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Correio Braziliense

Com um curta por ano, Santiago Dellape já projeta o primeiro longa

Ratão, último trabalho, ganhou júri popular em Gramado


postado em 18/09/2010 08:00

Aos 27 anos e seis curtas-metragens em película no currículo, o cineasta brasiliense Santiago. Dellape construiu um estilo. “A gente privilegia o entretenimento, mas não quer fazer uma obra sem significado. Se faço um filme, será sobre alguém tentando alcançar alguma coisa, com alguns obstáculos. Ela pode conseguir ou não. Nesse sentido, eu sou um pouco limitado. Não consigo pensar em nada diferente disso”, conta o cineasta.

(foto: Anderson Brasil/Divulgação)
(foto: Anderson Brasil/Divulgação)
Ratão, o mais novo filme com a assinatura de Dellape, venceu, em agosto, o prêmio de Melhor Filme pelo júri popular do último Festival de Gramado. “Tem gente que fala que é filme de ação, policial, comédia. Se me pedissem para definir um gênero, eu diria que é aventura.” Estrelada pelo ator mirim Mateus Palmieri, a obra narra a história de Goma, garotinho gordinho e desajeitado que se envolve com a máfia oriental controladora dos negócios na Feira do Paraguai, enquanto seu tio tenta encontrar elevação espiritual numa certa erva fumacenta.

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“Acho que o Ratão fecha bem um ciclo que começou com o Papá, em 2004. Está na hora do longa. Estou sem nenhum projeto de curta, tentando focar nesse trabalho. O argumento será meu e do Davi Matos e o nome do projeto por enquanto é Licença prêmio”, adianta Dellape. Tiros, perseguições de carro, gente pulando de edifícios, todos os elementos de um típico filme de ação norte-americano ganham roupagem à brasileira. “Nós temos muito a acrescentar. Não é um gênero restrito a grandes orçamentos. Tropa de elite é um grande filme de ação que não precisa ter explosão. É eletrizante do início ao fim”, compara.

Montagem rapidinha, garotas bonitas e humor são elementos que não faltam na filmografia de Dellape. Essa característica, digamos, estilística já existia quando ainda frequentava os bancos do curso de comunicação social da Universidade de Brasília (UnB), em produções universitárias como Papá, dirigido em parceria com Guilherme Campos com quem toca a produtora Lumiô Filmes.

Formado na UnB, Santiago Dellape foca nos filmes de ação e aventura: Afonso Brazza é uma influência(foto: Rafael Ohana/CB/D.A Press - 17/8/10 )
Formado na UnB, Santiago Dellape foca nos filmes de ação e aventura: Afonso Brazza é uma influência (foto: Rafael Ohana/CB/D.A Press - 17/8/10 )
As referências do Santiga (como é conhecido pelos amigos) são típicas dos cineastas da mesma geração. Irmãos Coen, Quentin Tarantino e Fernando Meirelles dividem as citações com Os Trapalhões e filmes da Sessão da tarde da década de 1980, como Aventureiros do bairro proibido, clássico de John Carpenter. “Não esquece de citar o Afonso Brazza. Isso é muito importante!”, requisita o diretor brasiliense fã do cineasta-bombeiro. Porém, nenhuma menção é feita aos vários livros de Charles Bukowski que Dellape mantém na estante de casa é feita.

“Nunca tive muito método para escrever um roteiro. Foi mais na base da inspiração. Fixar numa ideia e desembestar a escrever. Definitivamente, o que aprendi ao longo da carreira foi que o roteiro é a parte mais importante de um filme. A última coisa que fiz para me aprimorar foi o curso de roteiro ministrado pelo Robert McKee, em maio, em São Paulo. Me deu outra visão sobre roteiro”, admite.

O descompromisso dos personagens criados por Dellape exige trabalho obsessivo do criador. Durante as filmagens de Bem vigiado, ele chegou a dormir algumas noites num escritório no Conic só para sentir o clima do lugar. Na série Nada consta, a vocação dos monumentos arquitetônicos de Brasília como cenário futurista em comédia sci-fi foram explorados ângulo a ângulo. “Eu tento sempre me comunicar com a plateia. A nova geração de diretores está vindo com uma pegada de público forte”, analisa Santiago sobre o trabalho dos colegas Bruno Torres, Iberê Carvalho, Cássio Pereira dos Santos e João Paulo Procópio.

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