Publicidade

Estado de Minas

Menescal e Wanda Sá comemoram 50 anos de criação da música O barquinho


postado em 21/09/2011 08:33 / atualizado em 21/09/2011 09:09

Quando Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli compuseram O barquinho, em 1961, não imaginavam que a música se tornaria um clássico da bossa nova. Tom Jobim, por sua vez, quando ouviu a canção, logo percebeu o potencial. “Lembro-me de ele me dizer: ‘Menesca, essa vai ser um sucesso’”, conta o compositor. Não deu outra: cinco décadas depois, O barquinho acumula mais de duas mil gravações. Dentre elas, uma das mais recentes é do próprio Menescal, registrada no disco que ele lança hoje em Brasília, no Teatro da Caixa.

Hoje e amanhã, Roberto Menescal, Wanda Sá e o grupo vocal BeBossa apresentam o espetáculo que leva o mesmo nome do disco, A galeria do Menescal. “É uma brincadeira com uma galeria de Copacabana”, explica o músico, 73 anos. No show, Wanda Sá e Menescal empunham, respectivamente, violão e guitarra. Integrantes do BeBossa, Marcela Velon, Carol Assad, Marcela Mangabeira, Cauê Nardi, Matias Corrêa e Zeca Rodrigues, além de acompanhar os dois cantores, reproduzem, com as vozes, os arranjos dos instrumentos.

O set list da apresentação será baseado nas faixas do disco A galeria do Menescal, que tem reinterpretações para músicas como Vagamente, Você, Telefone e, claro, O barquinho. “O disco tem 14 músicas e o show, umas 18. Eles, do BeBossa, escolheram o repertório. Tem música de 1959 e até composições mais novas, como um blues que eu fiz com o Oswaldo Montenegro, Eu canto meu blues. Mas é um blues ao contrário, não é pra baixo, fala sobre estar bem”, comenta Menescal.

Pesca submarina
Sobre sua música mais famosa, Menescal conta que O barquinho surgiu depois de tentativa frustrada de levar os amigos para fazer pesca submarina. “Juntamos umas oito pessoas, Nara Leão, o Tamba Trio, Ronaldo Bôscoli e mais uns três ou quatro, não lembro quem. Fui levá-los para Cabo Frio, mas o barco enguiçou com todo mundo. Eram umas 15h, 16h da tarde. A bateria do motor já tinha acabado, tentamos na manivela que, ao girar, fazia um taca-taca-taca-taca (cantarola no ritmo da música)”.

A turma só foi resgatada de noite. Se não conseguiram pescar, a experiência serviu para inspirar o surgimento de um clássico da bossa nova. “No dia seguinte, na casa da Nara Leão, o Bôscoli me perguntou ‘como era aquele negócio que você fez ontem na manivela?’. E eu, ‘o barquinho vai, a tardinha cai…’ e ele, ‘disso eu me lembro, como era aquele barulho da manivela?’ E eu mais ou menos adaptei o barulho da manivela ao ritmo da música (cantarola). E foi assim que nasceu O barquinho.”


A GALERIA DO MENESCAL
Hoje e amanhã, às 20h, no Teatro da Caixa (SBS Qd 4 lote 3/4, anexo do edifício Matriz da Caixa). Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia). Informações: 3206-9448. Não recomendado para menores de 12 anos.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade