com entrevistas de um gerente de cabaré e até de uma criança (à época) dona de olhar “glamorizado” da profissão. Brasiliense que dirigiu o curta Ana Beatriz, a diretora Clarissa Cardoso, formada em publicidade (na UnB) e há seis anos atuante nos sets de cinema (como diretora de arte, figurinista e produtora), arrisca um denominador comum à atividade cinematográfica feita na capital. “Há um registro de desconforto na própria pele, uma ideia de crise e de uma geração querendo se encontrar, mas, no fundo, acho que todo mundo sempre passa por isso aos 20 anos”, comenta. Aos 24 anos, em 2008, ela foi premiada pelo melhor roteiro no Festival de Brasília com o projeto de conclusão de curso (orçado em R$ 28 mil), saído de conto de Juliano Cazarré. “Acho o filme simples como deve ser: histórias do cotidiano são banais e não precisam obedecer aos momentos de impacto que, normalmente, esperamos do cinema. Gosto do apelo que tem o ‘eu era feliz e não sabia’. O curta revela um encontro casual”, resume. Vitrine estrangeira Ainda do bloco Primeira Visão, montado para a mostra Brasília Ano 10, As fugitivas (2007) — premiado pelo melhor roteiro no Festival Mix Brasil 2008 — representa o alcance das produções de Brasília no cenário estrangeiro. “A visibilidade foi maior no exterior: com o curta, participei de seis mostras internacionais. Na Espanha e na Inglaterra, por exemplo, ouvi muito de paralelos feitos com os filmes de Pedro Almodóvar. Poderia ser um Almodóvar, só que bem abrasileirado”, brinca o diretor gaúcho Otavio Chamorro, aos 24 anos. Formado pela UnB, ele emplacou a história do “casal de rapazes apaixonados que foge das respectivas casas”. Nessa história, despontam as mães dos personagens, “mulheres loucas e nervosas, num tom caricato e cômico, que revelam meu olhar, a partir de figurinos gritantes e alguma linguagem chula”, explica o diretor. Curiosamente, este ano deve evidenciar os primeiros passos dele em cinema, com o lançamento de Andar debaixo, curta feito em digital, numa parceria com Luísa Campos. Além do tempero de descoberta ou apresentação de talentos, a mostra do CCBB abre espaço para diretores estabelecidos, como André Luis da Cunha (Dia de visita) e Bruno Torres (A noite por testemunha), ambos representados com curtas (no segmento Cenas de Brasília) que retratam episódios marcantes para a capital. Destacado como melhor curta (em Cuba) na 30ª edição do Festival de Havana do Novo Cinema Latino-Americano, Para pedir perdão é um dos títulos importantes da mostra, que exibe outro filme do mesmo Iberê Carvalho: Entre cores e navalhas (codirigido por Catarina Accioly). BRASÍLIA ANO 10 Mostra de curtas-metragens brasilienses, de hoje a 11 de abril, com sessões às 16h30, 18h30 e 20h30, no CCBB (SCES, Tc. 2, Lt. 22, 3310-7087). Entrada franca Terça, 6 de abril 16h30 — Cenas de Brasília 1 Raul de Xangô (2008, 17min; classificação indicativa livre), de Erico Cazarré; Dia de visita (2007, 25min; não recomendado para menores de 12 anos), de André Luis da Cunha; A noite por testemunha (2009, 24min; não recomendado para menores de 14 anos), de Bruno Torres; e Brasília (título provisório) (2008, 15min; não recomendado para menores de 14 anos), de J. Procópio; 18h30 — Cinema de Escola Cuidado! Palhaços (2008, 14min; classificação indicativa livre), de Pablo Peixoto; Feijão com arroz (2009, 8min; classificação indicativa livre), de Daniela Marinho; Memórias do cinema (2009, 10min; classificação indicativa livre), de Bruna Carolli; Meu jardim (2009, 13min; não recomendado para menores de 14 anos), de Thiago Sutir e Ana Pieroni; e Café de amanhã (2007, 20min; não recomendado para menores de 18 anos), de Chico Acioli; 20h30 — Primeira Visão Borralho (2006, 17min; classificação indicativa livre), de Arturo Saboia e Paulo Barbosa; Ana Beatriz (2008, 9min; não recomendado para menores de 14 anos), de Clarissa Cardoso; Dona Custódia (2007, 13min; classificação indicativa livre), de Adriana de Andrade; As fugitivas (2007, 13min; não recomendado