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Correio Braziliense

10º Mercado Cultural na Bahia se resume na palavra diversidade


postado em 07/12/2010 08:00

Salvador — É possível resumir o espírito do 10º Mercado Cultural na Bahia na palavra diversidade. O encontro se divide entre apresentações musicais e discussões sobre o mercado. Os “mercadores” culturais reunidos nos cinco dias de realização do evento não têm nada em comum. “Trabalhamos com programação de risco. Não é uma zona de conforto. Não colocamos doce na boca do público. Cultura também é provocar”, definiu o curador e diretor do encontro, Benjamin Taubikin.

Pelo palco do Teatro Castro Alves passaram artistas de várias nacionalidades e estilos. Coreanos, marroquinos e europeus se apresentaram em maratonas de shows e performances pela cidade. A polifonia estava nas nacionalidades, nos gêneros musicais, mas também nos diferentes idiomas falados entre os participantes. Num passeio de van era possível ouvir, ao mesmo tempo, conversas em espanhol, inglês ou francês. Mas, foi mesmo o idioma de Camões que encantou a cantora de Cabo Verde, Carmen Souza. “É tão bom atravessar o Atlântico e descobrir que aqui também se fala o português. A viagem dá um bocado da dimensão do que as caravelas portuguesas fizeram. Nossa viagem de avião durou 11 horas. Imagine como era isso naquela época. É muito bom chegar aqui e sentir um pouco da cultura portuguesa. Sinto-me quase em casa”, definiu a cantora nascida em Lisboa mas, de origem cabo-verdiana.

Quem também encurtou distâncias foi o austríaco Mathias Loibner, dono do rótulo de excêntrico da vez. Tocando um instrumento chamado hurdy gurdy (viola de roda), Loibner citou sua pedra de estimação para explicar uma composição sobre “a necessidade de nos importarmos com coisas que são realmente importantes”. “Essa música eu fiz pensando numa árvore que caiu dentro de um poço no pântano. Depois de milhares de anos, sua casca ficou muito valiosa”, explicou sobre outra composição. Esquisitices à parte, Loibner conseguiu criar empatia com o público que lotou o Castro Alves na noite de sexta-feira.

Futuro
“A única coisa em comum entre os artistas é que escolhemos somente atrações de altíssimo nível. Já sobre a seleção de artistas brasileiros, me parece que existe uma proposta de avanço, que mira o futuro”, acredita Taubikin. É o caso da cantora paulistana Tulipa Ruiz. Antes mesmo de se apresentar na Bahia, ela já tinha caído no gosto dos moderninhos da “Soteropólis”. O público formado por garotos e garotas de 20 anos entoava em coro todas as canções do álbum Efêmera. “É bom ver que o disco viaja antes da gente”, observou Tulipa no palco do Teatro Boa Vista. Em entrevistas, a cantora batizou o próprio som de “pop florestal”. “Eu cresci no interior de Minas Gerais e fui viver em São Paulo para fazer faculdade. Meu som é uma pororoca das duas cidades”, classificou a filha do guitarrista Luiz Chagas, participante da vanguarda paulistana de 1970.

O encontro deste ano foi encerrado com performance do multi-instrumentista Egberto Gismonti. Desta vez, como regente da Orquestra de Sopros Pró Arte, do Rio de Janeiro. Gismonti adotou o grupo formado por adolescentes após a morte da flautista Tina Pereira, fundadora do grupo. “O bom de me apresentar com eles é que parece que estou tocando com o futuro. É muito diferente de me apresentar com os músicos da minha geração”, elogiou o músico que completava 63 anos no domingo, dia da apresentação.

A repórter viajou a convite da produção do evento

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