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Correio Braziliense

O canto suave de Tiê

Compositora paulistana volta à cidade para apresentar as músicas de seu primeiro disco, amanhã, no Teatro Brasília


postado em 22/04/2010 07:00 / atualizado em 22/04/2010 21:32

Faz um ano que Tiê, a cantora com nome de passarinho, lançou seu primeiro disco, Sweet jardim. Um CD intimista, sem afetação, bem produzido por Plínio Profeta. E ótimo especialmente por isto: pela simplicidade (e quem disse que é fácil?), pela crueza das canções, pela doçura com que ela conta as próprias histórias, muitas escritas no período em que se recuperava de uma doença no pulmão (um tumor infeccioso, benigno, que a deixou seis meses sem trabalhar). Pois bem. Tiê, a paulistana de 30 anos que só há três descobriu que sabia compor (bem), está de volta a Brasília para mostrar o delicado repertório de Sweet jardim amanhã, às 21h, no Teatro Brasília (Complexo Alvorada Hotel), pelo projeto Encantadoras. Mais cedo, às 13h, ela faz pocket show gratuito na Fnac (Park Shopping).

(foto: Nikhil/Divulgação)
(foto: Nikhil/Divulgação)
Faz quase um ano que a cantora esteve na cidade para duas pequenas apresentações. Agora, traz na bagagem os 52 shows que fez em 2009, no Brasil e no exterior. Além de uma turnê por Nova York, Paris, Londres e Berlim, ela foi ao Uruguai, participar do festival Latinoamericana: Música para la Integración. “Em maio, o disco será lançado no Chile e em Portugal, pela Warner de lá. Também vou participar do Rock in Rio Lisboa”, adianta Tiê, que retoma a rotina dos palcos dois meses após o nascimento da filha.

Neta de Vida Alves, a atriz que deu o primeiro beijo (em Walter Foster) da tevê brasileira, Tiê trabalhou como modelo, cursou relações públicas, foi dona de um brechó/bar em São Paulo, estudou canto em Nova York, apresentou-se em bares. Acompanhava Toquinho em turnê quando descobriu que estava doente. Obrigada a ficar em casa, começou a tocar violão e piano. E descobriu seu jeito de compor, de falar da vida com delicadeza, com uma levada folk, uma tristezinha aqui e ali.

Em 2007, a cantora gravou quatro músicas num EP com o tecladista Dudu Tsuda — duas delas, Passarinho e A bailarina e o astronauta, depois entraram em Sweet jardim. O CD levou um ano para ficar pronto. “Conheci o Plínio (Profeta) em abril de 2008 e lancei o disco em março de 2009”, conta ela, que chamou os amigos para participar de algumas músicas (entre eles, Tatá Aeroplano, Jr. Tolstói e Profeta, o produtor, que vem com ela a Brasília). Em Sweet jardim, a faixa-título, é Toquinho quem toca o violão. “Fiquei muito feliz de ele ter topado. É um grande amigo e foi um grande professor”, comenta.

Show solo mesmo, cantando e tocando, Tiê só arriscou no ano passado, quando lançou o álbum. De lá para cá, vem aprendendo a passear pela própria trilha. E já pensa no próximo voo. “Sim, venho compondo. E são músicas diferentes, de outro período, feitas quando estava na estrada, viajando. Então elas têm outro clima. Não sei ainda como vai ser a sonoridade do segundo disco, mas acho que será um pouco mais cheio.”

Cinco perguntas - Tiê

Seu disco de estreia, Sweet jardim, foi lançado há um ano, com 10 faixas autorais. Todas foram feitas no período em que você esteve doente?
A composição começou naquela fase de convalescência, mas nem todas as músicas são necessariamente desse período. Tem até uma que fala da doença, Chá verde (era recomendação do médico), mas várias vieram depois, ao longo do processo do disco.

Antes da carreira solo, você cantava com Toquinho, fazia shows com ele. Compunha também?
Não. Compunha uma coisa ou outra, mas nada de que gostasse ou que fizesse sentido. Não que tenha vergonha, mas era ainda um aprendizado de composição. Ainda estava estudando, não sabia que caminho seguir. Tanto que nunca usei aquilo nem pretendo usar. A convalescência é que foi abrindo a caixa de pandora.

Sweet jardim tem uma faixa em inglês (Stranger but mine) e outra com trechos em francês (Aula de francês). É natural, pra você, escrever em outras línguas?
Acho mais prazeroso, mesmo, cantar em português. Faz mais sentido, toca mais as pessoas. Mas compor em francês soa bonito, em inglês também é interessante, então me agrada. É divertido, tem outra sonoridade.

Chá verde fala bem do período da doença, mas e as outras letras? São todas confessionais?
São todas autobiográficas. É o estilo do disco mesmo. É o meu estilo de composição. Antes de lançar o CD, fiquei um pouco preocupada de ser tão confessional, mas em seguida me senti bem, o público recebeu muito bem, e ninguém nunca se sentiu íntimo demais. As histórias das pessoas são muito parecidas, elas se identificam com as letras.

A força do disco está na simplicidade, na crueza das canções. Quando começou a trabalhar nele, já pensava nisso?
A ideia era fazer o disco todo bem simples, mesmo. A gente gravou ao vivo, eu tocando e cantando. Por isso são poucos instrumentos, só eu tocando um ou outro. Ele foi feito assim por causa do tipo de narrativa das composições. Tudo bem simples.

TIÊ
A cantora paulistana se apresenta pelo projeto Encantadoras amanhã, às 21h, no Teatro Oi Brasília (Complexo Alvorada Hotel, SHTN Tc. 1, vizinho ao Palácio da Alvorada). Ingressos: R$ 60 e R$ 30 (meia para estudantes, pessoas com mais de 60 anos e hóspedes do Royal Tulip). Informações: 3424-7169 e 3424-7169. www.teatrobrasilia.com.br. Não recomendado para menores de 14 anos. Às 13h, pocket show gratuito na Fnac (Park Shopping).

Confira o clipe de A bailarina e o astronauta

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