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Correio Braziliense

Vila Planalto em cena

Além da exibição de um filme sobre a comunidade, Geraldo Azevedo, Célia Porto e outros artistas animam a noite


postado em 29/05/2010 07:01

Um média-metragem, num esquema de work in progress, criado a partir do mergulho nas artes de seis regiões administrativas, começa a apresentar os resultados. Parte do projeto Candangas tradições, o documentário Janelas da Vila — “com foco na história da comunidade, através da cultura”, pelo que explica o roteirista Cláudio Barbosa — será exibido hoje, às 19h30, na praça da Igreja da Vila Planalto como abertura do evento Brasília outros 50, que inclui também shows musicais gratuitos.

“A gente concentrou o material em duas partes: primeiro vem o aspecto histórico, com a participação dos pioneiros — especialmente o ‘Grupo das 10’, com senhoras que conseguiram a fixação da Vila Planalto, numa ação que evitou o deslocamento da vila que estava previsto pelo governo. Todas elas chegaram à capital entre 1956 e 1960”, explica a realizadora, Teresa de Castro.

Aos 35 anos, ela assumiu a iniciativa que reúne integrantes do projeto Berlin Loop Brasil e produtores do Instituto Igual, a fim de imprimir “a visão do grupo sobre Brasília”. A cada fim de semana, a caravana audiovisual do Brasília outros 50 vai estabelecer um retrato de determinada área, acatando trajeto que inclui Planaltina, Núcleo Bandeirante, Gama, Ceilândia e Sobradinho. Além de shows com artistas locais, o evento prevê a exibição de curta-metragem de 12 minutos sobre cada uma das cidades visitadas.

Com promessa de linguagem distante da dos institucionais, Janelas da Vila conta nos bastidores com o trabalho do fotógrafo alemão Benjamin Weiss, projetando mais um ramo da instituição multimídia Berlin Loop Brasil. “A parceria já rendeu três curtas premiados no Brasil, entre eles, o Tingele Tangele Bob”, lembra a diretora.

Janelas da Vila, segundo Teresa de Castro, “demonstra a quantidade de artistas que existem na Vila Planalto, com destaques como a Célia Porto (moradora de lá, na infância), o sambista Marcelo Coisa Nossa e a cantora Cláudia, moradora, há 48 anos, da Vila Planalto e ex-locutora da Rádio Nacional que se apresentou na posse de alguns presidentes brasileiros”. O vídeo final, orçado em R$ 160 mil, por mobilização de integrantes do projeto intitulado Brasília Outros 50 (mas desvinculado do Fórum de Cultura do DF), tem previsão para estar concluído até o fim de junho.

No palco de hoje, Nordeste e Brasília se misturam nas vozes do cearense Manassés e dos pernambucanos Geraldo Azevedo e Marcelo Sena. “O show de hoje é o lançamento do projeto, então o show é nacional. Mas nos outros vamos abrir espaço para músicos daqui”, garante Kleber Moraes, idealizador do Brasília outros 50.

Nascida na Vila Planalto, Célia Porto é a única cantora brasiliense do Candangas tradições. “Morei na Vila até os 9 anos. Minha infância era subir em árvore, brincar na rua, pescar no lago. Fui batizada na Igreja Nossa Senhora do Rosário”, conta a cantora, que faz show acompanhada do marido e pianista, Rênio Quintas. Cada artista sobe ao palco para apresentação independente, mas ao final o grupo planeja um belo encontro, momento no qual os artistas se reúnem para cantar juntos O voo da Juriti, de Paulo Tovar. “É uma música hiperbrasiliense, tem essa coisa do cerrado, esse lado de raiz. Mexe muito com a lembrança e é feita com muita verdade. Já cantei milhões de vezes e, em todo lugar que a gente faz show, ela vira bis”, conta Célia.

Brasília outros 50 — Candangas tradições
Exibição do documentário Janelas da vila e show com Manassés, Célia Porto, Geraldo Azevedo e Marcelo Sena. Hoje, às 19h30, na Praça da Igreja da Vila Planalto.

FESTA DE RUA
» A lua cheia estava lá. A quadra 312/313 Norte ficou pequena para o grande público, em torno de 15 mil pessoas, que prestigiou a 27ª Noite Cultural do T-Bone com as presenças de Zélia Duncan e da Orquestra Filarmônica GLB. Zélia estava em estado de graça e incluiu no seu repertório canções de Renato Russo, Gilberto Gil, Rita Lee e, é claro, Cássia Eller. Não faltaram também hits, como Catedral e Alma.

Colaborou Nahima Maciel

» Documentário para a Vila Planalto


A incursão audiovisual pela Vila Planalto, que rendeu 12 horas de gravações, trará à tona nomes de relevância para a gastronomia, como o célebre cozinheiro Rosental (morto em 2005); integrantes do projeto de material reciclável e de conscientização ambiental Percurssucata (coordenado pelo músico Capucci); criadoras de jóias da turma intitulada Preciosas Marias e a artista plástica Cristina Carvalheiro. "É sobre a identidade cultural do brasiliense", resume Teresa de Castro. O trabalho, por sinal, dialoga com a fusão de todas as artes pretendida pelo Berlin Loop Brasil, a serviço de shows multifacetados que incluem música ao vivo, bailarinos e recursos audiovisuais.

Convidada a integrar a mostra Cena Contemporânea (prevista para setembro), a videasta (formada em dança pela North Carolina School of the Arts e com experiências teatrais em São Francisco), em Tradições Candangas, vai abrir mão da especialidade no uso de stop motion — o artifício das imagens quadro a quadro, distanciado da linguagem a ser adotada. Pelo "excesso de informação" na Vila Planalto, o resultado no local terá maior espaço na edição final, estimada em 20 minutos. No alvo das próximas gravações estão pioneiros, membros das academia de letras locais e ativistas culturais como o do hip-hop GOG, além do registro de celebrações tradicionais como a Festa do Divino (em Planaltina).

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