Diversão e Arte

Colin Firth deixa para trás o passado de coadjuvante e briga pelo Oscar

postado em 20/02/2011 07:00
Colin Firth com o prêmio britânico Bafta: o ator também conquistou o Globo de Ouro e a estatueta do sindicato dos atores  de HollywoodA uma semana do Oscar, a lista de favoritos à premiação mais tradicional de Hollywood ainda desperta um punhado de dúvidas. Em tese, o filme britânico O discurso do rei está muito à frente da concorrência. Mas há quem acredite numa reação de A rede social (o preferido da crítica) e Bravura indômita (o faroeste azarão). Entre as atrizes, a vitória de Natalie Portman, por Cisne Negro, parece certa ; pelo menos se Annette Bening, ignorada três vezes pela Academia, não somar pontos por teimosia. Melhor filme estrangeiro? Imprevisível. Pelo menos num quesito, no entanto, especialistas e palpiteiros são unânimes: só uma zebra tiraria de Colin Andrew Firth o troféu de melhor ator.

O inglês de 50 anos disputa o principal holofote da indústria cinematográfica com Javier Bardem (Biutiful), Jesse Eisenberg (A rede social) e James Franco (127 horas). Mas o candidato que lhe oferece algum perigo, curiosamente, é Jeff Bridges (Bravura indômita), que superou Firth em 2010 nessa mesma categoria. Na ocasião, o britânico foi indicado graças à performance contida de Direito de amar, melodrama assinado pelo estilista Tom Ford. Perdeu para o cantor country desleixado, decadente, defendido por Bridges em Coração louco. Desta vez, no entanto, o jogo inverteu. Pela interpretação de George VI em O discurso do rei, o britânico de Hampshire acumulou mais de 20 prêmios ; entre eles, o Globo de Ouro, o Bafta e a estatueta do sindicato dos atores de Hollywood. De lambuja, conquistou uma estrela na Calçada da Fama.

Eleito o melhor de 2010 por associações de críticos de Nova York e Los Angeles, Firth fez mais: enterrou em definitivo um estigma que o perseguia desde que estreou nas telas, em meados dos anos 1980. No cinema britânico e nos grandes estúdios americanos, o intérprete sempre foi considerado ;apenas; um respeitável coadjuvante. Poucos foram os papéis de destaque numa carreira que já conta com mais de 60 filmes ; para a telona e a tevê, onde brilhou em 1995 na minissérie Orgulho e preconceito. Até Direito de amar, a imagem de bom moço, ideal para personagens engomadinhos, prejudicou a trajetória do astro. Num dos papéis mais conhecidos do público, em O diário de Bridget Jones (2001), ele é o homem ;para casar;: o pretendente sério, bem-sucedido, mas sem o ;sex appeal; do adversário, Hugh Grant. Um tipo às vezes terrivelmente comum.

O perfil austero do ator pode não provocar faíscas em fitas românticas, mas se adapta perfeitamente à pompa de produções de época ; principalmente a tipos aristocráticos como o protagonista de Valmont ; Uma história de sedução (1989) e o Lorde Wessex, de Shakespare apaixonado (1998). É em O discurso do rei, entretanto, que Firth prova total afinidade com a imponência dos nobres. Com a missão de garantir profundidade dramática a um rei gago, incapaz de encarar o microfone e se dirigir ao povo do Reino Unido, o ator é o maior responsável por imprimir verossimilhança a um filme cujo roteiro recebeu reprimendas por tingir a monarquia com tons amenos, róseos.

Para compor o personagem, Firth se inspirou nas experiências do roteirista David Seidler, que enfrentou a gagueira na infância, e buscou o monarca elegante que submergiu na figura muitas vezes risível de um líder que, à primeira vista, parecia hesitante, frágil. ;O mais dolorido na história de George VI é que, quando você lê o que ele escreveu, descobre um homem sutil, com uma esperteza, um senso afiado de ironia. E ele era considerado um tolo simplesmente porque não conseguia expressar tudo isso. Era um homem quase invisível;, contou à BBC. Pai da rainha Elizabeth II, o poderoso recorreu a um terapeuta de fala (Geoffrey Rush) para superar a crise pessoal.

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