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Caixa de discos Tim Universal Maia resgata clássicos do começo da carreira


postado em 24/12/2010 07:40 / atualizado em 24/12/2010 07:45

Ao longo de quase três décadas de vida discográfica, Tim Maia passou por diversas gravadoras. Teve problemas com todas elas. Sendo assim, reunir os discos do cantor é tarefa das mais complicadas — uma caixa com tudo de Tim Maia não só seria impossível como um exagero dispensável, já que nem toda obra do Síndico é essencial. Tim Universal Maia chega perto do que seria uma caixa com o melhor do músico, justamente o começo de sua carreira, período no qual lançou LPs pela Polydor (hoje no acervo da Universal Music, daí o nome que batiza a caixa).

(foto: videolar.com/Reprodução da internet)
(foto: videolar.com/Reprodução da internet)
Os quatro primeiros discos, em especial, são muito bem-vindos mais uma vez ao formato digital. Lançados em CD no começo da década de 1990, eles estavam fora de catálogo desde então — à exceção do primeiro, relançado já nos anos 2000. Todos os oito álbuns de Tim Universal Maia foram remasterizados e estão com ótimo áudio. Os encartes têm as letras das músicas e as fichas técnicas dos álbuns. Um livreto com textos assinados pelo jornalista Silvio Essinger contextualiza cada um dos discos, ajudando a entender a evolução do músico e o desenrolar de sua carreira. Pena as páginas não virem acompanhadas por fotografias de Tim nos tempos áureos. Fotos do cantor em cima do palco, no estúdio ou em sua vida privada enriqueceriam muito o material encaixotado. Mas se for para reclamar de alguma coisa — como, aliás, Tim adorava fazer — seria do fato de a caixa não vir com um disco de sobras, raridades ou faixas que não estão presentes nos álbuns, mas que foram lançadas em compactos, coletâneas ou trilhas de novelas (a exemplo do que foi feito na caixa de Jorge Ben Jor, lançada há um ano pela mesma Universal).

DISCO A DISCO

TIM MAIA (1970) ***** Hits: Primavera (Vai chuva), Coroné Antônio Bento e Azul da cor do mar Tim voltou dos Estados Unidos escolado em black music e mostrou muito do que aprendeu por lá (r&b, gospel, soul) nas canções de seu LP de estreia. Mas o grande trunfo do compositor e intérprete vai além do domínio da linguagem musical americana. Com habilidade e naturalidade, Tim traduziu a música negra americana para a cultura brasileira, criando, de certa forma, um novo idioma sonoro (muito influente e imitado, jamais superado). Um clássico indispensável em qualquer coleção. TIM MAIA (1971) **** Hits: Festa de Santo Reis, Não quero dinheiro (só quero amar) e Você Com a maior naturalidade, Tim Maia aclimatou a música negra americana (e ainda injetou ritmos nacionais, como o baião, em sua inigualável mistura). No segundo álbum da discografia, o cantor vai além, adicionando doses maiores de suingue nas composições — aliás, é aqui que o funk começa a aparecer com mais proeminência na obra do cantor. O disco tem menos pontos altos do que o anterior. Ainda assim, é uma aula de groove, composição e arranjos (sopros e, especialmente, cordas). TIM MAIA (1972) **** Hits: Canário do reino e O que me importa A melancolia sempre foi ingrediente dos discos de Tim Maia. E as dores de amor renderam algumas das melhores faixas de seu disco de 1972 — caso da dobradinha Where is my other half e Lamento ou a quase blues Sofre. Razão de sambar marca o primeiro flerte de Tim com o samba. Originalmente, These are the songs (canção que lançou Tim no mercado fonográfico) é um dueto com Elis Regina. Aqui, a faixa (em novo registro, sem a cantora) encerra o disco. TIM MAIA (1973) *** Hits: Gostava tanto de você e Réu confesso Em 1973, Tim e banda estavam no auge de suas forças — o que ajuda a entender o altíssimo nível musical que alcançariam logo depois, com os dois volumes de Tim Maia Racional (o período mais funk do cantor). Aliás, a vida pessoal e a carreira do cantor precisavam de uma sacudida — à época, sua fórmula musical, ainda que não mostrasse sinais de desgaste, começava a soar repetitiva. Difícil, no entanto, reclamar de um disco que tem Gostava tanto de você e Réu confesso. TIM MAIA (1976) *** Hit: Rodésia Passada a fase racional (com dois discos que só seriam devidamente reverenciados 25 anos depois), Tim, de baterias renovadas, volta a cantar amores, desilusões e alegrias. No instrumental, o cantor e sua banda continuam investindo pesado no funk (Rodésia) e roçam a discoteca (Me enganei, Brother, father, sister and mother) que tomaria o mundo nos anos seguintes (Tim lançaria seu Tim Maia Disco Club em 1978). TIM MAIA (1980) ** Hits: Você e eu, eu e você — Juntinhos A disco-funk Você e eu, eu e você — Juntinhos foi o grande sucesso do álbum lançado em 1980. Aqui, a voz de Tim soa como soaria nos próximos anos: mais aberta e com menos nuances. A sonoridade do álbum também apresenta o direcionamento artístico do cantor ao longo daquela década, com timbres mais modernos e sintetizados, crédito dos produtores Robson Jorge e Lincoln Olivetti — dupla que se tornaria referência naquele período e trabalharia com boa parte da MPB. O DESCOBRIDOR DOS SETE MARES (1983) *** Hits: O descobridor dos sete mares e Me dê motivo Um dos grandes clássicos da black music brasileira, a faixa-título foi o grande hit do álbum (a música voltaria fazer sucesso, na voz de Lulu Santos, anos depois). Felizmente, esse não é o único ponto alto do álbum. A balada Me dê motivo entrou para o repertório dos shows até o fim da vida do cantor — nela, Tim faz um de seus famosos discursos (“Até que a mulher que a gente ama vacila e põe tudo a perder…”). SUFOCANTE (1984) *** Hit: Bons momentos Na capa do disco, uma das imagens mais conhecidas de Tim (sorriso largo, bigode, corte de cabelo mullet). Ouvindo hoje, os timbres dos instrumentos e a produção oitentista soam ainda mais datados — na época, ao contrário, eram um exemplo de modernidade. Isso não impede Sufocante de ter seus destaques. A faixa-título e Bons momentos são dois deles. A divertida Ga-gaguejando é outro. Em Amor verdadeiro e Venha ser minha mulher, Tim faz o que sabia como ninguém: cantar desilusões amorosas. TIM MAIA IN CONCERT (DVD) Acompanhado de orquestra e da Banda Vitória Régia, Tim desfilou seus hits em show realizado em 1989, no Hotel Nacional (Rio de Janeiro), diante de plateia vip e das câmeras da TV Globo. Da apresentação, 11 músicas foram parar na edição do especial de tevê que, em 2007, saiu em DVD pela primeira vez. Dentro da caixa Tim Universal Maia, as faixas Vale tudo, Do Leme ao Pontal e Sossego só estão presentes aqui. Um bom registro das idiossincrasias, do bom humor e do suingue a toda prova de Tim Maia ao vivo.

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