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Correio Braziliense

A Sérvia diante de Niemeyer


postado em 03/08/2010 07:00 / atualizado em 03/08/2010 08:57

Desde 25 de julho, Brasília sedia a 34ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco. Hoje, durante o encerramento, os 35 países participantes poderão reavaliar os pontos positivos e negativos do encontro que discutiu novos sítios para a Lista do Patrimônio Mundial. Totalizando 18 bens inscritos na lista, o Brasil teve a aprovação de um novo sítio: a Praça São Francisco, em São Cristóvão (SE), como “um reconhecimento da formação do acervo cultural brasileiro”, segundo o ministro da Cultura, Juca Ferreira.

De passagem por Brasília, o ministro da Cultura da República da Sérvia recebeu o Correio para uma conversa sobre políticas culturais, literatura e cultura popular brasileira. Nebojša Bradic tem 54 anos e está no cargo desde 2008. O ministro é um premiado diretor de teatro sérvio e atua na área há mais de duas décadas.

Com relação à literatura brasileira, Bradic declara conhecer o cultuado autor Paulo Coelho. “Em nosso país, assim como em boa parte do mundo, várias obras de Paulo Coelho foram traduzidas para nossa língua. Ele com certeza é um escritor muito respeitado e adorado por nós”, conta.

Não é a primeira vez que Nebojša Bradic visita o Brasil, mas somente agora pode conhecer Brasília com calma. “Estive no Museu Nacional e fiquei muito emocionado. É uma obra belíssima, que retrata bem como é a cidade”, admira-se o ministro. Como a maioria, Nebojša Bradic via a cultura brasileira restrita ao carnaval carioca e às belas paisagens do Rio de Janeiro, e ficou surpreso ao ver que Brasília possuía monumentos grandiosos e uma arquitetura tratada com primor com obras de Oscar Niemeyer.

Assim como no Brasil, a República da Sérvia aposta em festivais nacionais de música, cinema e literatura para estimular a população para a cultura do país, além de criar mais espectadores para as obras futuras. Em 2011, o país irá comemorar um ano literário e convida as editoras e os autores brasileiros para participarem de um encontro que promoverá uma verdadeira Torre de Babel da literatura. “Queremos promover uma troca de informações e de livros de todo o mundo. Será um momento muito importante para o país”, adianta o ministro.

Nebojša Bradic vê semelhanças nas políticas culturais da República da Sérvia com o Brasil. O ministro diz que o respeito às culturas tradicionais e o cuidado com a arte contemporânea são uma preocupação que ambos os países possuem. Na República da Sérvia, segundo o ministro, a distribuição de verbas entre a cultura popular e a cultura tradicional é feita igualmente, sem conflitos. “Somos muito preocupados com nossos bens e temos projetos reservados para a preservação, além de um estímulo para novas opções culturais”, conclui Bradic.

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