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Correio Braziliense

Clodo canta Sinhô

O projeto A música na linha do tempo começa em grande estilo com uma homenagem a um dos mestres do samba


postado em 15/07/2010 07:00 / atualizado em 15/07/2010 02:23

Clodo: um resgate do melhor da música popular brasileira no palco da Sala Cássia Eller(foto: Juan Pratgnestós/Divulgação)
Clodo: um resgate do melhor da música popular brasileira no palco da Sala Cássia Eller (foto: Juan Pratgnestós/Divulgação)
A Sala Funarte, palco dos primeiros shows de Zélia Duncan e Rosa Passos e do mítico encontro de Renato Russo e Cida Moreira (antes do lançamento do primeiro CD da Legião Urbana), foi durante as décadas de 1970 e 1980 uma das mais importantes referências artísticas e culturais de Brasília. Mas nos últimos anos, por lá passaram alguns projetos que não chegaram a obter repercussão. Vencedor do Prêmio Funarte de ocupação da Sala Cássia Eller — nome que o espaço ganhou ao ser reinaugurado em 2001 —, o projeto A música na linha do tempo vai apresentar no local, entre amanhã e 27 de novembro, 40 espetáculos, sendo 20 shows de música popular, às sextas-feiras, às 20h30; e 20 recitais e concertos de música erudita, aos sábados, às 17h. Haverá, também, atividades complementares como palestras, oficinas e cursos ligados à temática da série. No show de abertura, amanhã, às 20h30, Clodo Ferreira vai dar início à viagem pela linha do tempo da história da música popular brasileira, focalizando o período que marca o surgimento do samba — década de 1920 —, cantando um dos seus primeiros criadores, o compositor carioca Sinhô, contemporâneo de Donga e João da Baiana, e companheiros de reuniões na casa da mãe de santo Tia Ciata (como era conhecida a baiana Hilária Batista de Almeida), na Praça Onze, no Rio de Janeiro. O grupo Trovas D’Outrora, formado por Felipe Maravalhas (alaúde e guitarra teorbada), Iara Ungarelli (viola da gamba), Marília Carvalho (flauta doce) e Keith Guimarães (canto), abre a programação do projeto na área erudita, sábado, às 17h, com um concerto de música da Renascença. O quarteto, há algum tempo, dedica-se ao cancioneiro e repertório instrumental daquele período, utilizando réplica de instrumentos antigos, com afinações originais. Tributo elogiado Clodo Ferreira interpreta Sinhô, o show que o cantor, compositor e violonista piauiense — radicado em Brasília desde meados da década de 1960 — é resultado de pesquisa realizada há sete anos, utilizada por ele inicialmente em aulas na Faculdade de Comunicação da UnB sobre música popular brasileira. Depois, 13 das 120 músicas catalogadas fizeram parte de show-tributo apresentado no Clube do Choro e outros lugares da cidade, sempre elogiado. “Boa parte das informações que obtive veio da pesquisa que fiz no acervo do selo paranaense Revivendo, que inclui três discos com gravações de cantores como Mário Reis, Francisco Alves, Vicente Celestino e crooners de orquestras. Minha principal referência foi Mário Reis”, destaca Clodo. “Selecionei as músicas que marcaram a história de Sinhô para o repertório do show e, posteriormente, do disco”, acrescenta. Entre os sambas a serem ouvidos pelo público estão Jura, Gosto que me enrosco, Sabiá e Confissões de amor. Textos sobre a vida e a obra do sambista e o ambiente musical do Rio na época, também fazem parte do roteiro do show, com uma hora e 20 minutos de duração. Clodo terá a companhia de Alencar Sete Cordas, João Ferreira (violão de seus cordas), Pedro Ferreira (percussão), Fernando Machado (sax e clarineta), Luiz Henrique (tuba) e Argemiro Oliveira (flugelhorn). CLODO FERREIRA INTERPRETA SINHÔ Show de abertura do projeto A música na linha do tempo, amanhã, às 20h30, na Sala Cássia Eller do Complexo Cultural da Funarte (Setor de Difusão Cultural, atrás da Torre de TV), com Clodo Ferreira e banda. Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia para estudantes e maiores de 60 anos). Classificação indicativa livre. Ouça a música Gosto que me enrosco, de Clodo Ferreira

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