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Estado de Minas

Ideias boas e simples abrem espaço para a criação de videoclipes


postado em 27/07/2011 10:29 / atualizado em 27/07/2011 10:52

Gravação do videoclipe Egoísmo, da banda Vitrine: um trabalho do cinegrafista Vitor Schietti(foto: Vitor Schietti/Divulgação)
Gravação do videoclipe Egoísmo, da banda Vitrine: um trabalho do cinegrafista Vitor Schietti (foto: Vitor Schietti/Divulgação)

Imagens frenéticas em movimento podem dizer mais do que uma letra de música. A primeira experiência do fotógrafo e diretor Alexandre Fortes com videoclipes ocorreu há nove anos. Segundo ele, o orçamento era praticamente zero. “Está no YouTube, se você quiser ver, mas não me orgulho de mostrar”, brinca o produtor que prefere esquecer esse episódio de seu passado audiovisual. Para ele, o avanço tecnológico proporcionou um aumento de qualidade e da quantidade de produções, mesmo daquelas realizadas a partir de recursos financeiros escassos.

“O negócio é você trabalhar com o que já tem”, aconselha o fotógrafo e cinegrafista Vitor Schietti, após finalizar o seu primeiro videoclipe sob encomenda, para a banda brasiliense Club Silêncio. Isso requer cortar gastos com elenco, figurino, locação e iluminação. “Uma boa ideia resolve”, resume. No vídeo da música Valis, a câmera subjetiva acompanha Gaia, a cadela branca de Schietti, a explorar o mundo. A lente metamorfoseia-se no focinho do animal. O filme foi concebido, filmado e editado em três dias. “Eles me pediram algo bem autoral”, conta o cinegrafista. Schietti utilizou uma máquina fotográfica Canon 5D Mark II. Também uma nova geração de câmeras digitais, como a 7D e a 2Di, está na moda para quem trabalha ou brinca com vídeo. “Anos atrás, vídeos de baixo orçamento eram mais difíceis, porque as câmeras eram mais caras”, argumenta.

No meio da rua
Seu mais recente videoclipe, Egoísmo, com a Banda Vitrine foi gravado há poucas semanas. “Faço esses trabalhos para ganhar portfólio, porque ainda estou me desenvolvendo nessa área”, explica o fotógrafo e cinegrafista que passou a cobrar pelo serviço que prestava à medida que se aperfeiçoava.


Fortes já não tem mais motivos para se envergonhar. Foi no meio da rua, sujeito aos imprevistos de uma madrugada, que ele gravou sua mais recente produção de baixíssimo custo. Em Frevo mascarada, música interpretada por Felipe Mello, Fortes optou pelo que chamou de uma linguagem mais orgânica, isto é, mais espontânea e natural. O som é captado simultaneamente à gravação da imagem. A partir de cinco sequências, Fortes editou as unidades que compõem o vídeo. “A gravação em estúdio é um tipo de linguagem que não requer muitos gastos, mas pode acabar tendo um resultado monótono”, justifica a opção pelo ar livre.

Qualidade
Desde que as máquinas fotográficas passaram a ser utilizadas comos câmeras de vídeo de alta qualidade, como a Canon HDSLR utilizada por Fortes, o diretor percebeu um aumento na demanda de bandas por videoclipes. Mas faz uma ressalva: “Não significa que você não tenha que estudar, adquirir cultura visual”. A alta qualidade é o que impressiona no videoclipe Oração, da Banda Mais Bonita da Cidade, de Curitiba. Mas a produção foi toda feita com base na colaboração de amigos. Mas nem sempre a boa vontade é benéfica. “Uma coisa é achar alguém que ajude, outra coisa é achar alguém que entenda e ajude. A pessoa que não é qualificada acaba atrapalhando”, disse.

O músico brasiliense Paulo Ohana contou com parcerias profissionais para dar forma audiovisual às suas composições. No mesmo dia, no estúdio da casa de um amigo no Lago Sul, a “equipe” gravou quatro vídeos que podem ser vistos no YouTube. A ideia partiu da amiga Karina Santiago, que queria se aperfeiçoar como diretora de videoclipes. “É uma convergência de interesses. Só teve o custo de eletricidade e deslocamento, mas tudo tendo em vista a divulgação do trabalho de cada um”, explica Ohana. A falta de recursos, contudo, não dispensou o apuro técnico. “Não adianta colocar um vídeo sem um bom tratamento. Tem que chamar atenção, senão passa despercebido no meio da overdose de informação”, defende.

EM TEMPO REAL
“A gente aqui no Móveis tem uma política: o mais importante é fazer”, conta o saxofonista da banda Móveis Coloniais de Acaju, Esdras Nogueira. Já faz algum tempo que ele se interessa pela edição dos vídeos da banda, uma das principais formas de divulgação do grupo musical fora de Brasília. “Existem coisas que não são profissionais e têm muita audiência no YouTube”, aponta. O último videoclipe dos Móveis, da música O tempo, baseou-se em uma ideia simples: transmitido em tempo real no portal da MTV, nele os músicos executavam uma estranha coreografia, enquanto grafiteiros escreviam em uma placa de vidro os nicks daqueles que “twitassem” a tag #TempoRealMoveisMtv durante a ação. Ao terminar, a sequência gravada foi acelerada e deu origem ao vídeo oficial. “O custo foi de R$ 5 mil, o que não é muito para a qualidade que ficou”, avalia.

 

Veja o clipe O tempo, com Móveis Coloniais de Acaju, dirigido por Steve ePonto 

 

 

Frevo mascarada, com Filipe Mello, dirigido por Alexandre Fortes

 

 

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