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Estado de Minas

Clássico A Divina Comédia, de Dante Alighieri, ganha três novas versões


postado em 16/08/2011 09:00

Desenho do pintor renascentista Sandro Botticelli, ilustrando edição publicada pela Ateliê Editorial(foto: Ateliê Editorial/Divulgação)
Desenho do pintor renascentista Sandro Botticelli, ilustrando edição publicada pela Ateliê Editorial (foto: Ateliê Editorial/Divulgação)

Inferno. Purgatório. Paraíso. Os três planos espirituais concebidoss por Dante Alighieri (1265-1321) para o texto clássico da Divina comédia são republicados em edição bem acabada da Ateliê Editorial, em parceria com a Editora Unicamp. Bilíngue e com 102 ilustrações de Sandro Botticelli (1445-1510), mestre do Renascimento, a obra resgata tradução de João Trentino Ziller, que levou 25 anos para transcrever os 14.233 versos originais para o português. Com dimensões generosas (27,6cm por 38cm), a nova versão apresenta um projeto gráfico inspirado no modelo renascentista.

A jornada de Dante, autor e também protagonista, escrita entre 1307 e 1321, deve ser acompanhada por meio de uma leitura vertical: a cada virar de página, os desenhos traduzem em traços e cores definitivos a descida ao inferno, a passagem pelo purgatório e a ascensão ao paraíso. O poeta medieval, nascido em Florença, dividiu a narrativa em 100 cantos e estruturou as passagens em tercetos (combinação de três versos) — referência à Santíssima Trindade. Na viagem, Dante é guiado por Virgílio, o poeta romano de Eneida, e Beatriz (musa e paixão do escritor).

Em quadrinhos
Na estante das graphic novels, a poesia de Alighieri chega em duas adaptações. O norte-americano Seymour Chwast interpreta a matriz sem medo de parecer infiel. Em A Divina comédia de Dante (Companhia das Letras), o herói é um detetive, com cachimbo e casacos escuros, em busca da verdade: ar retrô — lembrando a ficção americana dos anos 1940 e 1950 —, humor afiado, mas coerente com os detalhes descritos pelo intelectual italiano.

Criação conjunta de pai (Giuseppe Bagnariol), roteirista, e filho (Piero), quadrinista, A Divina comédia em quadrinhos (Peirópolis) tem uma postura menos pop e procura conservar e condensar características do original. A HQ é mais um título que leva para os quadrinhos criações literárias consagradas, como Auto da barca do inferno, de Gil Vicente, Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, e Os Lusíadas, de Luís de Camões.

O delírio de Alighieri, ao mesmo tempo crítica de costumes e louvor às Escrituras Sagradas, permanece como ícone canônico da cultura ocidental. E sempre tem lugar nas livrarias e na preferência dos leitores.


Trecho
À meia idade da terrena vida
perdido achei-me numa selva escura,
a senda certa estando já perdida.
Quanto, dizer qual era, é cousa dura,
esta selva selvagem rude e forte,
que medo infunde à mente mais segura!
Acre é tanto que pouco mais é morte.
Porém das outras cousas falarei,
E o bem direi que nela achei por sorte.
Ignoro como na floresta entrei:
Com tanto sono estava em meu roteiro,
Que o rumo certo e reto abandonei.

Divina comédia, com tradução de João Trentino Ziller

 

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