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Correio Braziliense

O vinho do país da Copa

As vinícolas da África do Sul conquistam cada vez mais espaço no mercado internacional da bebida e são conhecidas pelo cruzamento entre diferentes tipos de uva, como a que deu origem à pinotage, mistura da pinot noir com a hermitage


postado em 05/06/2010 07:00 / atualizado em 05/06/2010 07:48

Uvas inusitadas, excelentes safras e Copa do Mundo. O que o mundo do vinho tem a ver com o maior evento do futebol? Tudo. O país sede do mundial vem se destacando nos últimos anos como um respeitável fabricante da bebida. Os enólogos da África do Sul não são meros produtores, mas inventores também. Eles se inspiraram nos franceses, cruzaram uvas clássicas e criaram um estilo próprio, que, segundo especialistas, vale a pena provar.

Odilio Lira, da Adega do Vinho, destaca os rótulos produzidos especialmente para o mundial de futebol pela vinícola Nederburg: seleção de uvas capaz de agradar a todos os paladares(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
Odilio Lira, da Adega do Vinho, destaca os rótulos produzidos especialmente para o mundial de futebol pela vinícola Nederburg: seleção de uvas capaz de agradar a todos os paladares (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
Os sul-africanos fabricam, anualmente, 800 milhões de litros de vinho, dos quais exporta 280 milhões, principalmente para os Estados Unidos. No Brasil, os rótulos vindos de lá ainda ocupam pouco espaço nas prateleiras das adegas, mercados e casas especializadas, mas a tendência é que o interesse dos brasileiros aumente. “Há três anos, começamos a receber bons rótulos de lá, e o público está começando a apreciar mais os vinhos sul-africanos”, comenta Odilio Ribeiro Lira, gerente da Adega do Vinho. Na loja, a grande novidade são os vinhos criados especialmente para a Copa. A série Twenty 10, da vinícola Nederburg, traz um branco com sauvignon blanc, um rosé e um tinto com cabernet sauvignon. “Eles escolheram uvas que agradam todos os paladares e que podem ser apreciadas durante um jogo de futebol, por que não?”, completa Lira.

Os produtores sul-africanos são conhecidos pelo cruzamento de uvas importantes. A principal delas é a pinotage, uma fusão da pinot noir com a hermitage (hoje mais conhecida como cinsault). A mistura foi desenvolvida pelo professor Abraham Perold em 1925 e faz sucesso no mundo todo. “Dependendo do tipo da vinificação, da proposta do enólogo e da qualidade pontual da uva, são vinhos com sabor marcante, profundidade aromática e, em alguns casos, de longa guarda”, afirma Gutto Assunção, sommelier da Vintage Vinhos.

Outros destaques são as já bem conhecidas dos brasileiros shiraz, merlot e cabernet sauvignon, que trazem a combinação de aromas frutados e taninos maduros. No quesito uvas brancas, quem reina é a chenin blanc, também conhecida como steen e quase extinta no seu país de origem, a França. “Os melhores são oriundos de localizações privilegiadas e com muita incidência de raios solares. O produtor que visa à quantidade obterá um vinho mediano sem grandes qualidades. Fatores como frio excessivo e chuva trarão ao vinho uma predominância da acidez”, explica o sommelier. “Outra importante característica dessa uva é que ela é suscetível ao Botrytis cinerea, fungo causador do apodrecimento natural da uva e, consequentemente, da elaboração de vinhos doces.”

Entre as brancas, destacam-se também a chardonnay e a sauvignon blanc. “As características relevantes dos brancos sul-africanos dependem da casta utilizada. A chardonnay, por exemplo, é uma casta que apresenta vinhos de grande estrutura, encorpado e muito seco. Em alguns casos, com uma certa mineralidade”, comenta Assunção. O sommelier recomenda a degustação de quatro vinhos: Paarl Heights Shiraz, Paarl Heights Pinotage, The Post Stones Shiraz e o Remhoogte Estate.

Mistura

É comum encontrar rótulos da África do Sul com duas ou mais uvas, principalmente com a mistura de cabernet, merlot e shiraz. “O clima de lá é muito parecido com o do Chile. Eles produzem bons cortes, mas não são as uvas que se mesclam antes da produção, e sim a porcentagem dos vinhos já prontos, medida com exatidão pelo produtor, que cria uma bebida perfeita”, comenta Paulo Kunzler, sommelier da Zahil.

Com uma gastronomia diversificada e cheia de especiarias, os vinhos sul-africanos combinam muito bem com a culinária brasileira. “As sugestões mais confiáveis são aquelas em que você segue o padrão normal, ou seja, para acompanhar aves, peixes e a culinária asiática, os brancos são os mais apropriados. Nos quesitos carne vermelha e caça, os tintos cumprem a rigor o seu papel, podendo até harmonizar com carnes brancas, dependendo da sua estrutura”, sugere Assunção.

A maior região vinícola naquele país é a de Stellenbosch, que fica na Província do Cabo Ocidental. Segundo Kunzler, no Brasil é possível encontrar excelentes rótulos. “Você encontra vinhos baratos, mas os melhores custam no mínimo R$100. É sempre bom começar pelos mais simples até chegar aos top. E experimentar sempre.” A loja tem rótulos renomados como o Columella, com shiraz e mouvèdre, e o Rupert & Rothschild, com cabernet e merlot.

Para Manuel Luz , sommelirer da loja virtual Wine (www.wine.com.br), quem não conhece muito bem os vinhos da África do Sul deve começar pelas uvas mais conhecidas. “Eles são em geral potentes, muito aromáticos e saborosos, tanto os tintos quanto os brancos. Sugiro a chardonnay, merlot e cabernet sauvignon, que possuem sabor agradável. Mas para os que querem se aventurar mais, as opções são a pinotage e shiraz”, diz. No catálogo da loja, estão o Obikwa Cabernet Sauvignon 2009, um vinho ideal para iniciantes, por ser leve e frutado, e o Glen Carlou Grand Classique 2005, vinho tinto poderoso e potente.

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