para menores de 12 anos), de Otavio Chamorro; e A descoberta do mel (2009, 16min; não recomendado para menores de 16 anos), de Joana Limongi. Quarta, 7 de abril 16h30 — Cenas de Brasília 2 Um certo esquecimento (2008, 13 min; classificação indicativa livre), de André Carvalheira; Bem vigiado (2007, 14min; não recomendado para menores de 14 anos), de Santiago Dellape; Oficina Perdiz (2006, 20min; não recomendado para menores de 14 anos), de Marcelo Díaz; A saga das candangas invisíveis (2008, 15 min; não recomendado para menores de 14 anos), de Denise Caputo; e Dias de greve (2009, 24 min; não recomendado para menores de 14 anos), de Adirley Queirós; 18h30 — Outros Olhares Calango! (2007, 7min; classificação indicativa livre), de Alê Camargo; Tétrio, vazio e gelado (2007, 5min; classificação indicativa livre), de Steve Eponto; Mas na verdade uma história só (2009, 12min; não recomendado para menores de 14 anos), de Francisco Craesmeyer; Roteiro para minha morte (2009, 14min; não recomendado para menores de 16 anos), de Pablo Gonçalo; As estalactites de Davi (2009, 10min; não recomendado para menores de 10 anos), de R. C. Ballerini; e Verdadeiro ou falso (2009, 14min; não recomendado para menores de 14 anos), de Jimi Figueiredo; 20h30 — Lirismo Menina espantalho (2008, 12min; classificação indicativa livre), de Cássio Pereira dos Santos; A menina que pescava estrelas (2008, 9min; classificação indicativa livre), de Ítalo Cajueiro; Uma (2007, 13min; classificação indicativa livre), de Nara Riella; A minha maneira de estar sozinho (2008, 14min; não recomendado para menores de 16 anos), de Gustavo Galvão; Para pedir perdão (2008, 17min; não recomendado para menores de 10 anos), de Iberê Carvalho; e Entre cores e navalhas (2007, 10min; não recomendado para menores de 14 anos), de Iberê Carvalho e Catarina Accioly. Quinta, 8 de abril 16h30 — Primeira Visão Borralho (2006, 17min; classificação indicativa livre), de Arturo Saboia e Paulo Barbosa; Ana Beatriz (2008, 9min; não recomendado para menores de 14 anos), de Clarissa Cardoso; Dona Custódia (2007, 13min; classificação indicativa livre), de Adriana de Andrade; As fugitivas (2007, 13min; não recomendado para menores de 12 anos), de Otavio Chamorro; e A descoberta do mel (2009, 16min; não recomendado para menores de 16 anos), de Joana Limongi; 18h30 — Cenas de Brasília 1 Raul de Xangô (2008, 17min; classificação indicativa livre), de Erico Cazarré; Dia de visita (2007, 25min; não recomendado para menores de 12 anos), de André Luis da Cunha; A noite por testemunha (2009, 24min; não recomendado para menores de 14 anos), de Bruno Torres; e Brasília (título provisório) (2008, 15min; não recomendado para menores de 14 anos), de J. Procópio; 20h30 — Cinema de Escola Cuidado! Palhaços (2008, 14min; classificação indicativa livre), de Pablo Peixoto; Feijão com arroz (2009, 8min; classificação indicativa livre), de Daniela Marinho; Memórias do cinema (2009, 10min; classificação indicativa livre), de Bruna Carolli; Meu jardim (2009, 13min; não recomendado para menores de 14 anos), de Thiago Sutir e Ana Pieroni; e Café de amanhã (2007, 20min; não recomendado para menores de 18 anos), de Chico Acioli. Sexta, 9 de abril 16h30 — Lirismo Menina espantalho (2008, 12min; classificação indicativa livre), de Cássio Pereira dos Santos; A menina que pescava estrelas (2008, 9min; classificação indicativa livre), de Ítalo Cajueiro; Uma (2007, 13min; classificação indicativa livre), de Nara Riella; A minha maneira de estar sozinho (2008, 14min; não recomendado para menores de 16 anos), de Gustavo Galvão; Para pedir perdão (2008, 17min; não recomendado para menores de 10 anos), de Iberê Carvalho; e Entre cores e navalhas (2007, 10min; não recomendado para menores de 14 anos), de Iberê Carvalho e Catarina Accioly; 18h30 — Cenas de Brasília 2 Um certo esquecimento (2008, 13 min; classificação indicativa livre), de André Carvalheira; Bem vigiado (2007, 14min; não recomendado para menores de 14 anos), de