Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Cheiro de mato de Manoel Barros

"Depois de ter entrado para rã, para árvore, para pedra - meu avô começou a dar germínios". O fragmento da poesia A arte de infantilizar formigas, do poeta Manoel de Barros, compõe um dos trabalhos dirigidos pela dupla Adriano e Fernando Guimarães para a 11ª Mostra Dulcina de Moraes. Nada, cujo título leva o nome da obra, é uma adaptação do livro de poesias escrito em 1996. A montagem dá continuidade à pesquisa iniciada com o espetáculo Memórias inventadas, apresentado na abertura do evento organizado pela instituição. Além do livro Nada, a construção da dramaturgia do espetáculo se deu a partir da pesquisa de outras obras do poeta. "Alguns personagens emblemáticos das suas histórias e poemas, como o avô, o pai, a mãe, tomam corpo ao lado de outros inventados", observa Adriano Guimarães. A ação se passa em um único dia: no aniversário do avô. "Na peça, o público é mais que observador, ele faz parte da festa. São os convidados do aniversário que acontece em tempo real", emenda o diretor. Poeta pantaneiro Quem for ao espetáculo entrará em contato com particularidade do poeta pantaneiro que fala das coisas miúdas para tocar no universal. O nada, um prego e bichos fazem parte do universo de Barros para reconstruir o mundo. A singularidade do autor o levou a ser reconhecido internacionalmente como um dos mais originais poetas brasileiros do século 20. O escritor Guimarães Rosa comparava seus textos a um "doce de coco". Nada conta um elenco de seis atores e permanece em cartaz até 6 de julho, no Teatro Dulcina de Moraes. Além da atividade de formação, a mostra é oportunidade para os alunos mostrarem o resultado do projeto de diplomação do curso de artes cênicas. Informações:www.dulcina.art.br/fadm/site/. NADA De Adriano e Fernando Guimarães a partir de obra de Manoel de Barros. De hoje a 6 de julho, às 21h30, no Teatro Dulcina Moraes (Conic). Entrada franca. Não recomendado para menores de 12 anos.