Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

A sétima edição do Brasília Motocapital reuniu mais de 150 mil participantes

A cultura do motociclismo marcou presença na cidade de quinta até ontem, dentro do Brasília Motocapital. O evento, em sua sétima edição, mostrou por que já figura entre os maiores e mais relevantes do gênero no Brasil. Além da organização, estrutura e programação, o encontro foi muito comentado pelos participantes por colocar em prática o espírito de irmandade tão caro aos motociclistas. Foi um evento para ver e ser visto, trocar ideias e informações e fazer amigos. Os mesmos objetivos, aliás, desde a primeira edição. "Reunimos motociclistas sem discriminação quanto ao estilo de moto. Ano passado, tivemos uma média de 50 mil motos em quatro dias. Este ano, chegamos a 182 mil", contabiliza Marco Portinho, um dos organizadores. Realizado no Parque de exposições da Granja do Torto, o Motocapital ofereceu espaço tanto para os motoclubes locais, quanto para os de outras cidades. Mais de 350 grupos estiveram presentes. Cada um tinha o seu espaço, utilizado como estande ou barracão, onde suas máquinas ficavam expostas - e onde a turma assava seu churrasco, ouvia música, conversava. Quem veio de fora, pôde acampar ali mesmo (mas, segundo a produção, diversos hotéis, alguns de cinco estrelas, ficaram cheios por conta do evento). O engenheiro de produção André Hotz Tavares, 30 anos, guiou 830 km da mineira Conselheiro Lafaiete até Brasília. Para ele, um encontro na capital do país traz, naturalmente, alguns diferenciais: "Nos encontros em Minas, por exemplo, comparecem pessoas do Espirito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo%u2026 os estados próximos. Aqui vem gente de todo lugar". Segundo Portinho, motociclistas de 23 estados, da Argentina, Chile e Uruguai estiveram no parque de exposições. "Isso dá uma ideia de evento de âmbito nacional. É importante também porque faz com que as pessoas conheçam a capital do país", comentou o fotógrafo Elvio Gasparetto, 51. Ambiente famíliar Para o publicitário Fernando de Freitas, o Frajola, 46 anos, outro destaque do Motocapital é o comportamento ordeiro dos participantes: "Aqui ninguém faz 'zoeira', empina moto, estoura pneu. O ambiente é familiar". Tão familiar que teve até casamento. Os goianos Antônio Oscar Alves, 46, e Flávia Aparecida de Souza, 33, fizeram um cerimônia simbólica para celebrar a união. "Para nós, é a realização de um sonho, já que nos conhecemos por conta do motociclismo", explicou o noivo. A cerimônia foi realizada ao som de Janis Joplin, no barracão do Esquadrão de Cristo, grupo que promove passeios, rodas de oração e ações sociais. Prova de que o motociclismo é paixão sem idade, o pequeno Gabriel Vinícius Lima, 7 anos, intimou o pai, Geraldo Lima, 37, a lhe dar uma moto. "Eu quero uma Hayabusa", pediu o menino. "Não vejo a hora de ele ter idade para isso", comentou o pai orgulhoso. E se o público do encontro é majoritariamente masculino, clubes como o Vulcanas, exclusivamente feminino, são um reflexo do maior interesse das mulheres pelo assunto. "Não precisa deixar a feminilidade de lado para andar de moto", observou a vulcana Kamila Seluma Lessa, 28. "Andamos de salto alto, por exemplo. E já vemos outras mulheres motociclistas adotando o nosso estilo", diz Luciana Sachetto, 29. "Criamos uma referência", completa Andréia Oliveira, 36. Nos shows, a pedida foi rock setentista e blues. Bonfim Neto, cover de Elvis Presely, subiu no palco de moto e tudo, para delírio da plateia. Quem também chamou a atenção do público foram os lutadores da Trupe do Trovão (SP). O rotundo Cardoso espremeu um limão na cara do adversário Soldado Igor. E o juiz fingiu que nem percebeu. Como, aliás, deve ser em qualquer boa partida de telecatch. "Como diretor nacional dos Abutres, posso dizer que esse convite para o Motocapital foi a maior abertura que eu já tive de um evento", comentou um satisfeito Aparecido da Hora Freita, o Trovão, 52. Jaquetas e coletes de couro são acessórios básicos para um motociclista. No Motocapital foi possível encontrar desde as mais básicas até as mais extravagantes. E nesse quesito, o gaúcho Arnildo Barbosa Lins, o Brucutu, 60 anos, se destacou com uma roupa toda paramentada. "Eu era militar. Daí, quando me aposentei resolvi partir para uma outra vida. O meu visual tem a ver com o espírito do motociclista, de fazer o que gosta", explica. E desvendar o espirito do motociclista é um dos objetivos do paulistano Renzo Querzoli, diretor dos filmes Alma selvagem (o primeiro sobre motociclismo feito no Brasil) e Alma 70, ambos em exibição no encontro. "No Brasil, temos muitos motociclistas e pouca informação. Com os filmes, estamos tentando mudar isso", disse Querzoli, que pretende lançar seu terceiro filme sobre o tema no Motocapital de 2011. E sobre a edição do ano que vem do evento, Marco Portinho já adianta: "Esperamos fazer o maior encontro da América Latina." Veja trecho do filme Alma Selvagem Veja trecho do filme Alma 70