Diversão e Arte

Mombojó precisou se reestruturar para fazer Amigo do tempo, terceiro algum do grupo

postado em 06/06/2010 07:00 / atualizado em 22/09/2020 15:46

Passaram-se quatro anos entre Homem-espuma, o segundo disco da banda Mombojó, e Amigo do tempo, o terceiro e mais recente trabalho do quinteto pernambucano. O longo período deixou os fãs ansiosos ; até porque o grupo, um dos mais queridos do cenário independente, chegou a anunciar o lançamento do CD para o ano passado. A espera chegará ao fim amanhã, quando Amigo do tempo será disponibilizado para download gratuito no site da banda. A justificativa (ou, ao menos, alguma explicação) para tanta demora pode ser encontrada na canção-título do novo álbum. ;Almejo ser o amigo do tempo/ Dar cabimento para o ócio é que eu não dou;. Entre 2006 e 2010, o Mombojó passou por muita coisa. E precisou, claro, de muito tempo para se reorganizar. A morte do flautista Rafael Torres, em 2006, e a saída do violonista Marcelo Campelo, em 2008, foram citadas pelo guitarrista Marcelo Machado, em entrevista por telefone ao Correio, como dois acontecimentos decisivos na trajetória do grupo. ;Para muita gente, a banda nem existia mais;, brinca o músico. Reestruturada, ainda em 2008, a banda começou a pensar no novo disco. Fora da gravadora Trama (que lançou Homem-espuma), eles tentaram, sem sucesso, emplacar algum edital para custear as novas gravações (como haviam feito para viabilizar a estreia, Nadadenovo, de 2004). Até chegaram a receber propostas de uma gravadora, mas as condições não os interessaram. Decidiram, então, bancar o terceiro álbum por conta própria. ;Em 2008, começamos a ensaiar pesado na casa do Samuel, nosso baixista. A gente dormia no quarto dele e tocava na garagem. Em 2009, pegamos os nossos equipamentos e fomos para um sítio perto de Recife, em Aldeia, para fazer a pré-produção;, conta o guitarrista. Durante esse período, muita coisa foi gravada. De volta a Recife, o resultado dessas sessões foi mostrado para amigos que trabalham com música. ;Muita coisa que a gente gravou lá ficou no disco;, diz Marcelo. O restante das gravações foi dividido em estúdios de Recife e de São Paulo e entre os produtores Pupillo (o baterista da Nação Zumbi participou de seis faixas), Rodrigo Sanches (três músicas) e Evaldo Luna (também em três canções). Todas as músicas foram coproduzidas pela banda. Com a experiência adquirida, os músicos do Mombojó acabaram também virando produtores. ;Estou produzindo com o Felipe (vocalista) a banda de Joseph Tourton, um grupo de Recife;, adianta o guitarrista. O tecladista Chiquinho também já se aventura pelas produções com outros artistas recifenses, caso do cantor Jr. Black. Nova fase Com dois integrantes a menos, a sonoridade do Mombojó, naturalmente, passou por algumas modificações. Para Marcelo, ao mesmo tempo em que Amigo do tempo é diferente de seus predecessores, ainda apresenta algumas características dos outros trabalhos. ;Os dois primeiros discos são muito diferentes entre si. Esse novo também. Acho que agora as músicas estão mais dançantes e visuais ; está mais fácil imaginar clipes para elas. Chegamos a uma maturidade de não complicar demais as músicas. Elas estão mais simples, mais pop e fáceis de serem executadas e ouvidas. No segundo disco, elas mudavam muito dentro da própria música. Em Amigo do tempo, a gente tranquiliza isso. É um disco mais canção;, explica o músico. Sobre as recentes audições que inspiraram a banda, o guitarrista diz que, da parte dele, ouviu muito a britânica High Llamas, grupo ;primo;, do Stereolab, uma das mais notórias influências dos recifenses. Recentemente, a vocalista do grupo londrino, Laetitia Sadier, mostrou seu projeto solo no Brasil. Os integrantes do Mombojó, claro, estiveram na apresentação. ;Ficamos tietando ela depois do show;, conta Marcelo. Outra referência que ele reconhece estar mais nítida neste disco é Michael Jackson. Aliás, quando o cantor morreu, a banda estava em Brasília. ;Soubemos da morte dele na passagem de som;, lembra o guitarrista. Mais universal e menos brasileira, a sonoridade do terceiro disco não faz efeito de imediato. Mas, mais coesos, eles apresentam canções que, com as devidas audições, entram na lista das melhores do grupo ; caso de Casa caiada, Passarinho colorido, Papapa e Entre a união e a saudade. Mas não deixa de ser estranho perceber que as arestas, o ;atirar para todos os lados;, de certa forma, era um dos charmes do grupo. Mas o Mombojó de Amigo do tempo é uma grata apresentação da nova fase da banda de Chiquinho, Felipe, Samuel, Vicente e Marcelo. Música Amigo do Tempo. Música Papapa

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação