Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Brasilienses fazem programa sobre a produção cultural da cidade

Assim que perceberam que a tecnologia estava ao alcance e a comunicação, um pouco mais democrática, os amigos Alex Lima, André Gomes, Daniel Spot, Felipe Carvalho e Marcius Fabiani colocaram uma câmera nas mãos e abriram um canal de vídeo no YouTube. Criaram assim o programa Nome na lista, com intuito de entrevistar pessoas que contribuem para a produção cultural de Brasília. Eles acabam de pôr fim à primeira temporada, com 10 entrevistas.

Todas estão disponíveis também no blog do programa: http://nomenalista.wordpress.com, que traz ainda algumas entrevistas na íntegra, a trilha sonora e um breve perfil do entrevistado. Os nomes para a próxima edição já estão escolhidos. Dessa vez, o foco é em pessoas do meio cultural na década de 1990 e no início dos anos 2000.

O fotógrafo oficial do Nome na lista, Marcius Fabiani, observa que, com a diversidade de personagens e regularidade das gravações, as pessoas se interessam em acompanhar o programa. ;Apesar de não ter muitos views, a nossa preocupação nunca foi em fazer sucesso.; São cerca de 200 visualizações para cada vídeo, depois de um mês na rede. Todos os integrantes compartilham a opinião de que o importante é fazer o projeto e não conquistar uma fama. Daniel Spot conta que o grupo teve uma surpresa boa ao ler o comentário de um garoto de Fortaleza, que dizia gostar do programa e ter se motivado para criar algo semelhante no estado cearense.

As gravações são feitas na casa de Daniel, o que proporciona um clima intimista e convidativo. Primeiro, o entrevistado escolhe um disco de jazz (o acervo passa por Nina Simone, Wynton Marsalis e chega ao antológico álbum Kind of blue, de Miles Davis e John Coltrane), depois uma garrafa de uísque é colocada na mesa e começa o bate-papo de aproximadamente 1h30, recheado de revelações pessoais, discussões sobre trabalho e impressões sobre a cidade. Até mesmo o movimento circular da câmera tem um propósito: causar a impressão de uma conversa informal. ;Quem assiste ao programa diz que tem a sensação de estar aqui, conversando com a gente;, revela Daniel.

Além do rock
Antes do programa, Daniel documentava alguns vídeos, com depoimentos de amigos ligados ao rock brasiliense. As primeiras entrevistas do Nome na lista também foram com pessoas próximas. ;Mas, a partir da terceira entrevista, percebemos que podíamos conversar não só com a galera que conhecíamos. Pensamos em registrar pessoas de várias áreas, pessoas que produzem e dão esse valor a Brasília.; André Gomes é mais enfático: ;Saímos da zona de conforto ligada ao rock, pois pudemos entrevistar personalidades como o designer Jean Mattos, o DJ João Komka e o quadrinhista e artista plástico Lucas Gehre;. Ele conta que, com as entrevistas, passou a ver coisas que não percebia. ;Quando falamos com o Rafael Oops, foi uma parada que mudou minha vida. Ele falou: ;O pessoal de Brasília tem que se produzir, porque senão ninguém te produz;. Aí, tomei a iniciativa e comecei a produzir festas em Brasília. Isso é muito legal;, relata Gomes.

Preocupado com o registro da memória, Daniel Spot acredita que ;o grande valor desse programa vai ser dado daqui a 10 anos, porque vamos olhar para trás e ver como era Brasília naquela época;. Ele aponta que há um deficit em relação ao registro de personalidades tanto agora como nas décadas de 1980 e 1990.