Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Artistas responsáveis por vanguardas do século 20 continuam em alta



Claes Oldenburg influenciou todos os artistas pós-minimalistas. Jasper Johns pintou a bandeira dos Estados Unidos e chamou atenção para a força dos signos. Gerhard Richter mostrou que a pintura pode ir muito além de tinta e pincel. O hiper-realismo de David Hockney vem de uma tradição marcante nos anos 1960 e 1970, e o minimalismo provavelmente não teria tanta relevância na história da arte não fossem as experiências construtivistas de Frank Stella. A morte de Lucian Freud, no mês passado, deixa órfãos uma série de artistas que herdaram da geração do ícone britânico a tradição da pintura, mas na esteira do neto de Sigmund Freud estão nomes ainda em atividade que ajudaram a construir a arte contemporânea como a que conhecemos hoje.

Se a liberdade de linguagens e temáticas se espalha por todas as cenas artísticas do planeta, muito se deve a nomes como Oldenburg, Johns, Stella e Hockney. O Diversão & Arte fez uma seleção dos grandes nomes da história da arte no século 20 que não cansaram de se reinventar e mantêm a produtividade e a atualidade até os dias de hoje. Todos nasceram entre as décadas de 1920 e 1940 e se dividem principalmente entre os perpetuadores da tradição pictórica e os responsáveis por fincar de vez a bandeira do conceitualismo na arte.


TRADIÇÃO PICTÓRICA
A história da pintura no século 20 é cheia de altos e baixos. A fotografia ajudou os artistas a reinventar a prática e inúmeras vezes a descrença fez os críticos proclamarem a morte da tela. Mas o enterro de fato nunca aconteceu e cada sentença trágica foi seguida por uma espécie de ressurreição. Nesse cenário nomes como James Rosenquist, Claes Oldenburg, Frank Stella, David Hockney, Jasper Johns, Richard Hamilton, Pierre Soulages e Fernando Botero têm lugar de honra. ;Mesmo quando saem da tela, eles mantêm uma tradição pictórica pensada para a bidimensionalidade. Quando saem da tela, o pensamento ainda é pictórico;, explica a historiadora Marília Panitz.

Jasper Johns, Estados Unidos, 81 anos
; O quadro Bandeira, uma encáustica (cera) pintada em 1954 mostrou ao mundo como Johns encarava os signos. ;Ele é o primeiro a chamar atenção para os signos. Imagens não são ícones, representações evidentes. E ele vem e pinta os signos. Com essa imagem da bandeira, mas também com a do mapa e do alvo, ele dá materialidade aos signos;, explica Agnaldo Farias, curador da 25; Bienal Internacional de Arte de São Paulo em 2011.

Claes Oldenburg, Suécia, 82 anos
; Oldenburg faz parte da geração que criou o expressionismo abstrato nos Estados Unidos, um momento importante da arte norte-americana do pós-guerra, quando o país tentava mostrar à Europa que também era capaz de ser berço de movimentos artísticos relevantes. Oldenburg era filho de um diplomata sueco, mas cresceu e fez carreira entre Chicago e Nova York.

Frank Stella, Estados Unidos, 75 anos
; Geometria e cores tomaram conta das pinturas de Stella entre os anos 1950 e os dias de hoje. Primeiro de maneira mais gestual, depois com um traço mais formal e rígido, o pintor procurou testar os limites da superfície plana da tela e é um dos nomes fundadores da abstração geométrica dos anos 1960, movimento que antecedeu o minimalismo. A escultura também configura parte importante da produção do artista, mas é na série das Black paintings, realizada a partir de 1958, que estão os princípios responsáveis por fazer de Stella um dos pintores mais importantes da cena americana do pós-guerra.

David Hockney, Inglaterra, 74 anos
; A pintura e as colagens de Hockney funcionam como investigações dos modos de ver do olho humano. Hiperrealista, admirador do cubismo e adepto de colagens, o pintor explora os diferentes pontos de vista de uma mesma imagem. Hockney nasceu com sinestesia e costuma ver cores quando estimulado musicalmente. Seu quadro mais conhecido ; A Bigger splash ; foi pintado em 1967 e seu nome foi frequentemente associado à arte pop.

Richard Hamilton, Inglaterra, 89 anos
; Andy Warhol ficou famoso por transformar em ícones da arte imagens populares como a da sopa Campbell e o rosto de Marilyn Monroe, mas não cabe a ele o pioneirismo na iniciativa. Foi Hamilton quem primeiro apresentou ao mundo da arte a possibilidade de se apropriar de imagens da cultura pop. Nas décadas de 1940, ele já se preocupava com a influência da mídia na sociedade e isso se refletia em pinturas, fotografias, colagens e instalações.