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Estado de Minas

Exposição O espaço aberto faz reflexão sobre os limites da obra de arte


postado em 05/07/2011 09:38

Escultura de Eliane Prolik: peça vazada imprime sensação de transparência(foto: Brasílio Wille/Divulgação )
Escultura de Eliane Prolik: peça vazada imprime sensação de transparência (foto: Brasílio Wille/Divulgação )
As paredes brancas da galeria podem ser o limite físico, mas existe um outro que não se rende à fronteira de tijolos e doma o espaço conforme a idealização do artista. É esse o universo de interesse da curadora Ana Rocha. Ela quer entender até onde é possível uma obra subverter a estrutura de um espaço a partir de uma perspectiva poética, mas também física. Foi esse o termômetro para convidar Eliane Prolik, Cléverson Sálvaro, Deborah Bruel e Joana Corona e incutir nos artistas a missão de criar uma obra especialmente projetada para as galerias Piccola 1 e Piccola 2 da Caixa Cultural. O espaço aberto inaugura hoje com uma proposta de site specific para um espaço estreito e de difícil manipulação.

As duas galerias têm estruturas de corredores e é difícil imaginar alguma outra configuração com paredes tão próximas umas das outras. “Eu queria uma exposição em que a obra é uma intervenção no espaço. É uma reflexão sobre os limites da obra de arte. Então escolhi artistas que já vinham trabalhando com isso”, avisa a curadora.

Perspectivas
Para brincar com área de tamanho reduzido, Deborah manipula perspectivas. Um jogo de espelhos serve de instrumento para confundir o público a induzir à percepção de profundidades muito maiores que as originais. Na Caixa, Deborah fotografou parte da galeria e plotou a imagem na parede para provocar a sensação de amplitude. Um espelho completa a obra. “A tendência é que o espaço expositivo não interfira nos trabalhos e tenho sempre essa vontade de fazer o espaço aparecer. A arquitetura do lugar é o que me interessa”, explica a artista.

O volume da escultura de Eliane engana tanto quanto os espelhos de Deborah. Com 12m de comprimento, a peça é grande e toda vazada, o que confere um aspecto de transparência à escultura. “E esse aspecto dá uma leveza ao olhar”, avisa Ana. Joana brinca com a mesma ideia ao tomar sua formação em letras como base para a intervenção. Suas letras vazadas e translúcidas projetadas na parede dialogam de maneira perspicaz com o trabalho de Eliane.

Já Cléverson é o mais radical do grupo. Não lhe basta o aspecto reto e monótono do corredor. Ele não reconhece o espaço e cria uma curva com placas de MDF para quebrar a rigidez da galeria. “O percurso normal dos espectadores num espaço não é muito percebido pelo próprio público e meu trabalho é um gesto muito simples que amplifica a percepção desse gesto de caminhar pela galeria.”


O ESPAÇO ABERTO

Exposição de obras de Eliane Prolik, Cléverson Sálvaro, Deborah Bruel e Joana Corona. Curadoria: Ana Rocha. Abertura hoje, às 19h, nas galerias Piccola 1 e Piccola 2, na Caixa Cultural (SBS Qd 4 Lote 3/4)

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