Engana-se quem pensa que a vocação para o rock está restrita ao coração do Distrito Federal. Ao redor de Brasília, a música pode até carecer de algum incentivo, mas sobrevive com bom humor, criatividade e, é óbvio, muito barulho. É o caso dos meninos do Ramasth, banda sediada no Riacho Fundo 1. Iniciado em 2009, o grupo gira em torno dos pesados acordes do death, trash e heavy metal e concentra integrantes de várias praças. Enquanto Eduardo (bateria) e Wellerson, o Maníaco (baixo), vivem na cidade, Ângelo (guitarra) vem do Riacho Fundo 2 e Wallan (vocal), da Candangolândia. E as apresentações também seguem um itinerário de várias paradas.
;Tocamos em outros lugares, como Planaltina, Gama, Ceilândia. Temos que ir correndo atrás. Com o contato com outras bandas, fica mais fácil conseguir mais espaços;, diz Ângelo, o caçula da família Ramasth, com apenas 19 anos. A média de idade do conjunto não passa dos 22. Em busca de outro guitarrista, para deixar o som mais carregado, o quarteto ensaia a partir das letras de Wallan e dos arranjos de Ângelo, que entrou como baixista e depois passou para a guitarra. Hoje, ele contribui com ideias para os dois instrumentos. Os integrantes ainda não gravaram nenhum trabalho em estúdio, mas já têm uma demo de quatro músicas, Território sobre a guerra.
Experiência e renovação
;É uma grande batalha mesmo;, define Lucas Alencar, vocalista da banda Zilla. Já conhecidos em Planaltina, cidade que abriga o death metal melódico do grupo desde 2002, os membros precisam vencer longas avenidas e estradas para serem ouvidos. No fim de julho, percorreram algumas dezenas de quilômetros até Brazlândia, para participar do pequeno festival Ovo Rock. ;Apesar da distância, tanto para show quanto para ensaio e gravação, a gente está bem satisfeito com o resultado;, observa Lucas.
Ao lado dos guitarristas Roberto Bodão e Mark Nagash, do baterista Glauco e do baixista Wagner Zói, ele lançou o disco Pragmatic evolution (independente, 11 faixas), em maio do ano passado. Mais recentemente, a Zilla acabou de finalizar o videoclipe da faixa Inner vision, dedicada aos fãs. Para o frontman, o reconhecimento na cena só vem com trabalho e movimentação pelo circuito. ;Sei que as coisas andavam meio estagnadas em Planaltina até pouco tempo atrás. Mas agora está retornando com força total, com eventos e oportunidades para grupos locais e de outras cidades. A seletiva do Porão do Rock, no ano passado, que levou a gente para o festival, deu uma animada no pessoal;, destaca.
Prova da diversidade de Planaltina é a sonoridade da descontraída The Nóis: um quarteto de punk que não despreza os ritmos brasileiros. Por isso, os fixos Marley (bateria e vocal), Luciano (baixo) e Alex (guitarra) juntaram-se ao percussionista Rogers Jonathan. ;Ele entrou há pouco tempo, para tentar dar uma cara nova;, detalha Marley. Fundado em 2008, o grupo também investe em shows performáticos. ;O Luciano é ator e está trazendo essa referência para o palco, com máscaras e caracterizações;, conta o baterista. Ele e Luciano são os ;vovôs; da turma, com 21 anos.
Engrenagens prontas
Desde que começou a arranhar os primeiros acordes, em 2005, a banda Dias Melhores, ironicamente, não teve vida fácil. Membros voláteis iam e vinham e o grupo foi perdendo fôlego. Ainda capitaneado pelos fundadores Wesley Schneider (bateria) e Allan Barros (baixo e vocal), o conjunto do Guará reviveu no ano passado, com a chegada de Daniel Macedo (guitarra e backing vocal) e Caio Cesar (guitarra e backing vocal). Cesar garante: ;A gente está percebendo mais cumplicidade entre todos;.
Com versos sobre amizade e amor, os integrantes gravaram um EP demonstrativo de sete faixas, de título homônimo. E já planejam um disco de 10 canções. ;A gente tem um home studio, do Wesley. Nós mesmos gravamos e mixamos. Às vezes fica inviável entrar em estúdio, é caro. E optamos por, primeiramente, fazer algo nosso, com a nossa cara e, se possível, do nosso jeito;, diz o guitarrista.
Todos os sons
O nome pode até soar como um paradoxo: Senhores do Nada. Pelo contrário. O quarteto de rock alternativo de Brazlândia coordena timbres de todos tipos e origens. Levam para o palco influências da MPB, como Belchior e Milton Nascimento, do pop, do Los Hermanos, do reggae e do rap. Anderson (bateria), Sóstenes (guitarra e vocal), Vitor (guitarra e backing vocal) e Bruno iniciaram os trabalhos do grupo, reunido em 2009. São eles que finalizam as plataformas de divulgação e as primeiras demos.
As apresentações só saem por conta própria. ;O último Ovo Rock, em que tocamos, teve apoio da administração regional, mas normalmente não é assim. A gente mesmo tem que montar equipamento. É bem complicado. Aqui não tem espaço para a galera do rock. Só se consegue na choradeira. Se as bandas não fizerem nada, não acontece nada;, explica Anderson. E elas só querem mesmo é ser ouvidas.