Santiago Dellape; Oficina Perdiz (2006, 20min; não recomendado para menores de 14 anos), de Marcelo Díaz; A saga das candangas invisíveis (2008, 15 min; não recomendado para menores de 14 anos), de Denise Caputo; e Dias de greve (2009, 24 min; não recomendado para menores de 14 anos), de Adirley Queirós; 20h30 — Outros Olhares Calango! (2007, 7min; classificação indicativa livre), de Alê Camargo; Tétrio, vazio e gelado (2007, 5min; classificação indicativa livre), de Steve Eponto; Mas na verdade uma história só (2009, 12min; não recomendado para menores de 14 anos), de Francisco Craesmeyer; Roteiro para minha morte (2009, 14min; não recomendado para menores de 16 anos), de Pablo Gonçalo; As estalactites de Davi (2009, 10min; não recomendado para menores de 10 anos), de R. C. Ballerini; e Verdadeiro ou falso (2009, 14min; não recomendado para menores de 14 anos), de Jimi Figueiredo. Sábado, 10 de abril 16h30 — Cinema de Escola Cuidado! Palhaços (2008, 14min; classificação indicativa livre), de Pablo Peixoto; Feijão com arroz (2009, 8min; classificação indicativa livre), de Daniela Marinho; Memórias do cinema (2009, 10min; classificação indicativa livre), de Bruna Carolli; Meu jardim (2009, 13min; não recomendado para menores de 14 anos), de Thiago Sutir e Ana Pieroni; e Café de amanhã (2007, 20min; não recomendado para menores de 18 anos), de Chico Acioli; 18h30 — Primeira Visão Borralho (2006, 17min; classificação indicativa livre), de Arturo Saboia e Paulo Barbosa; Ana Beatriz (2008, 9min; não recomendado para menores de 14 anos), de Clarissa Cardoso; Dona Custódia (2007, 13min; classificação indicativa livre), de Adriana de Andrade; As fugitivas (2007, 13min; não recomendado para menores de 12 anos), de Otavio Chamorro; e A descoberta do mel (2009, 16min; não recomendado para menores de 16 anos), de Joana Limongi; 20h30 — Cenas de Brasília 1 Raul de Xangô (2008, 17min; classificação indicativa livre), de Erico Cazarré; Dia de visita (2007, 25min; não recomendado para menores de 12 anos), de André Luis da Cunha; A noite por testemunha (2009, 24min; não recomendado para menores de 14 anos), de Bruno Torres; e Brasília (título provisório) (2008, 15min; não recomendado para menores de 14 anos), de J. Procópio. Domingo, 11 de abril 16h30 — Outros Olhares Calango! (2007, 7min; classificação indicativa livre), de Alê Camargo; Tétrio, vazio e gelado (2007, 5min; classificação indicativa livre), de Steve Eponto; Mas na verdade uma história só (2009, 12min; não recomendado para menores de 14 anos), de Francisco Craesmeyer; Roteiro para minha morte (2009, 14min; não recomendado para menores de 16 anos), de Pablo Gonçalo; As estalactites de Davi (2009, 10min; não recomendado para menores de 10 anos), de R. C. Ballerini; e Verdadeiro ou falso (2009, 14min; não recomendado para menores de 14 anos), de Jimi Figueiredo; 18h30 — Lirismo Menina espantalho (2008, 12min; classificação indicativa livre), de Cássio Pereira dos Santos; A menina que pescava estrelas (2008, 9min; classificação indicativa livre), de Ítalo Cajueiro; Uma (2007, 13min; classificação indicativa livre), de Nara Riella; A minha maneira de estar sozinho (2008, 14min; não recomendado para menores de 16 anos), de Gustavo Galvão; Para pedir perdão (2008, 17min; não recomendado para menores de 10 anos), de Iberê Carvalho; e Entre cores e navalhas (2007, 10min; não recomendado para menores de 14 anos), de Iberê Carvalho e Catarina Accioly; 20h30 — Cenas de Brasília 2 Um certo esquecimento (2008, 13 min; classificação indicativa livre), de André Carvalheira; Bem vigiado (2007, 14min; não recomendado para menores de 14 anos), de Santiago Dellape; Oficina Perdiz (2006, 20min; não recomendado para menores de 14 anos), de Marcelo Díaz; A saga das candangas invisíveis (2008, 15 min; não recomendado para menores de 14 anos), de Denise Caputo; e Dias de greve (2009, 24 min; não recomendado para menores de 14 anos), de Adirley Queirós.

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