Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Montagens exibem tendências e estilos da cena contemporânea no CCBB

Há seis anos, Brasília e Londrina estabeleceram uma sólida ponte quando o assunto é teatro. Esse é o período em que um dos mais importantes festivais do gênero, o Festival de Teatro de Londrina (Filo), compartilha parte de suas atrações com a plateia brasiliense. O braço local da mostra paranaense, batizada de Mostra Internacional de Teatro (MIT), inicia hoje sua programação, que segue até 26 de junho, no Centro Cultural Banco do Brasil, e conta com quatro espetáculos, provenientes da Argentina, Portugal, Finlândia e Alemanha. ;A parceria tem dado bastante certo. Temos tido repercussão positiva do público e do próprio CCBB. A mostra já está consolidada no calendário da cidade;, acredita Luiz Bertipaglia, responsável pela curadoria dos eventos.

A mostra, que já trouxe nomes de peso do teatro internacional, como o diretor britânico Peter Brook e Odin Teatret, companhia de Eugeniko Barba (Dinamarca), tem por princípio misturar estilos e não se prender a nenhum tema específico. ;Em Brasília, seguimos a linha do Filo, de incluir todas as formas de manifestação teatral, permitindo a diversidade de propostas e estilos;, afirma Bertipaglia. Além de Brasília, a cidade de São Paulo também receberá artistas do festival paranaense. Em edições anteriores, a mostra internacional também levou uma fatia do evento ao Rio de Janeiro.

A peça que inaugura a programação, em cartaz de hoje a domingo, é Amar, do argentino Alejandro Catalán, referência em Artes Cênicas na América Latina e responsável pela formação de uma infinidade de atores portenhos. Na montagem selecionada para o festival, ele oferece uma atuação crua e real, em um espetáculo de texto e atores, em que eles mesmos iluminam a cena, revelando o jogo teatral aos espectadores. ;Ele aposta em um trabalho de dramaturgia, direção e atuação, com texto contundente, geralmente sobre relacionamentos. A iluminação experimental que ele propõe já ganhou prêmios;, afirma o curador.

Outras palavras

O roteiro recomeça na próxima semana (16 e 17), com Persona, espetáculo português que recria o filme de mesmo nome, clássico de Ingmar Bergman, que trata da relação entre uma jovem e sua enfermeira. Tendo como base essa produção experimental, o Teatro Turim, de Portugal, decidiu usar o filme como uma partitura. Enquanto as cenas originais da película são exibidas ao fundo, os atores encenam a história em primeiro plano, dando ao espectador a possibilidade de escolha: filme ou peça? ;O diretor João Canijo é um cineasta que eventualmente dirige teatro. Ele conseguiu imprimir esse diálogo ousado e arriscado entre cinema e teatro, criando um espetáculo muito elegante visualmente;, destaca o curador da mostra.

Nos dias 18 e 19, chega à cidade o espetáculo Keskusteluja, da companhia finlandesa WHS. Apoiado em múltiplos recursos artísticos, como malabarismo, marionetes, interações com vídeos, ilusionismo e dança, o malabarista Ville Wallo e o mágico Kalle Hakkarainen refletem sobre a incomunicabilidade. ;Esse é o único grupo da mostra que já esteve em Brasília. Eles se consideram representantes do Novo Circo e fizeram um espetáculo muito visual, sem qualquer texto;, afirma Bertipaglia.

O encerramento, de 23 a 26, ficará por conta de Teatro delusio, da trupe alemã Familie Fl;ez. Na montagem, eles brincam com as facetas do universo teatral, palco e bastidores, e criam um espaço mágico. Três atores trocam de roupa em um ritmo vertiginoso e dão vida a inúmeros personagens, todos em busca da felicidade. ;A característica deles é o uso de máscaras. O público não vê a face real dos atores. Eles encantam especialmente pelo capricho no cenário e no figurino, e pela história singela;, conta o curador.