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Estado de Minas

O pesar dos amigos e admiradores de Billy Blanco


postado em 09/07/2011 08:00

Mestre discreto da bossa nova, Billy Blanco tratava a música com imenso carinho: era um observador das coisas simples e um letrista moderno, ao mesmo tempo bem-humorado e comprometido com versos que comentavam aspectos do cotidiano. Artistas e amigos receberam com pesar o falecimento do músico e compositor paraense, que foi velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, no começo da tarde de ontem. O corpo foi cremado no Cemitério do Caju.

Reco do Bandolim, presidente do Clube do Choro de Brasília, conta que chegou a quebrar o protocolo da casa, reservada para a música instrumental, para acolher uma apresentação de Billy. “Houve uma possibilidade, há cinco anos, que para nós foi motivo de orgulho. Ele tinha admiração pelo nosso trabalho, era uma pessoa que levava a música muito a sério. Desde estudante, tinha um capricho no português, sempre tirava as melhores notas nas redações. Depois, ele ficou impressionado com Noel Rosa e Vadico, sobretudo com o zelo que Noel tinha com as letras. E ele deu sequência a isso. A obra dele reflete isso”, acrescenta.

A intérprete Dóris Monteiro teve amizade de meio século com Billy: a proximidade artística extrapolou a parceria iniciada nos palcos. “Ele me deu grandes sucessos, como Mocinho bonito e A banca do distinto. O que falar numa hora dessas? A gente sabe que tudo aqui é transitório, devia estar acostumado com isso. Era uma pessoa alegre, brincalhona, sempre fazendo piadas, alegrando todo mundo. Embora tivesse 87 anos, tinha um espírito de 30, 40. As composições são lindas, ele era maravilhoso. Para mim, foi um dos melhores”, diz.

Roberto Menescal, um dos protagonistas da bossa nova, acredita que todos que participaram do movimento foram influenciados pelo olhar delicado de Billy sobre a vida comum. “Nós todos tivemos, tanto como letrista quanto como músico. Mas a diferenciação dele está na letra. Ele foi um cara que, como nós, falava da vida, do dia a dia. Qualquer coisa que acontecia ele transformava em música. Ele é de uma classe especial: a do cronista-letrista”, define.

O cantor e compositor Sérgio Ricardo conta que não dá para comparar Billy com nenhum outro artista da música brasileira. “Não acho que cada um tenha que ter uma posição definida, sabe? Cada um tem um estilo. Ele foi um observador interessante da sociedade, dos costumes, tinha sempre a perspicácia de observar muito as coisas”, analisa.

Entre as criações de Billy, o sambista Carlos Elias destaca a Sinfonia do Rio de Janeiro, feita em parceria com Tom Jobim. “Fizeram uma obra maravilhosa, com uma superorquestra, um coral de famosos. Uma obra muito importante, que, infelizmente, não é muito tocada”, lembra. “Billy já era moderno antes de a bossa nova existir”, sentencia.

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