Publicidade

Estado de Minas

Natalie Portman vai da inocência à fúria no filme Cisne Negro


postado em 25/02/2011 07:01 / atualizado em 25/02/2011 08:34

(foto: Fox Searchlight/Handout/Reuters - 25/1/11)
(foto: Fox Searchlight/Handout/Reuters - 25/1/11)
Pouco antes de completar 18 anos, Natalie Portman tomou uma decisão que, à primeira vista, não surpreenderia nenhuma adolescente de sua idade: com ótimas notas no colégio, resolveu se dedicar à vida universitária. Matriculou-se no curso de psicologia da Harvard (após dispensar o convite de Yale, outro câmpus de prestígio nos Estados Unidos) e cancelou todos os compromissos que prejudicariam os estudos. O tipo de esforço que orgulha a família e garante bons empregos. Mas, quando virou notícia, a escolha da estudante provocou incredulidade. Isso porque, em 1999, Natalie já parecia viver uma realidade à parte: era uma revelação das telas, um dos nomes no cartaz da superprodução Star wars: Episódio 1 — A ameaça fantasma. E, para brilhar em Hollywood, de que vale um diploma?

A um jornalista do New York Post, curioso sobre os planos acadêmicos da atriz, ela foi direta: “Não me importo se a universidade arruinar minha carreira. Prefiro ser inteligente a ser uma estrela de cinema”, afirmou. Dez anos depois, nos preparativos para Cisne Negro, Natalie se viu diante de uma ironia do showbusiness: os conhecimentos de psicologia ajudaram na composição de Nina, uma personagem que ela descreve como obsessiva-compulsiva. “O filme é um teste psicológico para o público. Uma pessoa dirá que ele trata de um determinado assunto. A outra dará um veredicto completamente diferente”, explicou ao jornal The Telegraph. Na tela, porém, uma imagem vale por mil interpretações: a menina de aparência angelical se transforma definitivamente num mulherão.

Pode-se concluir que, para Natalie, o filme de Darren Aronofsky (Réquiem para um sonho) representou um rito de passagem. E não apenas profissional — no set, contracenou com o coreógrafo e bailarino Benjamin Millepied, com quem noivou e de quem está gravida do primeiro filho. Antes das filmagens, enfrentou um desafio físico: exercitou-se de cinco a oito horas por dia para descrever os movimentos de Nina, uma bailarina transtornada pelo desejo de perfeição. O empenho no longa foi tão intenso que, desde a fase inicial do roteiro, a atriz ajudou a definir os rumos da trama. O desfecho apoteótico do filme, por exemplo, foi ela quem ajudou a criar. “Gosto de trabalhar com diretores que perguntam ‘o que você acha?’ e estão interessados na resposta”, comentou ao site Film.com.

A dedicação da intérprete, que completa 30 anos em junho, foi recompensada com um Globo de Ouro, um Bafta e um troféu do sindicato dos atores de Hollywood. No Oscar, sai como favorita. Em 2005, foi indicada a uma estatueta de coadjuvante por Closer — Perto demais, mas perdeu para Cate Blanchett (O aviador). No próximo domingo, a principal adversária é Annette Bening (Minhas mães e meu pai). Mas a disputa, desta vez, parece mais fácil. Numa atuação sem estribeiras, Natalie embarca numa cena de sexo esquentada com Mila Kunis (trecho que faz sucesso no YouTube), mergulha na degeneração física da personagem e se transforma praticamente em duas, ao espelhar as transformações da protagonista de O lago dos cisnes, que vai quase literalmente do céu ao inferno.

Ousadias
Não é de hoje que papéis arriscados atraem a atriz israelense — nascida Natalie Hershlag em Jerusalém e criada nos Estados Unidos desde os 3 anos de idade. Aos 13, estreou no cinema como uma órfã que, sem ingenuidade infantil, faz amizade com o matador de meia-idade interpretado por Jean Reno. A relação dúbia entre o casal provocou certa polêmica à época do lançamento. Mas a atriz cresceu ousando: foi a Israel para refletir sobre os conflitos do Oriente Médio em Free zone (2005), raspou a cabeça para viver a heroína de V de vingança (2005), treinou pole dance para viver a stripper de Closer — Perto demais (2004) e até pagou o preço pelos riscos, ao se engessar na rainha Padmé Amidala, de Star wars. “Não frequentei escola de teatro. Todos os erros que cometi apareceram para o público. E acho que isso é bom. Errar tira o meu medo de errar. Você descobre que não é um grande problema”, comentou.

Quando não está atuando em filmes ou no teatro, Natalie também evita futilidades: defende a luta contra a pobreza e campanhas ambientais (em 2009, depois de ter lido Comer animais, de Jonathan Safran Foer, virou vegetariana) e gerencia uma produtora independente de cinema em Los Angeles (a Handsomecharlie Films). Aos 27, estreou na direção com um curta exibido no Festival de Veneza. Para desenvolver os projetos pessoais, enfrenta o turbilhão de Hollywood: está na comédia romântica Sexo sem compromisso, que estreia em 18 de março, e na aventura Thor, uma das superproduções de 2011, mas mantém uma rotina à margem das manias de celebridades. “Gosto de ir ao cinema, andar no shopping. Manter minha rotina comum. As pessoas se entediam com a minha imagem de garota boazinha. E acho isso ótimo”, disse. Depois de Cisne Negro, ninguém verá esta boa menina da mesma forma.

CISNE NEGRO
(Black swan, EUA, 2010, suspense, 108min, não recomendado para menores de 16 anos). De Darren Aronofsky. Com Natalie Portman, Mila Kunis e Vincent Cassel. Veja salas e horários no caderno Divirta-se.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade