Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Judas Priest se despede de longas turnês e Whitesnake lança novo álbum

Nos últimos anos, Brasília vem recebendo shows de diversas bandas que marcaram o heavy metal. Depois de Iron Maiden e Heaven and Hell (o Black Sabbath ;fase Dio;), em 2009; Megadeth e Scorpions, em 2010; e Ozzy Osbourne, Mot;rhead e a volta do Iron à cidade este ano, a capital federal terá hoje à noite mais dois bastiões do som pesado: os britânicos Whitesnake e Judas Priest tocam no Ginásio Nilson Nelson. Não será a primeira vez que os grupos, amigos de longa data, dividem o palco. Mas pode ser uma das últimas. O Judas anunciou que está se aposentando das longas turnês ; não à toa, batizaram de Epitaph (epitáfio) este grande giro internacional.

;A banda não está parando;, esclarece o vocalista Rob Halford, 60 anos. ;Mas, para manter a integridade da nossa performance, vamos diminuir o ritmo. Não subimos ao palco e apenas tocamos. Temos uma apresentação bastante física ; o que fica mais difícil à medida que envelhecemos;, justifica.

Já o Whitesnake tem divulgado seu álbum mais recente, Forevermore, lançado este ano. Muitos fãs enxergam no novo trabalho uma tentativa de voltar à sonoridade que fazia no começo da carreira. O vocalista David Coverdale, que já foi do Deep Purple entre 1973 e 1976, compunha um hard rock em linha similar à da antiga banda. Nos anos 1980, a cobra branca encontrou grande sucesso com baladas como Love ain;t no stranger e Is this love ; que, no Brasil, se tornaram bastante populares devido às veiculações em propagandas de cigarro.

Foi graças à publicidade que o servidor federal Aloísio Júnior, 39 anos, conheceu o som do Whitesnake. ;Eu e minha mulher adoramos a banda. Nos casamos ao som de Is this love;, conta o fã. Em 1985, eles se apresentaram na primeira edição do Rock in Rio, marcando o começo de uma longa relação entre o país e a banda de Coverdale, que completa 60 anos daqui a uma semana.


Is this love" />
Se o heavy metal fosse uma disciplina escolar, a aula sobre Judas Priest seria uma das primeiras do ano letivo. ;Tanto o riff de guitarra quanto o vocal são extremamente influentes para o metal. É uma banda que está no comecinho da coisa. E, enquanto o Iron Maiden era mais épico, grandioso, o Judas Priest era mais visceral, mais rebelde;, compara o analista financeiro e músico Gustavo Rosa, 39 anos, baixista da banda Inferno, que sábado passado fez show especial com o repertório das duas atrações internacionais. ;Acho essa dobradinha uma ótima pedida. Vi as duas dividindo o palco há alguns anos, em São Paulo, e funcionou muito bem. Além do mais, o custo benefício é perfeito;, opina o publicitário Sancler Ribeiro, 40 anos.

Judas Priest e Whitesnake
Hoje, às 21h30, no Ginásio Nilson Nelson. Show com as bandas inglesas de hard rock e heavy metal. Ingressos (inteira): R$ 180 (arquibancada), R$ 240 (cadeira), R$ 280 (pista) e R$ 320 (pista premium) à venda pelo site www.ticketsforfun.com.br ou no piso G1 (Brasília Shopping)

Duas perguntas - Rob Halford
Você consegue perceber o legado musical do Judas Priest em outras bandas?
Acho que a maioria dos músicos não tem a noção disso, uma compreensão de seu legado musical, do quanto influenciaram outros artistas. Não é algo que pensamos a respeito, entende? Estamos mais focados no que estamos fazendo agora e nos planos para o futuro. Mas, a partir do momento em que você começa a ser reconhecido, recebe prêmios como o Grammy, o Metal Hammer, isso te faz pensar. Você se sente orgulhoso de fazer parte do movimento heavy metal.

Quarenta anos depois do começo da banda, o que os mantém na ativa?
São duas explicações muito simples. A primeira é que adoramos estar no palco. Ainda nos divertimos e temos muito prazer em tocar. E tem a conexão com nossos fãs. Quando saímos da Inglaterra para viajar pelo mundo, saímos de casa para tocar para vocês. Algumas bandas não fazem tantos shows quanto o Priest. Nós achamos importante dizer obrigado aos fãs, mostrar a nossa união para as pessoas que estão lá, juntas, para nos ver.

Duas perguntas - David Coverdale
O disco Forevermore é uma tentativa de voltar ao som da banda no começo da carreira?
Não gosto de fazer comparações. Para ser honesto, concordo que em alguns aspectos o disco reflete uma nova era para os Snakes. Steal your heart away poderia facilmente estar num disco do começo da carreira. Mas não fizemos um esforço consciente para isso. Ficamos muito felizes em ouvir das pessoas que conseguimos um bem-sucedido equilíbrio entre nossos velho e novo sons. Eu sinto que o álbum é uma sólida coleção que celebra o que é a banda. É, atualmente, meu disco favorito do Whitesnake.

Qual o segredo para fazer uma grande balada como Is this love?
Bem, certamente ajuda se a música se conecta com o coração e a alma das pessoas. E, reconhecidamente, Is this love se conectou lindamente com milhões de pessoas. É uma música tocada e cantada com emoções honestas. Sobre um tema que homens e mulheres podem se identificar. Todos experimentando inseguranças, as alegrias e mágoas e os incríveis ápices do amor. E cantar essa música ainda é um pico emocional para mim. Especialmente quando as pessoas cantam comigo.