Publicidade

Estado de Minas

Texto de Sófocles ganha adaptação acelerada em RockAntygona

Espetáculo chega a Brasília na sexta-feira


postado em 02/02/2011 07:43 / atualizado em 02/02/2011 07:52

Luís Melo interpreta Creonte:
Luís Melo interpreta Creonte: "É uma versão pocket, que tem o batimento eletrizante de um show de rock" (foto: Camilla Coutinho/Divulgação )
Contrastes humanos universais com um polimento pop. A tragédia Antígona, escrita por Sófocles na Grécia antiga (há mais de 2.400 anos), chega a Brasília com um temperamento diferente do tradicional. A adaptação RockAntygona, escrita por Caio de Andrade e dirigida por Guilherme Leme, aproveita-se da história original, mas caminha em outro ritmo, acelerado à maneira da modernidade. “Quando a tragédia apareceu na Grécia, era para uma multidão, em estádios, festivais. As pessoas viam, às vezes, três peças seguidas, e elegiam a melhor. Tinha a pulsação de um grande festival de música, de rock. Foi isso que a gente tentou passar nessa releitura”, comenta Leme. O espetáculo, depois de passar por Rio de Janeiro, São Paulo e Ribeirão Preto (SP), estreia na cidade nesta sexta-feira e fica até domingo, com sessões às 19h e às 21h, na Caixa Cultural. No papel de Creonte, ocupante do trono de Tebas, está o experiente ator Luís Melo. Ele incorpora um tirano inabalável. Os traidores e revoltosos, mortos em combate, não têm direito a um sepultamento digno. São deixados a esmo. Antígona, filha de Édipo representada por Larissa Bracher, desrespeita o decreto: quer enterrar seu irmão, Polinice, mesmo que isso signifique a própria morte. Na relação tensa estabelecida entre os dois, aparece Hemon (Armando Babaioff), filho de Creonte e pretendente de Antígona, que tenta conter a ira do pai e proteger a noiva. Leme conta que o principal desafio em RockAntygona foi romper com a rigidez do material de origem. “O processo tem a cara de todo mundo, foi muito colaborativo. Ficamos dois meses só praticando exercícios, procurando caminhos para contar essa história. Esteticamente, é bem apolíneo. O papel dos atores é vir com as vísceras, para quebrar com essa linearidade da parte cênica, da encenação”, explica. Pulsação musical A montagem, porém, não traz mudanças na estrutura da história. A tragédia apenas adquiriu uma sensibilidade contemporânea, segundo Luís Melo. “A gente procurou ser o mais fiel possível. Na realidade, tentando tirar do texto e procurar o essencial. Sei que é difícil trabalhar em cima de um clássico. A releitura é uma versão pocket, reduzida, que não deixa nada de fora, mas que tem um efeito rápido, com o mesmo batimento eletrizante de um show de rock”, vibra o ator. O elemento que dá à peça a tonalidade roqueira é a trilha sonora, chefiada pela banda carioca Vulgue Tostoi. O corifeu (líder do coro, na tragédia grega) é Marcello H., que comanda um coro-DJ durante a encenação. A experiência, na opinião de Melo, provoca rupturas e impulsiona novos estímulos. “É difícil ser sintético, simples. As passagens, de uma ação pra outra, em que naturalmente você teria a narração do coro, a entrada de alguns personagens é feita pela música. O espetáculo tem poucas cenas, e cenas de embate. Para o ator, a ligação delas é interna. A externa é feita pela dramaturgia sonora, que a gente substituiu pelo coro-DJ, um personagem-mídia”, descreve. Nos ensaios, o diálogo entre música e interpretação exigiu esforço e repetição. “Um exercício fantástico. Mas até chegar ao resultado final, foi difícil. Foi um processo bastante provocativo”, opina. Melo espera que o público se envolva e “respire com o espetáculo”. O estranhamento inicial da plateia diante da nova versão de Antígona pode ser o mesmo que a tragédia clássica provoca com suas primeiras cenas de impacto, violentas e apaixonadas. “Quando você monta um clássico, as pessoas vão pra ver qual é a sua visão. E elas vão se surpreender. Vão pensar que é um show de rock. O espetáculo tem uma dinâmica, um batimento, é levado às últimas consequências nessa proposta”, completa. ROCKANTYGONA Espetáculo baseado na tragédia Antígona, de Sófocles. Direção: Guilherme Leme. Com Luís Melo, Larissa Bracher, Armando Babaioff e Marcello H. Sexta, sábado e domingo, às 19h e às 21h, no teatro da Caixa Cultural (SBS, Qd. 4, Lote 3/4). Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia). Não recomendado para menoresde 14 anos. Informações: 3206-6456.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade