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Estado de Minas

Falta de originalidade é superada por boas atuações em Morde&Assopra


postado em 25/07/2011 10:17

Recheada de lugares-comuns, Morde & assopra se segura com boas atuações, como as de Adriana Esteves e Cássia Kiss(foto: Blenda Gomes/ TV Globo)
Recheada de lugares-comuns, Morde & assopra se segura com boas atuações, como as de Adriana Esteves e Cássia Kiss (foto: Blenda Gomes/ TV Globo)
Dinossauros e robôs já não são o foco de Morde & assopra como no início da novela. Muito menos os mirabolantes discursos sobre paleontologia ou os figurinos charmosos de Adriana Esteves, como a pesquisadora Júlia, à moda Indiana Jones. Mal se fala também em androides, robôs e na supertecnologia de ponta de Tóquio da história. Ou seja, toda a roupagem científica, que contrastava com as pesquisas e podia trazer um charme especial à trama de Walcyr Carrasco, se perdeu nos primeiros capítulos da trama. Atualmente, a lente do diretor de núcleo Rogério Gomes se concentra no contraponto do dramalhão com a comédia rasgada, já tão batido no horário das sete. Um dos destaques da trama é a entrega de Cássia Kiss (que agora assina Cássia Kis Magro) como a batalhadora Dulce. Absolutamente despida de vaidade, com uma prótese que simula dentes podres, a atriz se debruça no drama com uma comovente atuação: são dela as melhores cenas da história, desde que apareceu como a zelosa mãe que tenta amadurecer o filho Guilherme, bem interpretado pelo novato Klebber Toledo. Nessas tomadas, o embate se intensifica ainda mais quando entra em cena a segura Marina Ruy Barbosa, como a arrogante vilãzinha Alice. Com uma interpretação madura, a atriz se destaca de forma cada vez mais convincente e mostra que está pronta para enfrentar papéis mais fortes na tevê. Na carona da vilania, outras personagens sobressaem, como a divertida Celeste, de Vanessa Giácomo, pincelada com tintas mais suaves depois que começou a contracenar com o impagável André Gonçalves. Sua entrada na trama contribuiu para equilibrar grande parte do núcleo cômico da produção. Com trejeitos gays, mas sem cair no exagero, o ator tem atraído cada vez mais atenção para Áureo em uma atuação tipicamente apropriada para o horário, mesclando humor com uma afetação comedida. No entanto, o que falta na produção é originalidade. Com uma direção correta, mas sem tanta agilidade ou inovação, o folhetim é mais um que passa despercebido pela grade da emissora, como mais uma trama das sete que não sobressai com novidades tecnológicas, uma direção autoral ou uma história surpreendente. Muito pelo contrário. Desde que o autor Walcyr Carrasco deixou o horário das seis para assinar tramas das sete, também deixou para trás a irreverência cômica que permeava suas produções com um texto inocente e sedutor. Mesmo assim, algumas atuações do núcleo principal tentam trazer algum brilho à história, como Adriana Esteves com sua Júlia. A atriz protagonizou O cravo e a rosa, por exemplo, um dos melhores folhetins do autor na faixa das seis. Ao lado de seu amigo Ícaro, o médico vivido por Mateus Solano, eles fazem uma das melhores dobradinhas da produção, que tem marcado razoáveis 35 pontos de média. Sem exageros, ou caras e bocas, os atores conseguem convencer em papéis mais humanizados, que se tornam oásis em uma produção recheada de excessos e lugares-comuns.

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