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Correio Braziliense

Bienal da Poesia é cancelada


postado em 23/07/2010 07:00 / atualizado em 23/07/2010 09:01

Programada para acontecer no início de setembro, a segunda edição da Bienal Internacional de Poesia de Brasília foi cancelada por falta de verbas. Diretor da Biblioteca Nacional e idealizador do evento, Antonio Miranda já começou a avisar os convidados, muitos deles estrangeiros, que o encontro não acontecerá este ano. Realizada pela primeira vez em 2008, a Bienal reuniu mais de 100 poetas do Brasil e do mundo em sessões de leituras, debates, oficinas, mostras de cinema, palestras e até espetáculos teatrais. Miranda já contava com 80 convidados confirmados para a segunda edição, mas precisou cancelar a bienal por falta de patrocínio.

Antonio Miranda: sem dinheiro de patrocinadores para tocar a segunda edição da Bienal de Poesia de Brasília(foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press - 11/12/09)
Antonio Miranda: sem dinheiro de patrocinadores para tocar a segunda edição da Bienal de Poesia de Brasília (foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press - 11/12/09)
Na edição de 2008, o diretor conseguiu captar os R$ 2 milhões necessários para o encontro de quatro dias. Este ano, no entanto, Miranda não chegou nem perto de 10% dos R$ 1,95 milhão aprovados pelo Ministério da Cultura para captação via Lei Rouanet. Segundo o diretor, a Petrobras havia incluído o recurso na programação de orçamento, mas um contingenciamento inviabilizou o patrocínio e a empresa liberou apenas R$ 150 mil. “Com esse dinheiro não dá para fazer. Na edição passada, eles colocaram na programação de recursos que pedimos e aprovaram antes de sair a Lei Rouanet. Este ano a lei demorou para sair e, na última hora, eles disseram que todo o dinheiro da Petrobras estava contingenciado”, lamenta Miranda, que também contava com R$ 15 mil do Fundo de Amparo à Pesquisa do Governo do Distrito Federal. “Foi o único recurso do GDF que conseguimos.” A assessoria da Petrobras nega ter se comprometido com o valor total do evento. “O patrocínio da Petrobras à Bienal de Poesia de Brasília foi aprovado no valor de R$ 150 mil, o mesmo valor do patrocínio ao evento no ano passado”, destaca a empresa. Em 2008, além do encontro entre público e poetas, a bienal também realizou concurso de poesia infantil e publicou cinco livros com poemas dos convidados e das crianças premiadas. “Este ano tinham mais de 20 meninos de todo o Brasil para o concurso de poesia, crianças do país inteiro estão mandando poemas”, diz Miranda. “Além disso as embaixadas já haviam se comprometido em trazer autores de todos os países.” O poeta e escritor Alexandre Marino participou do evento há dois anos e era um dos convidados da segunda edição. Ele seria responsável por ciceronear poetas estrangeiros nos debates da Biblioteca Nacional. “É uma coisa lamentável porque a bienal de 2008 movimentou a cidade, a área de cultura e literatura. Este ano faria isso de forma melhor”, acredita Marino. “O Antônio Miranda é um Quixote. Ele vai fazendo as coisas e, mesmo que não consiga, batalha e vai atrás. A crise no Governo do DF prejudicou muito, apesar das dificuldades inerentes ao evento. E depois a Petrobras retirou o patrocínio.” Este ano o tema da bienal seriam os 50 anos de Brasília. Miranda havia programado uma homenagem a Ferreira Gullar, primeiro secretário de Cultura da cidade, e sessões de debates sobre a integração entre arte e arquitetura. Planejado para acontecer dentro da programação da bienal, o Simpósio de Crítica e Poesia, organizado pela Universidade de Brasília (UnB), não foi cancelado. “Vamos manter porque a gente garante recursos da própria UnB. Está marcado para 8 de novembro”, avisa a professora Silvia Cyntrão, coordenadora do simpósio, que este ano homenageia o compositor Oswaldo Montenegro. “É lamentável o cancelamento porque a primeira bienal foi um sucesso e esta falaria de Brasília. A cidade fica mais pobre.”

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